02/09/2014 00:00:00 Transportadoras oferecem 3 mil vagas para caminhoneiros na região

Fonte: JL

O motorista qualificado, com carteira E e experiência comprovada, é hoje um dos profissionais mais disputados no mercado. Empresas de transporte de cargas e rodoviários assediam empregados da concorrência para conseguirem completar seus quadros. Mesmo em época de entressafra, quem tem o perfil requerido pode escolher onde trabalhar. O déficit de profissionais já chega a 100 mil em todo o Brasil, segundo dados da Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (NTC&Logística). Só na Região Norte do Paraná, a estimativa é que faltem cerca de 3 mil caminhoneiros, de acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar).

Bom momento

“Para os motoristas, o momento é excelente. A tendência é haver melhoria nas condições sociais e salariais”, avalia o secretário do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), André da Silva. A falta de motoristas, afirma ele, se deve a vários fatores. “O primeiro deles é que a profissão não estava sendo valorizada e motoristas fizeram de tudo para que os filhos estudassem e escolhessem outra profissão.”

Outro ponto foi o crescimento da economia brasileira. “Cerca de 70% do modal de cargas do País é baseado em transporte rodoviário. Cresceu a economia, cresce o transporte de cargas.” A Lei dos Motoristas - 12.619/2012 -, que estabeleceu uma jornada máxima de trabalho de 10 horas – oito horas diárias mais duas horas extras – também exigiu que transportadoras regulares contratassem mais profissionais. “De modo geral, esse é um momento delicado: as empresas terão que oferecer melhores salários e benefícios se quiserem manter seus funcionários”, aponta Silva.

Falta experiência

Segundo o gerente da Delegacia Regional da Setcepar, André Moreira de Aguiar, a falta de profissionais vem se agravando nos últimos anos. “O que a gente acreditava há algum tempo é que simplesmente faltavam motoristas. Mas não é só isso. Falta também gente com experiência.” As empresas, diz ele, relutam em contratar pessoas sem experiência para conduzir caminhões e carretas no valor de até R$ 400 mil, sem contar a carga. “E esse problema é difícil de resolver porque experiência só se ganha com tempo de estrada.” Para ele, os cursos de capacitação e formação não são suficientes para dar o “traquejo” necessário.

Formação

Diretor do Sest/Senat em Londrina, Campolim Torres Neto discorda. O sistema, afirma ele, tem investido muito na formação de motoristas. Só neste ano foram comprados dois caminhões e um terceiro foi cedido em regime de comodato. “Além disso, todos os nossos instrutores têm curso superior, carteira E e dirigem bi-trem, sem contarmos que investimos também em um simulador que reproduz todas as condições da estrada.” De acordo com ele, os alunos sairão do curso totalmente capacitados para dirigirem os caminhões mais modernos. “Só precisarão de uma oportunidade.”

Sest/Senat deve formar 150 motoristas em Londrina

Pela primeira vez, o Sest/Senat de Londrina oferece o curso de formação de motoristas. A primeira turma deve concluí-lo no início deste mês. A segunda, em outubro. “Até o final do ano, devemos ter 150 novos motoristas em Londrina e outros 210 em Apucarana”, conta o diretor Campolim Torres Neto. Segundo ele, hoje, o custo para formar um motorista é de cerca de R$ 6 mil. “A maior parte é custeada pelo próprio sistema. O Pronatec não cobre tudo.”

Segundo Torres Neto, o Sest/Senat nacional tem três projetos diferentes para cobrir a deficiência de profissionais no mercado. “O primeiro é justamente pelo Pronatec, que atinge alunos que estão desempregados e buscando assistência do seguro-desemprego.” São 400 horas/aula, 50 dias úteis ou cerca de três meses. O segundo projeto é chamado de “Primeira Habilitação”, no qual o sistema vai pagar a primeira carteira de motorista para jovens de baixa renda que não sabem dirigir e formá-los para a categoria B, para começarem a trabalhar. Em Londrina, 672 jovens foram selecionados para fazer o curso. O terceiro projeto é financiar a troca de habilitação – de B para D e de C para E – para outros 50 mil motoristas.

A maior dificuldade, segundo o diretor, é que os cursos exigem dedicação integral - oito horas por dia. “A média de idade dos nossos alunos é de 27 anos, uma idade em que a maioria já tem família para sustentar. Como garantir a sobrevivência dele e da família enquanto se qualifica? Isso ainda não conseguimos resolver.”

Guiomar Vieira, 45 anos, deu um jeitinho. Motorista de uma cooperativa de reciclagem em Londrina, ele fez um acordo com a cooperativa para trabalhar até o meio-dia e frequentar as aulas no Sest/Senat à tarde e à noite. “Eu já tenho carteira AD, agora quero a E. Se para isso vou ter desconto no meu salário, vou aguentar.” Ele vê o curso como um investimento em melhores condições de vida.

Empresas contratam estrangeiros

Apelar para a contratação de trabalhadores estrangeiros foi a alternativa que a Setcepar encontrou para suprir a falta de profissionais capacitados na área. “Já temos 25 motoristas colombianos trabalhando no Estado e outros 25 estão providenciando documentação na Colômbia”, conta Luiz Carlos Podzwato, superintendente do sindicato. De acordo com ele, essa “importação” de trabalhadores pode ser a saída para o setor, se não houver mudanças logo.

Para os escolhidos, as empresas daqui mandam as passagens e o sindicato ajuda com o treinamento e documentação brasileira necessária. Hoje, de acordo com dados do sindicato, há cerca de 5 mil vagas de motoristas nas empresas de transportes do Paraná.