17/05/2018 08:29:06 Triplica número de lojas virtuais com ponto físico

Fonte: Folha de Londrina

A quantidade de lojas virtuais com pontos físicos praticamente triplicou desde o ano passado, quando chegou a 13% dos 675 mil sites brasileiros de comércio eletrônico. Segundo a pesquisa "O Perfil do E-Commerce Brasileiro 2018", encomendada pelo PayPal Brasil à BigData Corp e divulgado na quarta-feira (16), o indicador mostra uma recuperação de investimentos que estavam represados em tempos de crise econômica e também uma maior preocupação com o fortalecimento da relação com os clientes. 

O número de lojas virtuais aliadas às físicas era de 14,5% do total de sites nacionais do tipo em 2015, mas caiu a 4,9% em 2017, conforme o estudo. No entanto, o número de endereços de e-commerce aumentou de 450 mil para 600 mil no período, o que representava um maior direcionamento de novos empreendedores diretamente para a web. 

Das 600 mil lojas virtuais existentes no ano passado, os 4,9% aliados a endereços físicos representavam 29,4 mil. No ano seguinte, o total de sites passou a 675 mil e 13%, ou 87,7 mil, dividiam-se entre os dois meios. "Existia uma demanda reprimida de pessoas com lojas físicas que não quiseram ter uma on-line para não ter de investir em um momento de crise. Como o tempo médio de uma loja on-line é de cinco meses, qualquer demanda reprimida gera um impacto grande", diz o CEO da BigData Corp, Thoran Rodrigues. 

Ele explica ainda que o mais comum é o vendedor começar a ofertar produtos por meio dos chamados market places, que são sites de grandes redes varejistas ou similares ao Mercado Livre, para ganhar nome, clientes e evitar custos de implantação de um site próprio de comércio virtual. Por exemplo, quando o cliente entra em uma loja virtual de livros e encontra o anúncio "20 ofertas a partir de R$ 10", significa que há vários comerciantes que usam aquele site como market place. 

CARTEIRA DE CLIENTES 
Para o executivo da BigData, o passo seguinte é formar uma carteira de clientes para, então, investir em um comércio eletrônico. "Dizemos que abrir um e-commerce próprio é como abrir uma loja em uma rua escondida, onde não passa ninguém, e usar o market place é como ter um ponto em um shopping", diz Rodrigues. 

O consultor econômico da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Marcos Rambalducci, vê também uma mudança de percepção em relação ao comportamento do consumidor. "Quando alguém vai fazer uma aquisição de maior valor agregado, primeiramente pesquisa preços na internet e depois compara com a loja física, onde pode escolher por comprar, caso queira receber a pronta entrega ou desconfie dos pagamentos on-line." 

Por isso, o economista considera que a preferência maior passou a ser ampliar o negócio virtual para uma estrutura de rua ou não abrir mão de um ponto ao entrar no comércio eletrônico. "Às vezes a pessoa enxuga o espaço físico para reduzir custos, mas mantém os dois porque é a forma como tem mostrado melhores resultados", afirma Rambalducci. 

DEMANDA LOCAL 
O sócio-proprietário do Atacadão do Lar (www.atacadaodolar.com.br), Bruno Jamus, é um que começou no virtual e hoje abre uma loja em Londrina. Há cinco anos ele uniu a experiência em administração de empresas com um amigo que fazia importação e exportação, comprou três contêineres de produtos chineses e virou fornecedor de varejistas. "Tínhamos alguns produtos empacados e resolvemos vender na internet, direto para o consumidor. Deu tão certo que o plano B virou A", conta Jamus. 

Apesar da venda em menor quantidade, ele diz que o varejo oferece margem de lucro maior. Porém, os sócios estão em processo de abertura de um ponto comercial, na zona oeste da cidade. "Era uma demanda do público, então pegamos os produtos com maior saída e vamos vender aqui, mas ainda distribuímos muita coisa, desde utilidades domésticas a móveis de escritório", diz. 

Jamus, por outro lado, afirma que são poucos os que hoje trabalham com estoques. Ele usa o modelo conhecido como drop shipping, no qual oferece e vende produtos que são enviados aos clientes diretamente de fornecedores, distribuídos por todo o País. Assim, passou a ter um site considerado médio, com 50 mil visitas ao mês. "A internet é o futuro e, como a concorrência é grande, tenho de comprar bem para ter lucro. Preciso ser competitivo no preço, ou o cliente procura no Google e compra de outro", afirma. 

SEGURANÇA 
A preocupação com a segurança em lojas virtuais também cresceu, de acordo com o estudo "O Perfil do E-Commerce Brasileiro 2018". A adoção de sistemas de carteiras virtuais de pagamento eletrônico, como o PayPal, chegou a 47,4% dos sites brasileiros de venda. O item cresce desde a primeira edição da pesquisa, com alta de quase dez pontos percentuais desde 2015. 

Já o índice de empresas que usam o sistema SSL (aquele cadeado que aparece no lado esquerdo do link nos navegadores de internet e que indica que o ambiente é seguro para o internauta) foi de 20,7% do total em 2015 74,2% em 2018. Apesar de ser alto, caiu em relação ao ano passado, quando era de 91,3%. "Costumamos dizer que o brasileiro é desconfiado, mas 20% das lojas só recebem em boletos ou transferências bancárias, que é como comprar em um quiosque de rua, sem saber a procedência. Se não receber o produto, não tem o que fazer, mas, se pagar pelo cartão de crédito, pode cancelar a transação", diz o CEO da BigData Corp, Thoran Rodrigues. 

Da mesma forma, ele afirma que, quando uma pessoa tenta comprar em um site em que o "cadeado" do SSL está vermelho, recebe um aviso de que o certificado expirou, ou seja, não há garantia. "O consumidor recebe um aviso, mas compra mesmo assim. É um risco assumido", sugere. 

A preocupação com a experiência do cliente também aumentou. Houve adoção massiva no comércio eletrônico de sites responsivos, que se adaptam a qualquer tela. Dos 24,2% em 2017, a participação foi a 76,4%. Ainda, a oferta de aplicativos desses sites foi de 3,5% para 13,9% no mesmo comparativo. 

A BigData Corp. captura e processa continuamente mais de 20 milhões de sites brasileiros. A pesquisa apresenta resultados obtidos entre os meses de maio de 2017 e de 2018.