15/10/2014 00:00:00 Troca de acusações e guerra de números marcam debate entre Dilma e Aécio

Fonte: JL

O debate de ontem à noite na Band TV entre os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) foi marcado por trocas de acusações e exposição de números desencontrados que podem ter mais confundido do que esclarecido o eleitor. Enquanto a petista passou boa parte do debate confrontando o adversário com dados do governo dele em Minas Gerais, o tucano questionou e criticou ações do governo federal. Os principais embates entre os candidatos ocorreram sobre saúde, paternidade de programas sociais, corrupção e economia.

A gestão de Aécio – ele foi governador por duas vezes, entre 2002 e 2010 – foi o tema central do primeiro bloco. Na primeira pergunta, Dilma questionou o tucano pela suposta não aplicação de R$ 7,6 bilhões na saúde quando governador. Em resposta, Aécio disse que o próprio governo federal aponta Minas como o segundo estado mais bem avaliado no Sudeste na aplicação dos recursos da saúde. O candidato também rebateu os números apresentados pela adversária e afirmou que todas as contas de seu governo foram aprovadas.

O segundo bloco começou com Aécio chamando para debater “a vida real da dona de casa”. O tucano acusou o governo de perder o controle da inflação, sempre próxima da meta. Aécio ironizou e afirmou “não ser vergonha” Dilma admitir que errou na condução da economia. Mais uma vez atribuindo a alta da inflação ao clima, que influencia preços da energia e dos alimentos, Dilma voltou a atacar o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso quando, “por duas vezes”, a inflação superou a meta. “Como é que, com o mesmo cozinheiro, vocês vão entregar outro prato?”, questionou Aécio, que anunciou Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo FHC, como futuro ocupante do Ministério da Fazenda caso eleito.

Corrupção

O tema corrupção não poderia ficar de fora. Mais uma vez no ataque, Aécio afirmou que o único momento em que a adversária se mostrou indignada foi com o vazamento dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, apontando políticos do PT, PMDB e PP como supostos beneficiários do esquema de desvio de dinheiro na estatal, e não com seu conteúdo. Na defensiva, Dilma citou o mensalão mineiro e o caso do cartel do metrô em São Paulo. Também questionou a construção do aeroporto de Cláudio (MG), em área pertencente à família de Aécio, quando ele era governador.

As respostas foram similares a outros encontros: Dilma reafirmou que seu governo fortaleceu os mecanismos de investigação e Aécio afirmou que seu tio, dono da área, questiona o governo mineiro por uma indenização maior à que foi concedida.

No quarto bloco, o tema inicial foi segurança pública. Perguntado sobre sua política de combate à violência contra a mulher, o tucano aproveitou para apontar o “fracasso” da política nacional para o setor. “Apenas 13% dos investimentos vêm do governo federal”, citou o tucano.

Guerra de números

O telespectador foi submetido a uma guerra de números durante o debate. Na questão da segurança, Dilma também afirmou que, em Minas, as taxas de homicídio cresceram 52% entre as gestões de Aécio e do sucessor, Antônio Anastasia (PSDB), recém-eleito senador. Já o tucano afirmou que o próprio Ministério da Justiça aponta redução de 37% nos homicídios e 48% nos crimes violentos. Também afirmou que Minas é o estado que mais investe em segurança.

Sobre as políticas sociais, Dilma afirmou que o Bolsa Família atende 50 milhões de pessoas, enquanto os programas sociais do governo FHC chegavam, segundo a candidata, a 5 milhões de brasileiros. Dilma também afirmou que seu governo tirou 36 milhões de pessoas da miséria e elevou 42 milhões à classe média. Para o tucano, “a maior distribuição de renda do país foi feita pelo Plano Real”.

Educação

Apostando no Pronatec, Dilma questionou o adversário sobre o número de escolas técnicas que seu governo e de Lula criaram: 208. Para Aécio, o programa é deficiente, possui carga horária de “apenas 120 horas” e seus estudantes não conseguem empregos. Sobre o ensino básico, Aécio disse que Dilma não criou as 6 mil creches prometidas, o que ele deve fazer se eleito. Também defendeu a meritocracia para o sistema educacional, que teria sido adotada com sucesso em Minas. Também prometeu investir no ensino médio.