18/11/2019 08:35:51 Vila Rica reabre as portas para a cultura

Fonte: Fernanda Bressan - Revista Mercado em Foco/ACIL 

Um novo capítulo, um novo contexto, uma nova missão. O Vila Rica reabriu as portas do cinema que levou milhares de londrinenses a embarcar na história dos filmes que marcaram época. Inaugurado em 1968 – e fechado em 2001 – o espaço de 1.800 metros quadrados foi remodelado e ganhou novas funções trazendo mais uma opção cultural para a cidade.

O local é o mesmo, no coração de Londrina, bem no Centro, na galeria conhecida pelos que nasceram antes da virada do milênio. Quando o Vila Rica estava no auge, era comum ver jovens reunidos por ali, esperando a sessão começar, conversando, curtindo a cidade. Havia filas para entrar na sala de cinema, o local chegava a receber 15 mil pessoas por semana para se divertir diante da tela. Nesta época, passear em família no centro era um programa constante, uma opção de compras e lazer.

As portas do novo espaço se abrem justamente no ano em que a sociedade civil e entidades, como a ACIL, embarcam em uma ação para revitalizar o Centro, fazer com que ele volte a ser destino dos moradores para diversão, compras e alimentação.

Rodrigo Fagundes Noceti, gestor do Villa Rica – que agora é Espaço Villa Rica – recorda que o local já recebeu milhares de espectadores na sala que inicialmente tinha capacidade para mais de mil pessoas. “A família Veronese construiu o cinema em 1968, depois passou para a Cinematográfica Rolândia tocar o espaço, inicialmente era uma sala só com 1.100 lugares. Na década de 80 foi dividido em duas salas de cinema. O Vila Rica foi o último cinema histórico da cidade a fechar, em 2001”, recorda.

De lá pra cá, o local já abrigou um cursinho pré-vestibular, teve algumas utilizações pontuais e, em 2018, um grupo de investidores assumiu o local para reabrir o espaço. “A ideia foi uma junção de tudo, de trazer um pouquinho do centro de volta ao reativar o espaço. Foram apresentadas várias propostas para o Vila Rica e não queríamos que virasse mais um espaço, mas que fosse um espaço cultural para Londrina”, afirma Noceti.

O local passou por muitas adequações (e as obras estavam em andamento no dia da entrevista). Mudanças para atender às exigências do Corpo de Bombeiros e também de acessibilidade foram realizadas. “Tiramos tudo o que era inflamável, agora tem um elevador e áreas de acessibilidade, banheiro PNE e Família. Da parte da história, conseguimos trazer alguns elementos do Vila Rica antigo, como o corrimão de madeira e as folhas que ficavam na parede, que foram restaurados, além de duas luminárias e os letreiros. Eles foram usados no novo espaço”, conta.

Vida Nova

A intenção é unir cultura, entretenimento e educação no mesmo lugar. “A ideia é ter um cineteatro com espaço de eventos e espaço cultural. Temos uma sala cinematográfica e uma sala de eventos, um café e um restaurante. A Sala Londrina ficará aberta todos os dias, haverá exposições, o café funcionará o dia todo, é uma opção para quem está no centro, quer ter um local para alimentação”, diz.

Na sala cinematográfica (Sala Villa Rica), com capacidade para 385 pessoas, os filmes, em sua maioria, serão escolhidos fora da rota comercial, tanto nacionais como estrangeiros. “Queremos fazer um roteiro que, quando tem na cidade, é muito pequeno. Tem filme londrinense que foi pra Cannes e não foi exibido aqui”, pontua. A Sala Villa Rica terá esta função, trazer mais opções de filmes para a cidade.

Além do cinema, shows musicais, teatro, oficinas e cursos estão entre as opções no novo Villa Rica. O espaço para eventos é completo. “Temos tudo, iluminação, sonorização, projetor, estúdio para gravações. Tem tudo em um só local, o que facilita para os produtores culturais”, antecipa. A Sala Londrina, que tem esta finalidade, tem capacidade entre 150 e 250 pessoas. Palestras, coquetéis, festas e demais eventos contam com um espaço de 335 metros quadrados e telas de projeção para usar.

O Espaço Villa Rica vem ao encontro do movimento que busca dar nova cara e nova vida ao Centro de Londrina. Rodrigo Noceti atesta que o grupo de investidores está ativo e participa do movimento de revitalização do Centro, tendo participado da Audiência Pública realizada este ano na Câmara de Vereadores com esta finalidade. “Eu sempre estive no Centro, já morei aqui, trabalho no Edifício Mônaco, e vemos que o Centro perdeu movimento, têm crianças que não conhecem o Centro. A proposta é trazer o Centro de volta à vida e tirar a ideia de ser só um centro histórico. Podemos fazer um centro cultural”, ressalta.

Memória

A produtora artística Zuila de Oliveira realiza este ano o projeto “Preservação da Memória Histórica e Cultural do Vila Rica”. O projeto, que tem o incentivo do PROMIC, encerrará com uma exposição fotográfica mostrando a trajetória deste espaço cultural. Ela está programada para março de 2020 e será no Museu Histórico de Londrina. É uma oportunidade para reviver a história do Vila Rica pelas fotografias de cada época.