08/09/2014 00:00:00 Volume de negócios na bolsa cai com estagnação da economia

Fonte: Folha de Londrina

O volume negociado na Bovespa no mês de agosto foi de R$ 156,5 bilhões, montante 16,4% menor que no mesmo período do ano passado. Em relação a julho deste ano, houve um incremento de 17,6%. O volume médio diário na bolsa de valores somou R$ 7,450 bilhões em agosto ou 12,4% menor que no mesmo mês do ano passado. Na comparação com julho, o aumento registrado foi de 23,2%. 

O número de negócios em agosto foi de 18.472.578, uma queda de 15% contra agosto de 2013. Em relação a julho, houve crescimento de 11,4%. A média diária no mês passado ficou em 879.647 negócios ou 11% inferior ao mesmo período do ano passado. Na comparação com julho, houve aumento de 16,7%. 

O consultor financeiro da Inva Capital, Raphael Cordeiro, destacou que faz sete anos que o mercado de ações está nos mesmos níveis. Segundo ele, vem diminuindo o número de investidores e de empresas na bolsa de valores, reflexo da estagnação do mercado acionário. "Com a taxa de juros alta, as pessoas têm ficado insatisfeitas com o resultado da bolsa", disse. Segundo ele, também tem contribuído para o desempenho da bolsa, o crescimento pífio da economia brasileira nos últimos anos. Segundo a BM&F Bovespa, nos últimos cinco anos, o número de empresas de capital aberto no País caiu de 404 companhias para 369. 

Cordeiro explicou que o volume de negócios menor representa menos gente comprando e vendendo, ou seja, um número menor de pessoas transacionando. O consultor explica que isso é negativo para o mercado de capitais mas, não necessariamente, para quem tem ações. Segundo ele, só em agosto o Ibovespa (formado por cerca de 60 ações que representam 80% das empresas mais líquidas) teve alta de 10%. 

Por outro lado, com pouco volume negociado, Cordeiro explica que as empresas tendem a não abrir o capital ou até sair da bolsa, ou seja, fazer uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), que é quando as empresas realizam a recompra dos seus papéis no mercado. O consultor disse ainda que a situação atual da bolsa é de aumento de 30% no lucro das 60 empresas que fazem parte do Ibovespa no segundo trimestre, em relação ao mesmo período de 2013, mesmo com a economia travada e a taxa de juros elevada. Ele acredita que se o Produto Interno Bruto (PIB) for maior nos próximos anos, a bolsa pode subir mais. O analista não arriscou previsões sobre o comportamento futuro da bolsa de valores. No entanto, destacou que, quanto maior o período de estagnação da bolsa, mais próximo estará de um período de alta. 

Para o presidente da Associação dos Analistas de Mercado de Capitais (Apimec), Marco Antônio dos Santos Martins, a redução do volume de negócios na bolsa é fruto das condições de incertezas no mercado financeiro, que têm afastado os investidores do mercado de ações. "Os investidores estão bastante receosos. Essa incerteza no quadro econômico reflete no baixo apetite deles no mercado de ações", disse. 

Segundo ele, a queda do PIB e as incertezas com as eleições também são fatores que contribuem para o desempenho da bolsa. De acordo com ele, muito do que a bolsa tem de alta é investidor especulativo de curto prazo e não os aplicadores de longo prazo. Martins acredita que o quadro atual do mercado acionário não se reverte a curto prazo. Ele prevê que isso também vai depender do resultado das eleições e da composição da equipe econômica do próximo governo.