15/03/2019 08:47:33 Volume de vendas apresenta resultado positivo em janeiro

Fonte: Folha de Londrina

O varejo paranaense começou o ano com incremento de 0,8% no volume de vendas em relação a janeiro do ano passado, mas cresceu abaixo da média nacional, que ficou em 1,9%. No levantamento do comércio varejista ampliado - que considera veículos, motocicletas, parte e peças e materiais de construção - o volume teve alta de 3,3% ficando próximo ao desempenho nacional (3,5%). 

A performance do varejo ampliado foi impulsionada pelos automóveis. "O Paraná é forte em revendas de veículos e o desempenho positivo (10,2%) pode estar ligado às atividades das agroindústrias, pois esta categoria contempla o consumo das famílias e das empresas", explicou Isabella Nunes, coordenadora da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Os dados da pesquisa divulgados nesta quinta-feira (14) mostram o comportamento do varejo estadual muito próximo do nacional, com crescimento maior das vendas de artigos de uso pessoal e domésticos (31,4%). "O perfil do Paraná ficou muito parecido com o do Brasil, com alta dos produtos de lojas de departamento. O que puxa essa alta é o acesso ao crédito facilitado que essas lojas oferecem, mesmo com juros mais altos. Isso estimula a venda", avaliou Nunes. Nesta categoria também são computadas as vendas dos e-commerces. 

Por outro lado, as vendas de tecidos, vestuários, calçados, móveis e eletrodomésticos apresentaram queda. "A concentração de consumo está em atividades de uso contínuo e essencial. Neste agrupamento, que vem recuando, o aumento da renda do consumidor não está sendo suficiente para ele apostar em produtos de maior valor agregado", comentou. 

Os dados mensais da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional de Amostra por Domício) vêm sinalizando uma estabilidade no consumo. O brasileiro voltou ao mercado, mas são compras moderadas, calcadas nos itens básicos. "O brasileiro, e esse comportamento se repete no Paraná, está consumindo com moderação", disse Nunes. 

O economista Marcos Rambalducci, colunista da FOLHA, chama a atenção para o desempenho dos vizinhos Santa Catarina (8,4%) e Rio Grande do Sul (5,1%). "O Paraná ficou aquém dos demais estados da região Sul, que tiveram um crescimento mais robusto. O Rio Grande do Sul vinha de uma situação de inadimplência no setor público, no entanto avançou mais do que a média nacional. Isso demonstra uma dificuldade maior de recuperação do Paraná". 

O desempenho do vestuário reflete que o paranaense está com a renda comprometida e postergando as compras. O indicador do SPC (Sistema de Proteção ao Crédito) Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) mostra um consumidor que se mantém consciente de sua condição financeira e gastando dentro dos limites de seu orçamento. Em fevereiro, o indicador fechou com 11% menos consumidores tendo seus nomes incluídos no cadastro de restrição a crédito, na comparação com o mesmo mês do ano passado. 

O SPC Acil já havia registrado números positivos em janeiro, quando apontou redução de 9% na inclusão de consumidores no cadastro de inadimplência, frente a janeiro de 2018. No ano, este número mostra redução de 10% nas inclusões na comparação com o mesmo período de 2018. 

NACIONAL 
Em janeiro, o comércio varejista nacional cresceu 1,9% em relação a janeiro de 2018, com taxas positivas em cinco das oito atividades pesquisadas. Os avanços ocorreram em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,4%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (7,2%), combustíveis e lubrificantes (1,4%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,6%). 

Por outro lado, as atividades em queda foram móveis e eletrodomésticos (-2,8%), livros, jornais, revistas e papelaria (-27,3%) e tecidos, vestuário e calçados (-1,2%). 

No varejo ampliado, as vendas cresceram 3,5%. O volume de veículos vendidos aumentou 8,8%, enquanto o de material de construção avançou 2,2%. 
A taxa do volume vendido em 12 meses vem perdendo dinamismo desde abril de 2018, passando de uma alta de 2,3% nos 12 meses encerrados em dezembro de 2018 para aumento de 2,2% nos 12 meses encerrados em janeiro de 2019.