01/10/2014 00:00:00 Voto distrital informal: uma boa ideia

Por Valter Luiz Orsi - Presidente da ACIL

A região de Londrina precisa conquistar uma representatividade mais significativa na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional para ter maiores chances de emplacar projetos e garantir os recursos para as obras que precisamos. Por isso, seria muito bem-vinda uma mobilização dos eleitores para que candidatos da nossa região sejam eleitos e, efetivamente, defendam nossos interesses. 

A ideia do chamado voto distrital informal não é nova, mas já garantiu maior representatividade para alguns municípios brasileiros. A estratégia é simples: as pesquisas de intenção de voto norteiam o movimento, orientando os eleitores a apoiar os candidatos da região mais bem colocados. 

A cidade de Franca, no interior paulista, por exemplo, adotou nas últimas três eleições um movimento em prol do voto distrital informal. A campanha "Voto nosso", que incentiva a escolha de candidatos locais, foi articulada pela Associação Comercial e Industrial da cidade e já ajudou a eleger dois deputados estaduais e um federal nas últimas eleições. 

Há outras experiências nesse sentido. Em 2010, a região de Campo Mourão deflagrou um movimento apartidário buscando conscientizar os eleitores para que votassem em candidatos do próprio Vale do Piquirivaí, região composta por 25 municípios. O resultado foi uma diminuição na evasão de votos para candidatos a deputado estadual e federal de outras regiões. Movimento similar também foi feito em Santa Catarina: das seis regiões catarinenses, em três foram deflagradas campanhas pelo voto regional, com bons resultados. 

Por que não fazer o mesmo na nossa região, com a ideia sendo abraçada por associações comerciais, igrejas, sindicatos, clubes de serviço, entidades classistas e lideranças comunitárias? Tudo, obviamente, respeitando o que prevê a lei eleitoral. 

As vantagens são muitas: um deputado eleito sempre coloca a sua cidade, a sua região, em primeiro lugar. Isso é legítimo, não é bairrismo. Se não elegemos candidatos da nossa região teremos que nos contentar sempre com migalhas do orçamento estadual e federal. 

Hoje a legislação eleitoral prevê que a escolha de deputados estaduais e federais seja feita pela proporcionalidade, ou seja, são eleitos aqueles que atingem o coeficiente eleitoral (calculo feito pela divisão dos votos válidos pelo número de vagas). Pelo voto distrital, o Estado seria dividido em distritos e seriam eleitos os candidatos mais votados em cada um deles. A ideia é estimular um sistema informal de voto distrital, sem que seja preciso mudar a lei eleitoral. 

As pesquisas mostram que, passados quatro anos das eleições, 70% dos eleitores não se lembram em qual candidato votaram. E dos 30% restantes, metade revela que votou em candidatos que nem concorreram. Ou seja, não há possibilidade de cobrança de trabalho e resultados, porque a maioria das pessoas nem sabe em quem votou. Com o voto distrital isso diminui, porque o sistema valoriza o voto do eleitor. 

O voto distrital informal é uma ideia que deve ser abraçada na nossa região e, certamente, trará muitos benefícios. Ainda há tempo para que esse movimento ganhar apoio e força para que dê resultados nas eleições de outubro.