18/07/2016 00:00:00 Artigo: Empobrecimento exige sacrifícios do funcionalismo

Fonte: Carta do presidente da ACIL, Claudio Tedeschi, publicada na edição de 16 de julho de 2016, da Folha de Londrina

As dificuldades estão por toda parte. Nas casas e nas empresas, as calculadoras trazem más notícias. Qual despesa cortar? 

Sim, estamos ficando mais pobres. E não é de hoje. Segundo estimativa do FMI, a renda per capita do brasileiro (medida em paridade do poder de compra) caiu de US$ 16,2 mil, em 2015, para 15,7 mil, em 2016, atingindo o menor patamar desde 1980. De acordo com este parâmetro, a renda dos brasileiros equivale hoje a 90% da média de 24 países emergentes. Nos anos 1980, estávamos acima desta média. A diferença desapareceu nos anos 1990 com o início da ascensão acelerada da Índia e da China. E o desempenho pífio dos últimos anos nos colocou um degrau abaixo na escada da prosperidade, aponta o levantamento. 

Ou seja, além da conjuntura desfavorável e dos indicadores negativos de curto prazo, vivemos um ocaso econômico do ponto de vista histórico, ao contrário do que fez supor a propaganda oficial, especialmente no petismo. Lutamos e, por falta de unidade, empobrecemos. 

Desnecessário dizer que um país com as potencialidades do Brasil não pode aceitar tal condição. É preciso mudar o leme para outra direção. Neste purgatório econômico que vivemos, sociedade e governo, temos que fazer um exame de consciência sobre o que somos e o que queremos ser. 

Os líderes do setor produtivo estão fazendo este exercício e compartilham ideias comuns sobre questões que envolvem o equilíbrio fiscal do governo paranaense. 

As despesas correntes crescem mais do que a receita, os aumentos de gastos com pessoal (ativo e inativo) forçam uma redução das despesas de custeio e a diminuição dos investimentos. Temos que mexer nesta fórmula de falência financeira e funcional do governo. Como? Mais aumento de impostos? Penalizar mais uma vez o empresariado com alíquotas leoninas, diminuir nossa competitividade na federação, "exportar" empregos? 

Entendemos que não há outro caminho a escolher: o Palácio Iguaçu deve comandar um esforço coletivo de diminuição de custos correntes e que não estrangule os serviços públicos. 

Neste esforço coletivo, os servidores terão de se submeter aos mesmos sacrifícios que já afligem os trabalhadores do setor privado. Parece-nos inescapável a adoção de medidas duras e a quebra de tabus da nossa cultura política. O congelamento da folha salarial do funcionalismo em 2017 e 2018 é a principal delas. 

O contribuinte paranaense deve saber que entre 2010 e 2016, o crescimento nominal dos gastos com servidores foi praticamente de 100% e o crescimento real alcançou cerca de 38%. 

Apenas em 2016, o deficit previdenciário do funcionalismo vai chegar a quase R$ 3 bilhões, montante bancado pelo tesouro estadual e que faria a diferença aplicado em serviços prioritários. 

Um valor semelhante - R$ 3,2 bilhões – é quanto o Paraná vai gastar a mais com pessoal em 2016 em relação ao ano passado. 

São números que estabelecem uma distorção, onde os interesses dos contribuintes vão na contramão dos interesses dos servidores. Chegou a hora de organizar este fluxo para o bem comum. 

Lembro aqui as palavras de Bill Clinton, 42º presidente dos Estados Unidos: "Nós chegamos ao ponto que quase nos arruinamos. E a eles, eles e eles. Mas estamos nos Estados Unidos da América. Não existe o eles; existe apenas o nós. Uma nação, sob Deus, indivisível, com liberdade e justiça para todos". 

É uma ponderação que cabe perfeitamente na nossa realidade. Basta substituirmos os Estados Unidos pelo Brasil. 

Estamos todos num mesmo barco. Ou remamos juntos rumo a um destino promissor, ou naufragamos no universo da incompetência, da intolerância, da divisão, da corrupção, das ideologias ultrapassadas, que levaram várias nações contemporâneas ao caos. 

Portanto, vamos nos dar as mãos para construirmos juntos um país justo e vibrante. Que o Paraná seja coeso o suficiente neste debate para ser um exemplo deste novo paradigma de convivência. Chega de retroceder. Avancemos! 

CLAUDIO TEDESCHI é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL)