30/06/2015 00:00:00 ACIL usa 20 outdoors para repudiar aumento de impostos e energia

Fonte: Jornal de Londrina

Em repúdio aos recentes aumentos, a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) começou a instalar 20 outdoors, em que crítica as altas de impostos e do custo de energia elétrica. Os painéis estão sendo expostos a partir desta segunda-feira (29).

Na arte, a entidade estampa uma conta em que a soma do reajuste da energia e do aumento dos impostos resulta em desemprego. Os painéis deverão ser instalados em diferentes pontos da cidade como as avenidas Celso Garcia Cid, Duque de Caxias, Tiradentes, Saul Elkind e Castelo Branco.

“O objetivo da campanha é mostrar à população o motivo do aumento do desemprego que se dá porque simplesmente a conta não fecha. O consumo diminuiu, mas os custos para a indústria e comércio só aumentam”, explicou o diretor industrial da Acil, Marcus Gimenes. Ele pontuou que além do esclarecimento, a campanha é uma forma do setor externar um sentimento “de mãos atadas diante da situação”.

“As altas de tributos e energia têm reduzido a competitividade das empresas e levando ao fechamento de postos de trabalho”, disse o presidente da Acil, Valter Orsi, em nota divulgada pela entidade. Ele defendeu ainda que o governo precisa tomar medidas urgentes para reduzir impostos e taxas.

Representantes da Acil se reuniram com Copel para entender nova tarifa

Marcus Gimenes e outros representantes da Acil estiveram reunidos com técnicos da Companhia Paranaense de Energia (Copel) para entender a atual tarifa. Na semana passada, 396 municípios paranaenses passaram a pagar mais pela energia elétrica. A alta, a segunda do ano, é de 14,62% nas tarifas residenciais, de 15,61% nas industriais e de 15,09% naquelas que vão para os consumidores rurais, para os serviços públicos e para o comércio de menor porte. Em março, um reajuste extraordinário, de 36,8%, já havia sido autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“Nesse esclarecimento, percebemos que alguns dos itens que compõem a tarifa tinham reajuste até menor do que o anunciado pelo governo, mas outros, como a USD, o aumento foi muito maior, superior a 300%”, informou o diretor industrial da Acil.

Gimenez ainda defendeu que a situação da indústria e do comércio é complicada após tantos aumentos. “Aqui na minha empresa mesmo o gasto com energia que no ano passado representava 12% dos custos, hoje representa 20%.”

Segundo o diretor industrial, já existem empresários que estão utilizando o turno da noite para tentar reduzir os custos. “Apesar do adicional noturno que é pago aos funcionários, no final ainda compensa porque a tarifa energética neste horário é menor.”

Com novo aumento na tarifa da energia, indústria ameaça demitir

Segundo a gerente administrativa da Lavanderia Industrial Clarear, Suzana Maria Rockenbach, a energia elétrica virou “uma dor de cabeça”.

”Quando entrou o sistema de bandeiras, mudamos um turno, que ia das 18 às 22 horas, no pico da bandeira vermelha, para a madrugada. Com isso, tivemos economia, mas esse novo reajuste [em vigor desde 25 de junho] vai engolir tudo”, lamenta.

Suzana acrescenta que a energia elétrica consome hoje 25% do faturamento. “Se levarmos em conta a folha de pagamento, os insumos, os fornecedores e ainda o tratamento dos efluentes, que é caríssimo, estamos sem margem de lucro.” A empresa está buscando alternativas para reduzir os gastos, mas, segundo ela, em plena crise econômica, está difícil. “Já chamamos o engenheiro responsável para mudar a parte elétrica, mas tudo requer investimentos altos que, no momento, não podemos fazer.”