31/03/2015 00:00:00 Compras públicas devem movimentar mais de R$ 1 bi em 2015

Por Paulo Briguet/Equipe ACIL

O Programa Compra Londrina divulgou hoje uma pesquisa sobre o potencial de compras públicas na cidade. Ao todo, 29 órgãos e entidades que realizam licitações responderam ao levantamento. Segundo os dados da pesquisa, as instituições do setor público preveem um gasto de R$ 200,6 milhões com produtos e serviços em 2015. “Isso dá uma ideia do tamanho desse mercado para os empresários locais”, diz o superintendente da ACIL, Diego Rigon Menão. A ACIL é umas das entidades mantenedoras do programa, juntamente com Sebrae, Prefeitura de Londrina e Observatório de Gestão Pública. Cerca de 50 compradores, fornecedores e representantes de entidades acompanharam a divulgação da pesquisa, em evento no Auditório João Alfredo de Menezes, na ACIL.

O consultor do Sebrae Sergio Ozorio, um dos responsáveis pelo programa, lembra que a projeção de R$ 200 milhões se refere apenas a 22 áreas (famílias de produtos e serviços) em 29 órgãos dos 60 existentes na cidade de Londrina. Na avaliação dele, tomando-se como base os números da pesquisa, a movimentação total de compras públicas no município deve ultrapassar R$ 1,5 bilhão de reais por ano. “É preciso considerar que só a Prefeitura compra R$ 400 milhões, e há muitas outras famílias de produtos. Além disso, 31 órgãos não responderam à pesquisa”, estima Ozorio.

Criado em 2011, o Compra Londrina tem por objetivo oferecer oportunidades para o empresário local fomentar o seu produto e aumentar a competitividade entre empresas para a participação nas diversas modalidades de compras públicas no município. “A participação dos empresários londrinenses em licitações estimula o desenvolvimento local e permite que esses recursos circulem dentro da cidade”, comenta Sergio Ozorio. Em suma: o Programa Compra Londrina existe para que todo esse dinheiro – mais de R$ 200 milhões somente nas empresas pesquisadas – não bata asas e voe para longe. Ainda é o que acontece na maioria das vezes. “Se a comunidade não se mexer, esses recursos continuarão indo para fora, quando poderiam estar fortalecendo as empresas e a economia da cidade”, observa Ozorio. “É sempre bom lembrar: se as instituições não comprarem de empresas locais, vão comprar de alguém.”

Através da pesquisa, é possível ao empresariado local ter uma visão nítida do cronograma de compras dos órgãos públicos. “Assim, cada empresa pode fazer o planejamento da sua participação em processos licitatórios”, afirma Diego Menão. Há setores em que a cidade oferece grande qualidade e quantidade de serviços. Por exemplo, a área de Tecnologia da Informação – especialmente o desenvolvimento de softwares, em que Londrina tem várias certificações de qualidade. Mas – pasme – nenhum centavo dos R$ 1.535.217,39 gastos públicos com softwares em 2014 foi para empresas londrinenses. Casa de ferreiro, espeto de pau? “Isso precisa mudar, afinal Londrina é hoje referência em TI para todo o Brasil e até no exterior”, diz o empresário Gabriel Henríquez, presidente do Arranjo Produto Local de Tecnologia da Informação (APL de TI).

Para mudar esse quadro e elevar a participação local em licitações públicas, os empresários contam a partir de agora com dois instrumentos. Um é o Bureau de Informações, sediado na ACIL, um escritório cuja proposta inovadora é colocar em contato os fornecedores e os compradores do poder público. O outro é o Site Compra Londrina, que estará em funcionamento a partir do dia 20 de abril, concentrando informações sobre o setor (inclusive com os dados da pesquisa divulgada hoje). Além disso, estão programadas duas rodadas de negócios (em junho e setembro) e cursos de capacitação voltados a compradores e fornecedores. Tudo para fomentar o desenvolvimento de Londrina e evitar que os recursos públicos – R$ 200 milhões – batam asas... e voem para longe.