17/05/2016 00:00:00 Na ACIL, empresários debatem liderança para driblar a crise

Fonte: Assessoria ACIL

Debater ideias, trocar experiências de mercado e fugir do cotidiano. Para alcançar esses objetivos mais de 60 empresários participaram nesta terça-feira, 17, na ACIL, do Workshop “Liderança em tempos de crise”. O evento foi elaborado para oportunizar o debate do papel do líder em meio à recessão econômica, como explica o superintendente da ACIL Diego Menão. “A liderança requer sempre ser discutida e revista. Líder não é necessariamente o chefe, aquele que está num cargo de liderança. É todo e qualquer sujeito e organização que consegue fazer com que outros possam segui-lo.”

Para o consultor empresarial Wellington Moreira, condutor da palestra desta terça-feira, grandes líderes são aqueles que conseguem gerir mudanças durante a crise. “Muita gente dedica horas para reclamar da situação difícil que enfrenta, mas não dedica o mesmo tempo para pensar em ideias e alternativas para mudar esse cenário”, alerta.  

Afinal, o que é a crise? Wellington atenta para o erro de associar a crise apenas a um cenário econômico ruim. “Toda vez que acontece uma mudança que revira o ambiente podemos chamar de crise. Neste momento, o Brasil passa pela crise na economia. Porém, muitas vezes vivenciamos outros tipos de crises, como a expansão de nossas empresas, por exemplo. Nosso mundo é caracterizado pela volatilidade e por incertezas. Não se preocupe com isso! Vamos viver cada vez mais nesse ambiente e precisamos saber competir dentro deste quadro.”

Ações rápidas e criativas são caminhos assertivos que consolidam o papel do líder durante a crise. “Acompanhar as mudanças para conseguir fazer as transformações que o período necessita e se antecipar são medidas fundamentais. O motivo pelo qual consideramos ser difícil liderar na crise é porque ela não faz parte da rotina, não temos a experiência e nem seu histórico para nos salvaguardar”, explica Wellington Moreira.

Para o consultor empresarial, é preciso escolher o protagonismo para obter o controle das empresas. “É essencial assumir que sua organização tem um desafio a ser vencido e tomar a frente da situação. Não dá simplesmente para ser pessimista ou otimista em relação ao momento e esperar que outras pessoas resolvam nossos problemas”, aponta.

Algumas atitudes enumeradas por Wellington podem sintetizar o que esperar de um líder e sua equipe durante um cenário de crise: Praticar o desapego; aceitar seus erros e de outras pessoas; e tomar decisões rápidas. “O momento é de arriscar, talvez, atitudes que em tempos de bonança não seríamos capazes de tomar. Precisamos procurar as janelas de oportunidades. Toda crise bagunça o mercado. Mas, se estivermos atentos, conseguimos encontrar abordagens diferentes para implantar dentro de nossas organizações. Os consumidores estão mudando seus hábitos. Nos dias atuais não é a melhor estratégia que vence e, sim, a mais bem executada. Então, focalize o que você pode fazer. Agora.”

PAINEL

Após a palestra com Wellington Moreira, a programação contemplou o painel “A atuação de líderes de empresas que estão em crescimento apesar da crise”, com a participação das empresas CDS Informática, Oral Sin e Serilon.

Confira abaixo os principais momentos do debate:

Leonardo Schmidtke, CEO da empresa Serilon

“Resultados extraordinários são frutos de equipes extraordinárias. O grande desafio é conseguir ter equipes extraordinárias. As pessoas são o maior ativo da empresa, mas sabemos que não podemos apenas ter pessoas, mas sim as pessoas certas. E as pessoas certas são autogerenciáveis. Faça algumas perguntas: Você contrataria essa pessoa novamente? Se o colaborador se demitir seria um problema ou uma solução? Se você quer resultados diferentes, comece por um time extraordinário.”

“É preciso olhar economicamente para o negócio, estar preocupado com o resultado e também com o fluxo de caixa. A capacidade de crescimento, todo o planejamento que olhamos precisa estar sendo escoltado por uma administração de fluxo de caixa adequado. Não dá pra não ter as pessoas certas e as ferramentas importantes. Esses itens nos permitirão  ter no mínimo 12 meses de simulação daquilo que está sendo feito diante de um cenário ruim ou não. A partir daí poderemos identificar os desperdícios e cortá-los.”

“Seu time é reflexo de quem você é. O fato de saber comunicá-lo é extremamente importante. Temos hoje equipes basicamente operacionais, de execução e com a gestão centralizada. Mas não podemos esquecer do cliente. Olhar incansavelmente para ele e entender suas necessidades. Mais do que falar com nossa equipe é ter canais que a façam escutar o cliente. A eficiência da sua equipe determina o sucesso do seu trabalho.”

“Somos uma empresa de crescimento, que olha para diversos horizontes de uma única vez e isso só é possível pensando. Participar de exposições, workshops e treinamentos nos capacita para manter as iniciativas cheias.” 

Eduardo Rampazzo, diretor da empresa Oral Sin Implantes

“Hoje, o desafio principal é a formação de um time excelente. Seu time precisa entender o momento, apresentar soluções e, acima de tudo, acreditar que é possível mudar. Dentro da nossa empresa tentamos evita a palavra crise. Sabemos que é algo que está no ar, mas nosso papel como líder e gestor é, além de apresentar cenários e realidades, influenciar de forma positiva.”

“Como cuidar da parte de finanças e se dispor a fazer investimentos? Buscamos aperfeiçoar conhecimentos também em outras áreas. Ter um planejamento financeiro organizado por uma consultoria financeira nos surpreendeu. É assim que conseguimos projetar as despesas e os custos ao longo do ano. Investimos em capacitação porque entendemos que isso fará diferença para a empresa. Se existe um setor que não poupamos investimentos é o de Comunicação. Da maneira correta, precisamos evidenciar a marca e não fazer o movimento contrário. A crise tem o momento ruim, mas também gera oportunidade para rever o cenário”

“Às vezes você prepara toda uma estratégia e se esquece de ouvir seu cliente.”

“É essencial arrumar tempo para buscar conhecimento, se aperfeiçoar, fazer cursos. Através desses encontros você se atenta para boas oportunidades de negócios. Somos em alguns sócios e cada um tem sua função. O desafio é você se entender e achar o equilíbrio.”

Carlos dos Santos, proprietário da empresa CDS Informática

“Nosso mercado muda a todo instante. E nem sempre a nova tecnologia é a ideal. Mas preciso estar à frente para ser um diferencial. O grande desafio é manter o crescimento de maneira organizada e estruturada, capacitando e formando pessoas, formando líderes. Assim poderemos ter uma empresa que funcione sozinha.”

“A universidade não prepara o profissional final, precisamos formar essa mão-de-bra.”

“As exigências mudam. Quem não faz fluxo de caixa precisa começar imediatamente para poder olhar para o futuro. Não dá apenas para focar no operacional e deixar o gerencial de lado. Precisamos de gestão. Olhe para a gestão do seu négocio e não apenas para o pagar e receber.”

“Gosto de conhecer gente e buscar informação. É importantíssimo sair da empresa e fazer com que seus colaboradores façam o mesmo. Deixar por uns instantes aquele mundinho cotidiano, ver novas possibilidades e apresentar ideias. É preciso descentralizar, delegar responsabilidades e nunca parar de estudar. O tempo você tem que ajeitar, construir. Tempo para a empresa, lazer, família e para buscar conhecimento. Assistir menos televisão e ler mais livros. Aprender mais e reaplicar isso na empresa.”

Veja mais dicas para superar o cenário de crise

Como gerir o seu negócio?

- Finanças. Cuide dos custos, mas não deixe de investir.
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O que fazer na prática?

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Mas mantenha os pés no chão.