04/12/2017 08:41:58 Desenvolvimento de mão-dupla

Fonte: Revista Mercado em Foco - ACIL - Por Michelle Aligleri

Um ambiente criado para possibilitar o desenvolvimento de novas empresas (também chamadas de startups). Esta é uma forma simplista de explicar o que é uma incubadora de empresas. A questão é que além de espaço físico preparado, as incubadoras ainda contam com um ambiente que estimula o empreendedorismo.

Apoio técnico, mentoria e consultoria são algumas das vantagens de estar em um espaço como este. O consultor do Sebrae Fabricio Pires Bianchi explica que estes são locais de inovação que permitem que empresas de base tecnológica se desenvolvam de forma mais estruturada e evoluam como modelo de negócio mais rapidamente.

Conforme ele, grande parte das incubadoras está instalada em universidades ou parques tecnológicos e esta é uma vantagem importante porque conecta meios de pesquisa e academia ao empreendedor.

“Um ponto interessante para as empresas se inserirem em um ambiente como este é a dinâmica de ela estar dentro de um microecossistema de inovação e empreendedorismo”, afirma. Ele complementa que dificilmente uma empresa instalada em um prédio comercial ou uma área tradicional para negócios terá oportunidade de trocar experiências.

Outro ambiente de inovação são as aceleradoras. “Em quase 100% das aceleradoras, as startups entram com a previsão de receber investimento em dinheiro”, explica.

Ganha-ganha’

Empresas com base tecnológica ligadas a setores como construção civil, saúde, agronegócio, metalmecânica e até financeiro estão buscando incubadoras. Mas o desenvolvimento de empresas não se dá apenas em incubadoras. O consultor do Sebrae explica que há grandes empresas convidando donos de pequenos negócios a participar deste tipo de estrutura, que ele considera uma relação “ganha-ganha”. “Para o empreendedor no começo da carreira é bem interessante porque ele pode contar com uma estrutura já montada que permite alavancar seu modelo de negócio e para a empresa que incuba é uma oportunidade de desenvolver novos produtos sem precisar assumir todo o risco sozinha”, explica. Ele complementa que a startup presta um serviço de qualidade a um custo menor para a empresa incubadora. “Instituições que adotam este tipo de processo estão inserindo dentro da organização uma cultura de inovação e alto nível”, conclui.

Inovar e crescer junto sem correr riscos

Conforme o diretor de Tecnologia e Inovação da ACIL, Marco Aurélio Kumura, as empresas hoje, especialmente as grandes, tem uma grande dificuldade de buscar inovação. “Quanto maior a empresa mais os processos ficam estruturados. Quando falamos que uma empresa é grande ela se torna uma máquina de performance, a cultura da empresa se volta para si própria, é um processo natural e usual”, explica. Este processo, no entanto, reduz o espaço para a inovação e as novas ideias. “Muitas grandes empresas estão implantando processos de inovação de forma que consigam gerar ideias dentro ou fora delas. As ideias de dentro podem surgir em programas que estimulam os colaboradores a participar e repensar seus processos e produtos. Já as ideias de fora da empresa podem vir de fornecedores, clientes e até de outras empresas, que são startups”, comenta.

Conforme ele, existem muitos casos clássicos de processos inovadores que servem como exemplo. O grupo Algar Telecom, empresa de telecomunicação presente em vários estados brasileiros é um exemplo de sucesso porque incuba empresas dentro da própria estrutura. “Eles possuem um processo muito definido neste sentido. As empresas incubadas testam se o produto ou serviço que eles estão propondo será bem aceito pelo mercado, em caso positivo eles criam o que chamamos de spin off, ou seja: criam outra empresa a partir desta para prestar o serviço”, detalha Kumura. Ele lembra que o grupo Algar Telecom criou várias spin offs com um pequeno grupo de jovens empreendedores que têm ideias inovadoras.

Kumura afirma que os grandes bancos também estão utilizando este tipo de processo porque há várias startups da área financeira – chamadas Fintechs – criando novos modelos de negócio. “As grandes instituições bancárias estão olhando para isso. Eles incubam a pequena empresa e, se a ideia for boa, compram parte do negócio”, comenta.

Na literatura, é possível encontrar registros que mostram que o medo de inovar não é incomum. Há situações de empresas que dominam o mercado, tem capacidade de investir em tecnologia, são competentes no setor, mas não investem por medo do mercado atual. “Este é o exemplo clássico da Kodak. A empresa já detinha a patente das câmeras digitais e não fez o lançamento por medo de perder espaço no mercado de filmes fotográficos, que ela dominava mundialmente. Eles tinham capacidade e dinheiro para fazer mas não fizeram e foram superados por outras empresas”, aponta.

O diretor de Tecnologia e Inovação explica que empresas estruturadas sempre trabalham em projetos que precisam dar resultados e por isso tem medo de correr riscos. “A visão de risco é muito própria das startups porque processos inovadores nem sempre dão os resultados esperados”, explica. Ele lembra que o segredo para estas pequenas empresas é pensar grande, começar pequeno mas crescer rápido e se for para errar, que seja um erro barato. “Esta flexibilidade de errar as grandes empresas não tem”, afirma. “Por isso incubar empresas menores é uma forma de não correr o risco dos novos projetos”, completa.

De acordo com Kumura, em Londrina as empresas ainda não perceberam a necessidade e a vantagem de se fazer isso. “É uma questão local e cultural”, justifica. Conforme ele, a própria ACIL está buscando se reinventar. “Não estamos falando só de tecnologia. É a forma de atuar no mercado que agrega valor. O próprio Lidere é uma inovação, estamos entregando um serviço para o associado e posicionando a ACIL de uma nova forma. A inovação não se limita às empresas, ela serve para as organizações também”, finaliza.

DRZ e Maptriz se desenvolvem juntas

Agostinho de Rezende, diretor da DRZ Geotecnologia, explica que há mais de 15 anos a empresa desenvolve aplicações de geotecnologia. Com três pilares sustentados em gestão de cidades, gestão ambiental e geotecnologia a empresa avançou bastante nos últimos anos em smart city. “Temos uma equipe multidisciplinar formada por engenheiros, arquitetos, advogados, administradores e economistas, mas precisávamos dar espaço para um olhar direcionado para a inovação”, explica. Rezende comenta que necessitava de profissionais da área de tecnologia da informação, mas da maneira como a empresa estava estruturada não era possível absorver este perfil profissional no quadro.

Neste momento, a saída encontrada pela direção foi criar uma nova empresa, direcionada para a área de tecnologia. “Assim nasceu a Maptriz. Esta nova empresa está alocada dentro da DRZ e tem o objetivo de desenvolver uma plataforma de cidades inteligentes, que atende os produtos da DRZ e também traz soluções para diversas outras empresas do mercado”, afirma. Hoje a Maptriz conta com 11 funcionários e apesar de ainda precisar do apoio financeiro da DRZ, há uma expectativa de que em curto prazo ela se torne autossustentável. “A DRZ funciona como aceleradora da Maptriz, mas acreditamos que a partir de dezembro ela deixe de ser uma startup e que no ano que vem passe a ser uma empresa com caminhada própria”, aponta. Segundo ele, a previsão é de que em três anos a Maptriz se torne maior que a DRZ, que hoje conta com 55 colaboradores.

Sair da zona do conforto

Conforme Erik Ferreira Macedo, gerente de TI da Maptriz, um dos principais benefícios de se estar incubado dentro de outra empresa é a possibilidade de fomentar conhecimento. “É muito boa a interação com a DRZ, dos dois lados tem interação de pessoas, sempre surgem novas ideias e as duas empresas absorvem conhecimento”, afirma. Ele complementa que, apesar de dividirem o mesmo espaço, as duas empresas atuam em segmentos diferentes e possuem culturas diferentes. “Este ponto pode gerar algum conflito, mas entendemos como um fator positivo por que faz com que as pessoas saiam da sua zona de conforto e neste momento as coisas passam a acontecer”, aponta. Ele conclui destacando que o fato da Maptriz estar incubada dentro da DRZ a redução de custos é um fator bastante positivo.