20/11/2014 00:00:00 Desocupação de outubro foi a menor para o mês

Fonte: Folha de Londrina

A taxa de desocupação medida pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), foi de 4,7% no mês passado. É a menor para outubro e a quarta menor de toda série histórica, que teve início em janeiro de 2004. Perdeu apenas para dezembro de 2013 (4,31%), dezembro de 2012 e novembro de 2013 (ambos com 4,6%). 

Isoladamente, o dado divulgado ontem pelo IBGE dá a impressão que o mercado de trabalho não foi atingido pelo desaquecimento econômico. Mas, não é bem assim, conforme explica Cid Cordeiro, economista integrante do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná. Ele chama atenção para a queda na taxa de atividade, que é a porcentagem das pessoas de 10 a 65 anos que estão ocupadas ou procurando emprego em relação ao total da população nesta faixa etária. Ela era de 57,1% em outubro do ano passado e passou a 56,2% em outubro deste ano. "Isso revela a dinâmica do mercado de trabalho. Quando as pessoas começam a perceber dificuldade, elas desanimam e acabam adiando a decisão de voltar a procurar", afirma ele. 

Ou seja, a taxa de desocupação não caiu porque o mercado de trabalho se expandiu. Ela caiu porque a porcentagem de ocupados e pessoas procurando ocupação diminuiu (ver quadro). Bom seria se essa porcentagem caísse, como em anos anteriores, pelo adiamento da entrada dos jovens no mercado de trabalho porque passaram a dedicar-se mais aos estudos. "Isso já ocorreu, e é saudável, mas não é o que acontece agora. Estamos vendo o reflexo do desaquecimento econômico chegar ao mercado de trabalho", declara. 

Prova disso são os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregado (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na semana passada. Pelo Caged, o mês passado foi o pior outubro da série histórica iniciada em 1999. Foram extintas 30.283 vagas no Brasil. 

Os dois levantamentos têm metologias muito diferentes. A PME é uma pesquisa feita por telefone em seis regiões metropolitanas do País: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Ela trata de empregados com carteira assinada, empregados sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria e empregadores. Já o cadastro do MTE retrata a realidade apenas dos empregados com carteira assinada de todos os municípios do País. 

A PME também mostrou que a participação dos empregados com carteira assinada na população ocupada caiu de 51% para 50,3% de outubro de 2013 para outubro de 2014. Da mesma forma, caiu a participação dos empregados sem carteira, que eram 9,2% e agora são 8,6%. Mas aumentou significativamente a porcentagem de trabalhadores por contra própria, de 18% para 19,1%.