24/10/2014 00:00:00 Embate final da eleição será hoje à noite

Apenas 32 horas separam o fim do debate da Rede Globo do início da votação do 2.º turno presidencial. Por isso o encontro marcado para hoje, às 22h10, é considerado a cartada final para os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Seja qual for o desenrolar das discussões, especialistas e integrantes das duas campanhas são unânimes em afirmar que o importante é falar em propostas e evitar ataques. “Não adianta ganhar a discussão e perder o voto. O Enéas cansou de ganhar debate, mas nem por isso venceu a eleição”, resume Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos.

Disputa mais acirrada desde a eleição entre Collor e Lula, em 1989, o pleito deste ano terá o capítulo final decidido ao vivo, na emissora de maior audiência do país. E a melhor estratégia, segundo Manhanelli, é não repetir o debate do SBT, de uma semana atrás, quando o estúdio se transformou em um “octógono de MMA”, com ataques de ambos os lados. “O debate é uma passarela, não um ringue. É preciso se dirigir ao eleitor para conquistá-lo, e não ficar desacatando, xingando o adversário”, afirma. “Eles têm de aproveitar a maior janela que vai ser aberta neste momento para falar com os eleitores.”

Manhanelli diz ainda que não se pode subestimar o impacto de um debate na antevéspera da eleição. Ele aconselha que os candidatos dediquem todo o dia à preparação para o encontro e cita como exemplo o primeiro debate presidencial na televisão, realizado nos Estados Unidos, em 1960, entre Richard Nixon e John Kennedy. “O Nixon achava que o encontro não ia mudar nada. Apareceu com a barba por fazer e a roupa amassada, depois de um grande comício no dia anterior”, lembra. “O Kennedy passou 15 dias num iate na Flórida estudando pesquisas para saber como se posicionar no debate. No fim, virou a disputa e foi eleito presidente.”

Propostas

Presidente do PT do Para­­ná, o deputado Enio Verri afirma que, depois da etapa de desconstrução do adversário, o momento agora é de mostrar o futuro. “Ela [Dilma] deve prender-se, fundamentalmente, nas propostas para o futuro do Brasil. E, quando for necessário, responder à altura”, diz Verri. Para ele, a comparação entre as gestões PSDB e PT será a essência do debate. “E, nessa comparação, estamos tranquilos.”

Do lado tucano, o deputado Abelardo Lupion (DEM), coordenador da campanha de Aécio no Sul e no Centro-Oeste, também afirma que o candidato deve focar nas propostas e na visão que o PSDB tem do Brasil. Na avaliação dele, quem partir para os ataques vai perder. Por isso o ideal, segundo Lupion, é “ouvir as mentiras” do PT e rebatê-las. “O Aécio vai mostrar que esse é um governo que prometeu 500 obras e fez 100, todas superfaturadas”, diz. “Ele cresce muito nos debates. Já a nossa adversária não tem o que mostrar, vai ter de explicar a corrupção, as obras mentirosas.” De acordo com a campanha tucana, o mineiro vai priorizar o tripé fracasso econômico, corrupção e má gestão do governo Dilma.

Debate será em formato de arena e com indecisos fazendo perguntas

Quarto e último debate do segundo turno das eleições, o encontro de hoje é organizado pela Rede Globo e começará às 22h10. A mediação será feita por William Bonner. A Gazeta do Povo vai acompanhar em tempo real o debate. A cobertura especial será feita no site do jornal (www.gazetadopovo.com.br) a partir das 22 horas e trará informações e comentários sobre os temas discutidos.

O debate da Globo, que tem previsão de duração de 1h50, será dividido em quatro blocos. No primeiro e no terceiro, Aécio e Dilma farão perguntas um ao outro, com tema livre. Já no segundo e no quarto blocos, eles responderão a oito perguntas de eleitores indecisos selecionados pelo Ibope. Os últimos minutos serão reservados às considerações finais dos dois candidatos. Outra diferença em relação aos debates anteriores, é que o cenário será em forma de arena e os candidatos poderão caminhar pelo estúdio enquanto respondem aos questionamentos.

Debate previsível

Veja os temas que têm grande chance de virem à tona no debate presidencial da Rede Globo, marcado para hoje à noite:

Aécio Neves (PSDB)

• Inflação

Desde o início do segundo turno, o tucano vem criticando os atuais índices de inflação. Segundo ele, as pessoas estão “apavoradas” com a escalada inflacionária e já não conseguem comprar a mesma quantidade de produtos no mercado que compravam antes.

• Petrobras

O escândalo de corrupção na estatal tornou-se um mantra da campanha de Aécio Neves. OS tucanos têm usado insistentemente os depoimentos do ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, que atingem figuras chaves do PT.

• Minas Gerais

Governador por dois mandatos, Aécio sempre destaca que deixou o Executivo mineiro com 92% de aprovação, depois de ter reerguido um estado quebrado e atingido índices de excelência em saúde, educação, segurança pública.

Dilma Rousseff (PT)

• Pronatec

Dizendo-se orgulhosa por ter feito o programa de qualificação e formação profissional para jovens, a petista vem frisando que ergueu 218 escolas técnicas, enquanto o governo Fernando Henrique Cardoso proibiu a construção delas.

• Água em São Paulo

Os programas eleitorais de Dilma no rádio e na televisão destacaram nas últimas semanas a crise no abastecimento de água no estado de São Paulo, atribuindo o problema à falta de planejamento do PSDB, que governa o estado há 20 anos.

• Minas Gerais

A candidata à reeleição tem batido na tecla de que Aécio não investiu o mínimo constitucional de 12% em saúde quando foi governador de Minas Gerais, entre 2003 e 2010. Ela também destaca que o PT venceu o PSDB na disputa pelo governo local no primeiro turno – Fernando Pimentel derrotou Pimenta da Veiga, candidato de Aécio.