26/07/2022 10:50:02 Entidades se unem em prol do Terminal Metropolitano

Fonte: Celso Felizardo - Revista Mercado em Foco/ACIL

Uma região metropolitana com mais de 1 milhão de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 42,4 bilhões. Cifras imponentes que colocam a área de 9 mil quilômetros quadrados que abrange Londrina e outros 24 municípios entre as mais desenvolvidas do interior do país. Referência vanguardista em muitos aspectos, a região, no entanto, ainda padece com um gargalo importante no transporte: a falta de um terminal de ônibus metropolitano em sua cidade sede. 

O embarque e desembarque de passageiros das linhas metropolitanas se dão em pontos de ônibus acanhados na Avenida Leste-Oeste, a poucos metros do Terminal Urbano Central. As estruturas não oferecem condições adequadas de abrigo do sol ou da chuva. Com a intenção de contribuir na resolução deste problema que se arrasta por décadas, entidades como a ACIL, Sinduscon, Sindimetal, CEAL, Sociedade Rural do Paraná e Sicredi se uniram para elaborar um anteprojeto e, assim, acelerar as etapas da construção. 

A ação intermediada pelo Núcleo Regional da Casa Civil da Região Metropolitana de Londrina visou agilizar os trâmites e pular etapas burocráticas junto ao Governo do Estado.  

“Foi um pleito do governo estadual, que pediu para a gente ajudar, porque não é um problema de valor, mas sim uma questão de agilidade para poder tocar em frente os processos licitatórios. Aceitamos o desafio e entregamos esse anteprojeto. O governador gostou do trabalho e nós ficamos muito orgulhosos pela atribuição cumprida”, conta Sandro Nóbrega, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil Paraná Norte (Sinduscon). 

De acordo com dados do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), as linhas intermunicipais e metropolitanas transportam uma média de 19 mil passageiros diariamente. A maior parte dos usuários é de Cambé e Ibiporã, mas as linhas também atendem moradores dos municípios de Assaí, Jataizinho, Rolândia, Bela Vista do Paraíso, Sertanópolis e São Sebastião da Amoreira. 

Com mais conforto e praticidade, a Coordenadora do Núcleo Regional da Casa Civil da RML, Sandra Moya, projeta que este número deverá aumentar consideravelmente. “É uma estrutura que vai contribuir para fortalecer a integração da região metropolitana. As pessoas vão se motivar cada vez mais para utilizar o transporte coletivo para percorrer esses trechos tendo uma estrutura confortável para isso”, prevê. 

Segundo ela, a construção do terminal era uma das prioridades do governador Ratinho Junior para a região. Para isso, foi escolhido o terreno, uma área de 12 mil metros quadrados localizado em frente ao Terminal Urbano Central que pertencia a uma empresa do ramo de café. “Com o terreno já definido e em processo de desapropriação, precisávamos de um projeto para o terminal. Para dar celeridade ao processo, o governador pediu para que eu fosse até a sociedade civil organizada, que prontamente se comprometeu em doar esse anteprojeto que vai nortear as próximas etapas”, detalha. 

Anteprojeto 

O estudo teve como base o local já definido para a obra. O anteprojeto apresentado pelas entidades prevê 4.850 metros quadrados de área coberta em estrutura metálica e fechamento lateral em concreto armado. Do total, 930 metros quadrados seriam destinados aos passageiros, com instalações sanitárias e de alimentação, área administrativa, atendimentos aos funcionários e motoristas, e área técnica. Já os 3.920 metros quadrados restantes devem abrigar sete plataformas com 21 baias de paradas de ônibus. 

Para dar maior mobilidade ao trânsito, os acessos ao terminal serão independentes, de mão única, eliminando, assim, o cruzamento de veículos. A estrutura terá acessibilidade a pessoas com deficiência e também deve contar com uma passarela elevada para a integração com o Terminal Central. Pelo documento, o novo terminal deverá ter paraciclos e integração com a Rede Cicloviária, além de uma cortina verde com árvores e arbustos de médio porte, o que servirá para minimizar ruídos e melhorar a qualidade do ar no entorno. 

Simplicidade e elegância 

Sandra Moya conta que, em seu pedido, o governador recomendou a elaboração de um projeto simples, mas que atendesse todas as necessidades dos passageiros. “Com base nessa demanda, as entidades conseguiram entregar um projeto bonito, simples e adequado, pensando na inovação e sustentabilidade, como captação de água de chuva e energia solar. Ficamos muito satisfeitos”, elogia. 

O engenheiro civil Sandro Nóbrega detalha o processo de elaboração. “Fazer uma obra racional, enxuta, não significa abrir mão de estética, de funcionalidade, nem de preceitos ambientais e de segurança. Você pode ser pragmático e fazer uma coisa elegante sem ser cara. É possível fazer com preocupação de acessibilidade, de conforto, com preceitos de conservação de energia, de racionalidade, de obtenção de fontes alternativas e plantio de árvores, de grama, como é uma tradição na nossa região”, comenta. 

Benefícios 

A presidente da ACIL, Marcia Manfrin, enfatiza que o projeto vai beneficiar a região metropolitana como um todo. Segundo ela, a integração de Londrina com as cidades de seu entorno é estratégica para o fortalecimento dos mais diversos setores da economia, além de impactar diretamente na vida das pessoas que, em muitos casos, precisam fazer esse trajeto diariamente. 

“A entrega do anteprojeto do Terminal Metropolitano de Londrina ao Governo do Estado é uma união de esforços das entidades da sociedade civil organizada que procuraram dar mais agilidade ao processo. Nosso objetivo é fomentar o desenvolvimento da nossa cidade. Essa é a missão da ACIL. Seguimos com uma iniciativa associativista, juntando-nos com Sinduscon, Sindimetal, CEAL, Sociedade Rural do Paraná e Sicredi para elaborar esse projeto tão fascinante, que trará proteção, conforto e maior acessibilidade às pessoas que utilizam as linhas intermunicipais e metropolitanas da nossa região”. 

Marcia também faz uma análise sobre o potencial transformador do novo terminal para a revitalização da região central de Londrina. “É uma obra muito importante que vai contribuir para o processo de revitalização do Centro da cidade. Essas intervenções têm um poder de transformação muito grande. O Centro abriga muitos atrativos, com um conjunto arquitetônico riquíssimo. A construção de um terminal moderno ali traz muitos ganhos nesse processo de fortalecimento urbanístico e vem se somar a outras conquistas já obtidas para a região”. 

Persistência 

O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Antonio Sampaio, lembra que a união das entidades da sociedade civil da região de Londrina é um fator determinante para as conquistas obtidas ao longo dos anos. “Quem olha os projetos saindo do papel acha que é uma coisa rápida. Mas as negociações são demoradas. A duras penas, montamos um fundo para fazer frente a esse tipo de coisa. Quando surge uma oportunidade dessas, temos que ter um projeto pronto. Isso abre portas. Se você só pede, sem um projeto na mão, as coisas tendem a demorar ainda mais”, expõe. 

Ao comemorar a conquista e destacar a importância do trabalho associativista, Sampaio relembra o passado, mas não deixa de se preocupar com as demandas futuras. “É um trabalho constante e de longo prazo, por isso a importância do trabalho da sociedade organizada. Não podemos desistir nunca. Entregamos esse projeto e temos que ter muitos outros em mãos, porque essa agilidade é o que faz diferença para colocar a região em lugar de destaque no cenário nacional”, pontua.