19/03/2018 09:12:10 Expressão, substantivo feminino

Fonte: Revista Mercado em Foco - ACIL - ​Por Samara Rosenberger

Dizem que você só evolui ou aprende algo quando conversa com alguém que discorda ou tem uma visão de mundo diferente de você. Pensar diferente é pensar grande. Por isso, reunimos mulheres de gerações distintas para saber o que cada uma delas pensa sobre temas debatidos na atualidade. Convidamos você a passear sobre essas incríveis mentes, as quais representam mulheres de força, que deixam suas marcas por onde passam e lutam para ser melhores para sua cidade, para seu negócio, para seus entes queridos e, principalmente, para si mesmas.

O que te faz querer ser melhor e diferente?

Ana Luisa: “É se revoltar com aquilo que vê. Já fui muito militante em questões políticas, mas eu me esgotava demais. Foi quando percebi que eu podia militar pela minha própria vida. Hoje, faço questão de debater com as pessoas do meu círculo, de questioná-las e atuar na profissão na qual me identifico. Tento ser melhor comigo mesma para conseguir ser melhor com os outros. Às vezes, sinto que meus discursos não condizem com o que eu sinto. Penso que eu quero melhorar para me libertar das questões que são impostas para toda e qualquer mulher.”

Paula: “A minha busca em ser uma pessoa melhor está ligada à minha espiritualidade, em querer corresponder melhor à pessoa que Deus deseja que eu seja. Isso exige que eu redirecione melhor as minhas escolhas e comportamentos, e redefina meus valores. Não é nada fácil, são mais erros do que acertos. Mas a idade e as experiências de vida trazem ajuda imprescindível nesse processo: o auto-conhecimento.”

Marisol: “Acredito na força da mulher, na sua capacidade de se destacar e realizar. Acredito que somos protagonistas de um mundo melhor pela sensibilidade e capacidade de ser mulheres de mil e uma utilidades. No mercado de trabalho, a mulher já mostrou que veio definitivamente para revolucionar. Ela conquista, dia a dia, seu espaço, acumulando papéis e responsabilidades frente à sua empresa e família, preservando a feminilidade, sem perder a essência de alma feminina e do papel de ser mãe, esposa, filha, amiga e gestora. O que me motiva é poder contribuir e trazer algo de novo e positivo para outras mulheres. O lema do Conselho da Mulher Empresária da ACIL e meu lema de vida é que juntas somos mais sempre. É gratificante e não tem preço.”

Flora: “Sempre tentei me educar de forma a nunca querer ser melhor que outros em todos os aspectos, mas se faz necessário ser melhor nas relações com as pessoas, na busca pela afetividade. Gostaria de me organizar de forma a conseguir elaborar projetos para levar as pessoas a conquistarem mais seus direitos e felicidade.”

Qual é a melhor forma de ampliar a participação feminina na política?

Ana Luisa: “Falta educação para as meninas, não na escola, mas em casa. Aquele incentivo de que você pode, de que seu lugar é ali, de que você não foi feita para ficar em casa. Nos falta coragem de enfrentar e dizer que a política também é o nosso lugar. Acredito que outras leis seriam feitas se as mulheres estivessem em maior quantidade no Legislativo. A Maria da Penha, por exemplo, é uma lei mal aplicada e burocrática. Acredito que, se existissem mais mulheres no poder, o nosso cotidiano seria melhor.”

Paula: “A mulher precisa entender que é sujeita de direitos e deveres na mesma medida que o homem e que tudo que nos faz diferente dos homens - e somos - mas isso não altera em nada a nossa dignidade ou as nossas capacidades. Tive a oportunidade de conhecer juízas e servidoras que exercem seu ofício com a mesma maestria que os homens. Da mesma forma, tive a oportunidade de trabalhar com juízes e colegas que tratam as mulheres com absoluto respeito e igualdade. Vejo mulheres construindo prédios, engenheiras e mestres de obras. Vejo médicas, mulheres dirigindo ônibus, lecionando. E também mulheres que decidiram não trabalhar fora para cuidar da família. São mulheres tomando decisões e exercendo suas capacidades e habilidades, sem limitações de ofício. Então por que não participar da administração de sua cidade, do seu estado e do seu país, se houver uma disposição pessoal para isso? Por que não participar de decisões políticas? Para isso, penso que, primeiro, há uma necessidade de mudança de pensamento em nós mesmas, no sentido que a política também pode ser um campo para atuação da mulher, quando vocacionada. É preciso buscar meios para que a participação da mulher na política se torne mais natural para todos, homens e mulheres.”

Marisol: “A mulher já está conciliando atividades profissionais e pessoais, e isso contribui significativamente para estabilidade do negócio. A mulher tem necessidade de estar atualizada e busca estar atenta aos movimentos. Nós já crescemos muito. A nossa participação na vida política é fundamental. Temos que entender que o papel social desempenhado por nós, mulheres, é fortíssimo. Na hora do voto, temos de eleger representantes com ética e responsabilidade. A nossa participação ainda é muito tímida junto aos cargos políticos, mas a tendência é crescer cada vez mais.”

Flora: “Primeiro, conscientizá-las de que política não é esta forma desacreditada que vemos na mídia e este estereótipo criado pelos corruptos. Política é uma ação muito mais ampla, e é necessário que as mulheres percebam que o papel delas nesta vida é muito mais do que o consumo do entretenimento e dos produtos midiáticos. As mulheres precisam ler, estudar, ter posturas. Para isso, precisam sair da frente da televisão, celular e outras plataformas ideológicas de interesses privados.”

O que é padrão de beleza e o quanto isso é importante pra você?

Ana Luisa: “Para mim, é imposição. Às vezes, não percebemos isso porque é algo que flutua e não é concreto, mas é incutido nas meninas pela mídia. Desde pequena, crescemos com a ideia de que é preciso ser branca, magra, de cabelo liso e usar roupa da moda. Muitas vezes, achamos que o padrão vai mostrar para o mundo o nosso valor. Muitas meninas adoecem por isso e têm transtornos alimentares. A minha mãe me dizia: ‘você tem que se arrumar’, como se ter um namorado fosse meta de vida. Sei que ela não dizia por mal. Se um dia eu tiver uma filha, não gostaria de fazer os mesmos comentários. Não me encaixo no padrão de beleza imposto pela sociedade e sinto até vergonha de como isso influenciou a minha vida.”

Paula: “Nós, mulheres, somos vaidosas, gostamos e queremos nos sentir bonitas. O problema é quando nosso referencial são os padrões de beleza impostos, quando nos dizem o que é bonito e o que não é, nos fazendo esquecer de quem nós somos. Faço muitas coisas que me fazem sentir bonita, como cuidar da minha alimentação, praticar atividades físicas, me vestir bem, um batom antes de sair. Mas tenho aprendido que o meu referencial de beleza deve ser sempre um olhar generoso comigo mesma. É assim que vivemos em paz quando não nos vemos retratadas nos modelos de beleza que predominam.”

Marisol: “Padrão de beleza para mim é ser e estar bem. Tenho um perfil um pouco conservador. Dificilmente, você vai me ver mudando o corte de cabelo. Se eu estou bem, se eu coloco uma roupa e me sinto bem, isso é o que importa. Padrão de beleza é se sentir bem e se sentir feliz. Quando você está assim, sua energia é positiva e mostra o quanto você está feliz. Isso torna a mulher mais bonita do que já é.”

Flora: “Na minha opinião, a beleza não tem que ter padrão. Ela vem do seu interior, do seu jeito de viver, de amar, da alegria e solidariedade que você transmite. Agora, é importante a mulher se amar e se cuidar. Não deixar que a tristeza ou o sol, por exemplo, a faça envelhecer antes do tempo.”