06/08/2018 08:07:30 Fibra Óptica se expande, fica mais barata e soluciona gargalos nas empresas

Fonte: Revista Mercado em Foco - ACIL - Por Marilaide Costa

A frase eternizada pelo comunicador Chacrinha, "Quem não se comunica, se trumbica", poderia muito bem ser atualizada hoje com "Quem não se conecta, se trumbica". O fato é que o homem virou refém das conexões de internet, tanto em sua vida pessoal como na profissional. Esta demanda se tornou estratégica para as famílias e os negócios. A qualidade e a velocidade do sinal viraram sonho de consumo da maioria das pessoas. É neste contexto que surge o atual protagonismo da banda larga transmitida por fibra óptica, tecnologia que permite altas velocidades de transmissão de imagens, dados e voz com estabilidade e sem interferências de intempéries e eventos eletromagnéticos.

O trabalho cada vez mais remoto, a automação residencial, industrial e comercial, os serviços de streaming de vídeo, música e jogos, as smart TVs, as redes sociais e as corporativas, os dados nas nuvens, as transações financeiras online e todo o tráfego como um todo não vai parar de crescer.

Antenadas com o mercado, as operadoras de telecomunicações estão investindo na rede de cabos ópticos - a tecnologia que promete uma conexão mais rápida do que as por fios de cobre (xDSL).

O aumento da demanda por esse serviço no Brasil vem derrubando os preços para a implantação do sistema de alta performance. Com isso, uma das poucas desvantagens dessa tecnologia, o custo, está acabando. A Associação Brasileira de Internet (Abranet) acredita que o custo da tecnologia já é comparável ao do cabeamento convencional.

De acordo com o engenheiro eletricista com ênfase em computação, Leandro Guerra, professor da Unopar, a fibra óptica é o futuro das telecomunicações e veio para substituir os cabos de cobre. "A passagem para fibra óptica será lenta no Brasil porque fica muito caro fazer as substituições das redes convencionais, mas aos poucos os cabos de cobre darão lugar às redes de fibra. Além dela ter uma alta taxa de transmissão de dados, uma grande vantagem é que não tem interferência eletromagnética, eliminando a chance de queimar equipamentos porque não há propagação da descarga elétrica de um raio neste tipo de rede", avalia Guerra.

Segundo a Abranet, trata-se de um cabo composto por filamentos, geralmente de vidro, revestido de um material isolante. Esses filamentos são ultrafinos, com diâmetro de alguns micrómetros, um pouco mais grosso que um fio de cabelo, mas que dão condições perfeitas de reflexão da luz. É a partir desta reflexão que os dados são transmitidos pelo cabo. A luz viaja através dos fios de forma contínua, podendo transmitir bilhões de bits de dados por segundo, ou até mesmo levar vários sinais. "O download de um arquivo de 80 Mega, em banda larga via ADSL 1 Mbps, demoraria cerca de 10 minutos, enquanto o mesmo arquivo via fibra óptica 100 MBps levaria um pouco mais de 6 segundos para ser baixado", compara o professor Guerra.

Além de ser muito utilizada nas telecomunicações, as fibras também são usadas em larga escala nas áreas médica (cirurgias e exames) e industrial (automatização).

"Hoje, é impossível trabalhar nas empresas com conexões de Internet que não sejam por fibra óptica. Isto porque precisamos de agilidade nos processos para cumprirmos os prazos, além do que a tendência é trabalharmos à distância. No meu caso que, por exemplo, atendo uma empresa com 45 unidades espalhadas pelo Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e a nossa comunicação com eles é toda pela Internet, é crucial termos uma banda larga eficiente", afirma o contabilista Lindomar Mota dos Santos

No mercado há 24 anos, Santos garante que a mudança da conexão xDSL para a fibra óptica, que fez em sua empresa há cerca de quatro anos, foi fundamental para agilizar os processos de trabalho. "Antes da transição, tínhamos muitos problemas porque a conexão caía ou ficava lenta. Muitas vezes estávamos no meio de um relatório, a Internet caía, e quando voltava tinha que reprocessar tudo de novo. Até que passamos para o Gpon da Sercomtel e nossa vida mudou da água para o vinho. Não temos mais dificuldade com conexão de Internet ou velocidade de processamento. Hoje, finalizamos nossos processos com mais tranquilidade e sobra de tempo. Um balanço, que antes entregava no dia 20 do mês seguinte, consigo entregar hoje no dia 10", detalha Santos, lembrando que também foi preciso investir em equipamentos compatíveis com essa tecnologia.

O gestor de Tecnologia da Informação e diretor da Paraná TI, Devair Eduardo Fonseca, lembra que apesar das operadoras disponibilizarem banda larga por fibra em velocidade entre 30 Mbps e 300 Mbps, os links de comunicação interna de empresas feitas com fibra óptica podem chegar a até 10 Gbps de transferência. "A fibra não tem limite de transferência. Somente os equipamentos usados no meio do caminho podem limitar sua velocidade", esclarece Fonseca.

A latência (tempo de resposta) da fibra óptica é quase nula porque é transmitida via feixe de luz. Mas o gestor de TI alerta que dependendo da qualidade dos equipamentos que a operadora tem na estrutura interna da empresa e ao longo do trajeto até chegar na casa do cliente, por não ser uma fibra dedicada, mas distribuída entre as residências, pode haver queda na latência também na fibra óptica.

Demanda crescente

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os acessos à Internet por fibra óptica vêm crescendo no Brasil nos últimos dois anos. De dezembro de 2015 para dezembro de 2017 os acessos por essa tecnologia pularam de 5,07% para 10,61% do total de acessos de banda larga fixa do País. Em Londrina, o crescimento foi mais tímido no mesmo período, passando de 2,41% para 3,12% (veja Infográfico).

Apesar da Anatel não acompanhar a quantidade de quilômetros de fibra óptica disponível no Brasil, a reportagem conseguiu apurar que, em Londrina, as duas principais operadoras que oferecem o serviço de banda larga por fibra óptica na cidade somam quase 25 mil Km. A planta óptica da Sercomtel Telecomunicações cresceu, de 2011 para 2017, cerca de 11 mil Km para 24 mil Km, acumulando aumento de 218% nos últimos nove anos em várias regiões. Já a Vivo, que lançou sua rede fibra óptica em Londrina em 2017, tem mais de 100 quilômetros de cabos que atendem os bairros Gleba Palhano, Jardim Esperança, Parque Universidade, Vivendas do Arvoredo e Leonor.

As duas empresas planejam expansão da rede de fibra óptica em Londrina. A Vivo deve ampliar de cerca de 16,5 mil para 30,1 mil acessos, implantando mais 60 quilômetros de cabo de fibra óptica. Esta expansão permitirá a cobertura total do bairro Gleba Palhano, chegando também aos bairros de Jardim Guanabara, Bela Suíça e Vale dos Tucanos. De acordo com o diretor de Engenharia e Operações da Sercomtel Comunicações, Flávio Borsato, a empresa de telefonia está ampliando sua malha de fibra óptica em condomínios. "Estamos colocando as fibras de modo agressivo com o apoio de consultores, que estão trabalhando nos residenciais, fazendo um trabalho de convencimento para a migração da fibra óptica. A capitalização da empresa é muito importante para nos dar condições de competitividade nesse mercado. Precisamos de, no mínimo, R$ 50 milhões para investir em dois anos para poder acelerar o processo de implementação dessa solução tecnológica, de modo não só de reter nossos clientes, mas aumentar nosso faturamento na busca de mais contratos. Um de nossos diferenciais hoje são os planos simétricos, que tem a mesma velocidade para downloads e uploads, serviço que somente a Sercomtel e a Copel disponibilizam", avalia Borsato.

Segundo dados da Anatel, de março de 2017 a março de 2018, os provedores regionais foram responsáveis por 70% do aumento da banda larga fixa no País, saíram de 3.303.182 de contratos para 4.997.497 (+51,29%). Além deles, a Sercomtel teve o maior crescimento percentual, mais 92.876 contratos (+55,23%). Em segundo lugar ficou a TIM, mais 88.421 contratos (+25,85%). A Oi apresentou queda de 190.870 contratos (-2,97%).

A Sercomtel, com mais 14.791 contratos ativos (+6,01%), foi o grupo com o maior crescimento percentual em março de 2018 comparado a fevereiro. Nesse período, os provedores regionais tiveram aumento de 166.438 contratos (+3,45%).

Em março de 2018, a tecnologia mais utilizada para banda larga fixa foi a xDSL (13.015.355 contratos), cable modem (9.151.089 contratos) e fibra óptica (3.533.357 contratos).


Acessos do serviço de banda larga fixa no Brasil e Londrina
 

Brasil                                          Dezembro/2015                     Dezembro/2016                   Dezembro/2017

Acessos Totais                               25.490.353                              26.760.808                            28.804.315

Acessos Fibra Óptica                      1.293.290                                1.735.949                              3.055.332

% de acessos Fibra Óptica                 5,07%                                      6,49%                                   10,61%

 

Londrina

Acessos Totais                                   157.040                                       164.666                              173.293

Acessos Fibra Óptica                           3.780                                           3.054                                   5.415

% de acessos Fibra Óptica                   2,41%                                         1,85%                                  3,12%

 


Crescimento da planta óptica nos últimos 9 anos da Sercomtel. Os valores no eixo Y são relativos.