07/12/2018 08:24:51 Grupo propõe aporte de R$ 120 mi na Sercomtel

Fonte: Folha de Londrina

O grupo de investidores 10 de Dezembro protocolou nesta quinta-feira (6) uma proposta de aporte de R$ 120 milhões na Sercomtel como expansão de capital, isso é, sem adquirir as ações já existentes. Se os atuais sócios aceitarem o investimento e não o acompanharem, perdem o controle acionário e a telefônica passa a ser uma companhia privada. Hoje, a empresa pertence ao Município de Londrina (55%) e à Copel (45%). 

A proposta foi direcionada ao Conselho de Administração da operadora e, caso aprovado com as condições exigidas pelo grupo, os sócios terão 30 dias para decidir se colocam novos recursos na empresa. 

O diretor da 10 de Dezembro e gerente e sócio da butique de investimentos em private equity TGX Capital, Marcelo Kneese, afirma que o grupo, que comprou de ex-diretores da Sercomtel 20 ações com direito a voto, ou 0,0001% do total, tem o direito de fazer a proposta de aporte de capital. Ele considera a proposta como a única solução para a Sercomtel escapar do processo de caducidade da concessão de telefonia fixa imposto pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), aberto diante da preocupação com as dívidas da empresa. 

Anunciado como futuro presidente da Sercomtel, Claudio Tedeschi afirma que recebeu a proposta e que se trata de uma boa notícia, que não pode ser encarada como a única solução para os problemas da empresa. "Significa que existe interessados que veem o potencial que a Sercomtel tem", diz. 

Nas auditorias feitas na Sercomtel a pedido da 10 de Dezembro, Kneese diz que foi identificada a possibilidade de ela crescer "dois dígitos altos" nos próximos anos, a partir do aporte e da mudança da empresa para sociedade anônima privada. Além de restrições que o Poder Público tem, como a necessidade de licitações para contratação de serviços, por exemplo, diz que a telefônica hoje não pode tomar crédito no mercado como as concorrentes fazem. "A dívida líquida da Sercomtel é baixa, de R$ 9 milhões, mas a Prefeitura não pode dar garantias para fazer um empréstimo." 

Normalmente, fundos de private equity investem em empresas que consideram ter condição de crescer, com planejamento de longo prazo, para depois vender as ações e pagar dividendos aos investidores anônimos. Segundo Kneese, a vantagem seria garantir que a empresa fique em Londrina e sejam mantidos os empregos. 

DIFICULDADES 

O último balanço publicado no site da Sercomtel, referente a 2017, aponta passivos de R$ 230,1 milhões em curto e médio prazos, valor que pode aumentar diante da soma de processos judiciais ainda em andamento. A maior parte, porém, é em impostos e em ações judiciais. A receita bruta da Sercomtel foi de R$ 285,6 milhões em 2017. 

O prefeito Marcelo Belinati defende que a solução é um aporte de R$ 100 milhões pela Copel, por meio de nova infraestrutura, para garantir a viabilidade da telefônica. "Nosso objetivo é suspender o processo de caducidade, sanear as finanças da empresa que hoje já dá lucro, manter a empresa como grande catalisadora de desenvolvimento regional de Londrina, preservar os empregos dos funcionários, ampliar a participação da Sercomtel no ecossistema de inovação e tornar a empresa cada vez mais competitiva e eficiente", diz. 

Contudo, o Conselho de Administração da Copel já registrou a proibição, em ata, para novos investimentos na empresa londrinense, conforme publicado anteriormente pela FOLHA. 

Para Kneese, o preço de mercado da Sercomtel chega a ser negativo em "centenas de milhões de reais", por conta das dívidas. Isso por considerar que o valor total de ativos e carteira de clientes gire em torno de R$ 120 milhões a 150 milhões, mas a dívida total é estimada em mais de R$ 600 milhões. "Pela generosidade da nossa proposta, duvidamos que algum dos sócios acompanhe o aporte", diz.