11/08/2014 00:00:00 Em carta, guardas municipais pedem mais veículos, armas e transparência

Fonte: JL

As reivindicações dos guardas municipais de Londrina, que levaram os servidores a realizar um protesto pacífico na prefeitura no último dia 31, foram apresentadas formalmente em carta protocolada no gabinete do prefeito Alexandre Kireeff e na Secretaria de Defesa Social na última sexta-feira. O documento estabelece prazo de 30 dias para que a administração apresente respostas.

Dentre as reclamações e sugestões em curto prazo, os guardas pedem mais transparência nas decisões do comando. “Saiu na mídia que queríamos a saída do secretário Rubens Guimarães. Não é isso. É que existe uma grave falha de comunicação por parte do comando. A gente vem trabalhando no escuro”, afirmou o guarda Ricardo Alexandre Brun, membro da comissão criada para as negociações.

Uma das questões sobre a qual os guardas querem ter mais informações é o armamento da Guarda Municipal. Os servidores querem acompanhar o processo e os prazos para a realização do curso de tiro, que vem se estendendo há anos. “O secretário tem vasta experiência na PM, na área de curso de tiro. Ele sabe que procedimento deve ser adotado. Por que não adota?”, questiona Brun.

Além disso, os guardas esperam pelo treinamento de armas menos letais, as armas de choque modelo Spark, que já são utilizadas por alguns deles. Segundo a carta, a secretaria recebeu um novo lote dessas armas e tem um guarda já capacitado e autorizado a oferecer o curso aos demais.

As condições de trabalho aparecem em vários pontos da carta protocolada no gabinete do prefeito Alexandre Kireeff e na Secretaria de Defesa Social. A manutenção e aquisição de viaturas, equipamentos e outros materiais de trabalho está entre elas. “Nossas viaturas têm quatro anos de uso. Parece pouco, mas elas rodam quatro vezes mais o que um carro particular. Na verdade, é como se tivessem 20 anos de uso, sem manutenção”. Além disso, Brun lembra que há motos novas recebidas pela Guarda e que nunca foram colocadas em serviço. “Estão paradas há seis meses.”

Os guardas reclamam ainda dos baixos salários, da falta de plano de carreira, cargos e salários (PSSC) e da insalubridade. “Trabalhamos 12 horas em pontos que não têm banheiro, nem água.”

Resposta

Apesar de ainda não ter recebido o documento apresentado pelos guardas, o prefeito Alexandre Kireeff disse ter discutido boa parte das reivindicações. Sobre o porte de arma, por exemplo, Kireeff afirmou ter três alternativas em andamento, já que o convênio que chegou a ser assinado para que instrutores da Polícia Civil dessem o curso enfrentou parecer contrário da Procuradoria Geral do Estado. “Podemos fazer com a Polícia Militar, a Polícia Federal ou a Guarda Municipal de Caxias do Sul, que tem autorização para ministrar o curso de tiro.”

A manutenção de viaturas e equipamentos da Guarda Municipal está sendo, segundo Kireeff, alvo de uma ação especial da Secretaria de Gestão Pública, que deve priorizar os equipamentos da Defesa Social. “Pedi que a Gestão atendesse a manutenção de forma dissociada das demais manutenções da prefeitura.”

Sobre as motos paradas, Kireeff explicou que elas são destinadas ao Consórcio Intermunicipal de Segurança Pública e Cidadania (Cismel) e, por isso, Londrina precisa de uma autorização para utilizá-las. Kireeff informou ainda que o PCCS da Guarda já está aguardando votação na Câmara dos Vereadores.