06/11/2014 00:00:00 Na contramão do Paraná, inadimplência cai 12% em Londrina

Fonte: JL

A inadimplência entre os londrinenses caiu 12,9% nos primeiros nove meses deste ano em relação ao mesmo período de 2013. Em contrapartida, houve redução de 17,5% na quantidade de pessoas que conseguiu limpar o próprio nome. Os dados foram levantados e divulgados pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).

O cenário local vai na contramão do Paraná, da região Sul e até do Brasil. De acordo com a Associação Comercial do Paraná (ACP), a inadimplência registrou crescimento, nessas três áreas de abrangência e no mesmo período, de 6,6%, 7,5% e 2,4%, respectivamente.

Para o economista Flávio Calife, da Boa Vista SCPC, que fez a pesquisa para a ACP, o crescimento da inadimplência reflete o aumento da movimentação de crédito. “Uma maior tomada de crédito pode resultar em maior inadimplência no futuro.”

O comportamento inverso em Londrina, na avaliação do economista da Acil, Marcos Rambalducci, indica que o consumidor está mais atento no momento de assumir compromissos que impliquem no comprometimento da própria renda. “[Além disso] Não vivemos um momento de elevação na taxa de desemprego, fator que prepondera quando a questão é o pagamento dos compromissos financeiros.”

Se por um lado tem menos londrinenses se tornando inadimplentes, por outro há um menor número de pessoas que consegue pagar as dívidas e recuperar o crédito. “Uma explicação para isso talvez seja encontrada na exacerbada facilidade de crédito e na massiva propaganda na mídia ocorrida meses atrás, provocando o consumidor a aproveitar a redução de IPI em automóveis e linha branca e levando-o a um comprometimento da renda acima de sua capacidade financeira “, diz Rambalducci.

Recomendação

O coordenador da Comissão de Direitos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Londrina, Pedro Garcia Lopes, afirma que o recomendado é não ter mais do que 30% da renda mensal comprometida com parcelamentos de compras. No entanto, ele alerta que isso depende muito dos custos do dia a dia de cada um. Para alguns, por exemplo, esse porcentual pode ser de apenas 5%.

Rambalducci avalia que a redução na inadimplência mostra que o consumidor começou a ter consciência financeira e a administrar o próprio salário, embora pesquisas mostrem que as famílias ainda se encontram com elevado comprometimento da renda. “Mas isso é um processo educacional e, como tal, levará algum tempo para que seja assimilado pelo consumidor.”

Para aqueles que estão com restrição de crédito, o economista diz que o primeiro passo é identificar, com toda a frieza possível, qual o tamanho da dívida. O segundo passo é procurar a loja ou o banco em que está a dívida e negociar uma forma de pagamento que esteja dentro das próprias condições, não esquecendo de insistir na eliminação ou na redução de juros e multas. “É importante lembrar que todo o sistema se beneficia quando um consumidor volta à condição de comprador em potencial”, diz Rambalducci.

Projeto que ajuda endividados

Embora Londrina, de acordo com a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), apresente uma queda no número de registros de inadimplência, o endividamento continua sendo problema bastante comum.

Para ajudar as pessoas a saírem desta condição, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) desenvolve o projeto Super Endividados em alguns municípios. Em Londrina, ocorreu, pela primeira vez, no mês passado, sob a coordenação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de outras entidades e instituições de ensino. 

O projeto consiste na realização de audiências nas quais credores e devedores tentam chegar a um acordo. Participaram cem pessoas com dívidas entre R$ 200 e R$ 80 mil.

O coordenador do projeto pela OAB, advogado Pedro Garcia Lopes, explica que, nessa primeira experiência, a maioria dos comparecimentos foi apenas dos devedores, com pouca adesão dos credores. “Aproveitamos para atualizar, com os devedores, os dados dos credores e vamos entrar em contato para tentar uma nova audiência”, explica. 

Garcia Lopes diz que um dado positivo foi o comparecimento de alguns bancos que abriram possibilidades de negociação. O processo foi iniciado com a disponibilização de formulários para a população preencher com dados sobre as dívidas e os credores. Em seguida, os devedores participaram de uma palestra sobre finanças. 

“Este é um pré-requisito importante para o passo seguinte, que foram as audiências para acordos. Nestas palestras, as pessoas recebem orientações para que não entrem em novas dívidas”, destaca Garcia Lopes.

Entre as orientações estão os cuidados com o acúmulo de compras feitas para iniciar o pagamento dali a alguns meses e com o anúncio de parcelas em juros. No primeiro caso, a advogado afirma que o consumidor se ilude porque não está pagando nada no momento. "Mas posteriormente terá de pagar e será que vai conseguir pagar todas as compras?" Já no segundo caso, normalmente os juros estão embutidos no valor do produto.