27/08/2014 00:00:00 Índice de demissão voluntária recua no PR

Fonte: Gazeta do Povo

Depois de bater recorde, o porcentual de trabalhadores que pede para sair da empresa – por não estar satisfeito ou por ter encontrado uma oportunidade melhor – vem diminuindo. Pesquisa da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), que será divulgada em setembro, revela uma queda de 16,3% para 14,8% no índice de demissão voluntária no Paraná entre 2012 e 2013. Segundo o estudo da ABRH, que ouviu 209 empresas, a rotatividade geral – que inclui o movimento de admissões e demissões durante um ano – ficou em 41,4% em 2013, porcentual muito próximo do registrado no ano anterior, mas abaixo do recorde de 2011, de 49,1%.

Tradicionalmente, quando a economia cresce, as empresas tendem a demitir menos. Os empregados, por sua vez, trocam mais facilmente de emprego porque a oferta de vagas é maior. Já quando a economia está mais fraca, a tendência é que o funcionário tenha menos confiança em pedir demissão e as companhias tenham menos capacidade financeira para apresentar ofertas a fim de atrair empregados de outras empresas. Com isso, a rotatividade voluntária cai. “Essa mudança que estamos vendo pode ser reflexo de um mercado de trabalho menos aquecido”, diz Dórian Bachmann, sócio e diretor da Bachmann Associados, que elaborou o levantamento para a ABRH.

Ritmo lento

Embora a taxa de desemprego ainda esteja baixa – em torno de 5% –, o ritmo de geração de novas vagas de trabalho vem caindo. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, o Brasil criou 632.244 novos postos de trabalho até julho – 30,3% a menos do que nos sete primeiros meses de 2013 (907,2 mil). Foi o pior saldo desde 2009. O porcentual de demissões voluntárias sobre o total de desligamentos caiu em todo o país. Em julho deste ano estava em 27,4%, contra 29% no ano anterior e 30% em 2012.

Na média, a rotatividade perdeu fôlego pela combinação de um cenário pior de emprego e pelo aumento de políticas de retenção por parte das empresas, diz a professora da escola de negócios da PUC-PR Daniella Forster. Segundo ela, as empresas passaram, nos últimos anos, a oferecer planos de carreira e maior mobilidade dos funcionários dentro das próprias corporações.

Com a economia mais fraca, também houve redução do número de empresas dispostas a elevar os salários dos empregados. Para Márcia Cassitas Hino, professora de gestão de conhecimento e plano de negócios do ISAE/FGV, a política salarial é importante, mas não é o único fator que determina a permanência do profissional. “A perspectiva de crescimento da carreira é importante. Além disso, as empresas que viram seus funcionários migrarem para a concorrência nos últimos anos se estruturaram mais para segurar seus talentos”, diz.

Percentual aceitável de pedidos de demissão varia de 10% a 15%

Mesmo com a queda recente, a rotatividade no emprego se mantém em nível elevado. O índice de troca de empregados no Brasil é o dobro de países como Estados Unidos e Reino Unido. Um porcentual considerado saudável varia de 10% a 15%. Acima desses patamares, a rotatividade implica mais gastos com treinamento e capacitação para as empresas. “Em média, treinar um novo funcionário significa um investimento equivalente a uma vez e meia o salário anual do empregado”, acrescenta Dórian Bachmann, sócio e diretor da Bachmann Associados, consultoria especializada no setor.

Os setores de alimentos e bebidas e do comércio varejista apresentaram as maiores taxas de rotatividade – 68% e 61%, respectivamente, no ano passado. Setores que atraem o público que está em busca do primeiro emprego, como supermercados, lojas e restaurantes, em geral são os campeões de rotatividade. Quando ganham experiência, esses funcionários buscam rapidamente outras oportunidades.

Dono dos restaurantes Cantina do Délio, Bella Banoffi e Cana Benta, Délio Canabrava calcula que gasta pelo menos R$ 10 mil por mês somente com o treinamento de novos funcionários. Por mês, 10% das vagas precisam ser novamente preenchidas nos restaurantes dele. “No ano passado, o índice estava em 15%. Diminuiu um pouco, mas ainda é um problema. O nosso sucesso depende do bom atendimento ao cliente e é difícil manter o padrão de qualidade”, diz.