16/06/2016 00:00:00 Contra a crise, inovação

Fonte: Folha de Londrina

O setor de eventos precisa se reinventar e trazer novidades para contornar a crise econômica que afeta o País. Essa foi a mensagem da presidente da rede Blue Tree Towers, Chieko Aoki, a expositores e convidados do pré-lançamento da 13ª edição do Noivas Fair, que ocorre entre 1º e 3 de julho. A presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) no Paraná, Cibele Carvalho, diz que o trabalho da entidade para fortalecer o segmento, que sente retração no número de eventos e de participantes, é capacitar todos os setores envolvidos, como o hoteleiro e de alimentação. 

O último levantamento nacional da Abeoc data de 2013, quando houve em torno de 560 mil eventos promovidos no país, com movimentação de R$ 209 bilhões e um crescimento de cerca de 14% ao ano. "Mas sabemos que vai cair esse percentual", pondera a presidente nacional da entidade, Ana Cláudia Bittencourt, que diz que a Abeoc planeja uma nova edição do levantamento. 

A presidente da regional paranaense, Cibele Carvalho, afirma que no ano passado mais de 200 eventos técnicos e científicos foram realizados em Curitiba, movimentando cerca de R$ 447 milhões. O crescimento foi de 21% em relação ao ano anterior, mas não chega à marca obtida em 2013, de R$ 1 bilhão movimentado. A entidade não tem os números totais do Paraná consolidados. 

O setor, entretanto, não passa ao largo da crise: tanto os eventos diminuíram em número quanto os visitantes caíram entre 30% e 40%, afirma Cibele. Para alavancar o segmento, a Abeoc do Paraná aposta no Selo de Qualidade do Turismo, criado pelo Sebrae e que poderá ser concedido, a partir deste ano, para eventos corporativos. 
Além disso, há o trabalho dos conventions bureaus na captação de eventos - "eles são muito bons para vender suas cidades", diz Cibele – e na capacitação, em parceria com o Sebrae, de toda a cadeia envolvida, como os setores de transporte, hoteleiro e alimentício."Tudo precisa estar alinhado em termos de qualidade", diz. 

Dar as caras

Reconhecida pelo talento e pelo espírito inovador, Chieko Aoki diz que o enfrentamento de um período de crise se faz com inovação e com união. "Não pode recuar no negócio por que não tem dinheiro. Muita gente já passou por crise. O importante é estar presente, participar, dar as caras e, mesmo que isso tenha um custo, você se reinventa", afirma a presidente da rede hoteleira. 

A organizadora da Noivas Fair, Mity Shiroma, considera que oferecer inovações é essencial para manter o evento em evidência. "A primeira coisa que o visitante procura é a novidade, então, os expositores são orientados a mostrar algo a mais em relação ao ano anterior", conta. 

Ela ressalta, também, que os noivos estão sempre antenados nas novidades e querem fazer algo diferente do último casamento que participaram, o que exige preparo dos expositores. Por último, quem se propõe a estar presente precisa oferecer alguma vantagem aos visitantes, como descontos, prazos maiores ou brindes para negócios fechados na feira. 

Sem dados

O turismo de eventos e de negócios é considerado forte em Londrina, mas não há um estudo sobre a movimentação financeira gerada. O Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) tem o levantamento de eventos com base na emissão de alvarás pela Secretaria Municipal da Fazenda, que registra curva ascendente: foram 191 em 2013; 198 em 2014; 226 em 2015; e 72 até junho deste ano. O presidente do Londrina Convention Bureau, Arnaldo Falanca, afirma que a entidade tem planos de criar um observatório de eventos.