23/09/2015 00:00:00 Viagem de graça pelo coração de Londrina

Fonte: Paulo Briguet - Revista Mercado em Foco - ACIL

Pouca gente sabe que o nome dessa ruazinha situada entre a Catedral de Londrina e a Praça da Bandeira, no coração da cidade, é Travessa Padre Eugênio Herter, em homenagem ao pároco da antiga Igreja Matriz nos anos 30. Ali eu espero o ônibus da linha Centro Livre 001. A linha com tarifa zero foi criada pela CMTU no mês de julho e percorre 14 pontos nas ruas centrais da cidade. O objetivo da linha gratuita é fomentar o comércio londrinense, facilitando o transporte de consumidores e lojistas.

São 11 horas da manhã. O céu está mais azul que a camisa do Tubarão. Espero sozinho no ponto. Passam alguns minutos e finalmente chega o 001. O motorista, muito simpático, informa que a linha é gratuita, mas dentro de alguns dias será necessário ter um cartão transporte magnético para utilizá-la, mesmo sem pagar nada. A CMTU diz que o uso de cartão é necessário para controlar o fluxo de passageiros. E lá vamos nós.

Nós somos apenas eu e o motorista, que tem nome de cineasta, Glauber. Até pouco tempo atrás, Glauber Oliveira de Assis era cobrador, mas teve a chance de tornar-se motorista após realizar um curso de capacitação na empresa de ônibus. A Centro Livre 001 é sua primeira linha. Ele está contente em dirigir pelas ruas históricas do quadrilátero central. “Já identifiquei alguns passageiros fiéis”, diz o condutor.

A auxiliar de enfermagem aposentada Euza da Silva, moradora do Jardim Catuaí (zona norte) utilizou pela primeira vez a linha Centro Livre para ir a uma consulta médica. Euza aprovou a criação da linha, mas sugere que o itinerário seja estendido até a Avenida Bandeirantes, para que o ônibus gratuito possa ser utilizado por pessoas que frequentam a região das clínicas médicas. “Fiquei sabendo deste ônibus pelo jornal. É uma ótima novidade, mas acho que deveria ter um itinerário maior, e com mais carros, para a espera ficar menor.” Ela também sugere que a CMTU faça maior divulgação da nova linha.

O ônibus 001 desce a Alameda Miguel Blasi, passando pela frente do tradicional Hotel Bourbon, pega a Rua Pio XII e vira à esquerda na Pernambuco, na esquina do Colégio Hugo Simas. No ponto daquele quarteirão, em frente ao Colégio de Aplicação, uma passageira faz o sinal e o ônibus para. É a aposentada Helena Ueda, que está andando pela terceira vez de Centro Livre. “Moro na Piauí. Meu marido e meus filhos têm uma loja que vende relógios de ponto eletrônico na Sergipe”, conta Helena, enquanto passamos em frente à antiga mansão de Celso Garcia Cid – hoje uma agência bancária – e à caixa d’água da Higienópolis. Glauber conduz o ônibus pela Rua Paraíba e vira à direita na Benjamin Constant. Passamos em dois pontos, mas ninguém entra no ônibus. Somos só eu, dona Helena e o Glauber.

Na Praça Rocha Pombo, em frente ao Museu Histórico, Glauber estaciona o ônibus para uma pausa regulamentar de cinco minutos. É a regra. De onde estamos é possível ver o Museu de Arte e o Museu Histórico – a antiga ferroviária e a antiga rodoviária. De repente, tenho um estalo: “Dona Helena, qual é o nome do seu marido?” “É Tetsuo Ueda.” Ele é o relojoeiro que cuida do Relojão, um dos símbolos da cidade, também visível do local em que estamos. Glauber dá a partida e continua a pequena viagem pelo coração de Londrina. Passamos pela Supercreche, pelo PAI, viramos na Avenida Duque de Caxias, antiga Rua Heimtal, e depois pegamos a Sergipe, onde há o colorido e a alegria das pequenas lojas, do comércio popular, da famosa vitamina. Algumas pessoas fazem sinal para o motorista e perguntam qual é o itinerário do ônibus. Mas ninguém sobe. Será que as pessoas ainda não se acostumaram ou não acreditam que é mesmo de graça?

Dona Helena, antes de descer no seu ponto, diz que muitas pessoas já estão falando sobre a linha Centro Livre, mas ainda falta divulgação. “É uma opção boa para ajudar o comércio”, diz a aposentada, que por muitos anos trabalhou com relojoaria. O ônibus vira na Minas Gerais e passa entre duas estátuas: a do prefeito Willie Davids e a do Mercúrio, símbolo do comércio e da ACIL. Depois, vemos os edifícios Oscar Fuganti e Júlio Fuganti, a Concha Acústica e o Centro Comercial, viramos na Pará e encontramos o Colégio Mãe de Deus e o Bosque ­– dois pontos tradicionais da paisagem e da história londrinense. Na Rua João Cândido, uma senhora faz o sinal na frente da Sercomtel. Depois de subir margeando a Praça Sete de Setembro, viramos na Miguel Blasi e voltamos ao ponto de partida. Talvez seja coincidência, talvez seja providência, mas o fato é que o endereço da Catedral de Londrina é Travessa Padre Eugênio Herter, 33 – o nome de um padre e a idade de Cristo.

Desço do ônibus com a sensação de que os londrinenses ainda precisam conhecer melhor esse presente que é poder passear de graça pelo coração de nossa cidade. Se você quer fazer compras ou simplesmente passear pelo Centro, é fácil. Não custa nada.


Serviço – A linha de ônibus Centro Livre 001 funciona das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira e nos dois primeiros sábados do mês. Nos demais sábados, funciona até às 13 horas.

ITINERÁRIO:

Catedral
Miguel Blasi
Pio XII
Pernambuco
Pará
Higienópolis
Benjamin Constant
Duque de Caxias
Sergipe
Minas Gerais
Souza Naves
Pará
João Cândido
Miguel Blasi
Catedral


Foto: Jornal de Londrina