27/11/2014 00:00:00 Londrina vai simplificar projeto do BRT

Fonte: JL

A Prefeitura de Londrina decidiu repensar e simplificar o projeto do novo sistema de transporte urbano. No início do ano passado, a gestão de Alexandre Kireeff (PSD) optou pelo modelo BRT (Bus Rapid Transit ou Transporte Rápido por Ônibus), que consiste em canaletas exclusivas para os coletivos de norte a sul e de leste a oeste na cidade. O projeto elaborado, que deveria ser executado até 2018, conseguiu garantir R$ 120 milhões em recursos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.

A preocupação de conciliar maior eficiência e abrangência, sem onerar a tarifa do transporte coletivo, levou o Município a solicitar assessoria da Embarq Brasil, uma ONG especializada em desenvolvimento urbano e mobilidade, com presença em cinco países. A Embarq Brasil atua, sem cobrar nada, no auxílio a cidades de médio porte para aperfeiçoar projetos do PAC e dar suporte à elaboração de Planos de Mobilidade Urbana sustentáveis. A ONG disse ter auxiliado Pelotas (RS), Macapá (AP), Juiz de Fora (MG), São José dos Campos (SP) e Joinville (SC).

Kireeff e o presidente da Embarq Brasil, Luiz Antonio Lindau, assinaram um termo de cooperação ontem pela manhã no Clube de Engenharia. Na sequência, técnicos da Prefeitura e da ONG iniciaram um estudo prévio, de dois dias, sobre os projetos já existentes, além de troca de informações. O trabalho envolve também outros interessados, como as empresas que ofertam o serviço de transporte coletivo, e continuará por mais duas semanas, culminando na definição do modelo que será aplicado em Londrina.

“SuperBus”

Apesar de o grupo estudar outros modelos já existentes, Kireeff negou que o Município esteja desistindo do BRT. “Não existe essa mudança de modelagem. As soluções serão colocadas na mesa. Estamos construindo o SuperBus, um modelo londrinense de mobilidade urbana. Com transporte rápido, embarque rápido, integração das regiões e com outros modais de transporte, mas com a preocupação de garantir a sustentabilidade financeira do sistema, sem onerar o usuário. Vamos tornar a cidade contemporânea no quesito mobilidade.”

A sustentabilidade financeira e uma tarifa barata é a maior preocupação do Executivo. O assessor técnico executivo, Carlos Alberto Geirinhas, disse que o investimento vai ser realizado e depois o sistema vai ter de ser pago por alguém. “Quem paga o sistema é a tarifa. Não adianta colocar um sistema que encareça demais. Essa é a grande preocupação, resolver os problemas de mobilidade dentro de Londrina com o projeto mais adequado”, disse.

Geirinhas explicou que há várias opções, mas foi necessário buscar assessoria especializada. “Não temos a competência, a expertise para isso. Não gostaríamos de errar. Esse é um tema que poucas pessoas em Londrina podem avalizar. Estamos com a ideia do SuperBus. No BRT sabemos que existem vários níveis. Vamos buscar quem efetivamente entende do tema, que é a Embarq Brasil.” O assessor técnico informou que as licitações e os procedimentos em curso no âmbito do Executivo foram suspensos até que se defina a nova metodologia.

Primeira licitação do BRT fracassou

Antes do anúncio de revisão da proposta do BRT (Bus Rapid Transit), a Prefeitura chegou a licitar a elaboração dos projetos das estações. O certame foi realizado em outubro, mas nenhuma empresa participou. O preço máximo estipulado pelo edital era de R$ 195,4 mil.

“Se houver uma republicação sem novos interessados, a Prefeitura poderá indicar uma empresa para fazer o serviço”, disse na oportunidade o secretário municipal de Gestão Pública, Rogério Carlos Dias. Ele não soube explicar o motivo da falta de interessados na concorrência.

O projeto original do BRT prevê a construção de 23 estações, além dos terminais já existentes, para interligar a cidade. Serão dois corredores ligando a cidade nos sentidos leste-oeste e norte-sul, com um terminal central, no qual as duas linhas se encontram. Parte do projeto original deve ser mantido, segundo o assessor técnico executivo, Carlos Alberto Geirinhas.

Equilíbrio financeiro do sistema

O presidente da Embarq Brasil, Luiz Antonio Lindau, disse que a preocupação inicial de Londrina com o equilíbrio financeiro do sistema é muito importante. “É melhor pensar nisso agora para não ter problemas lá na frente. É importante que o sistema seja autofinanciado. É melhor isso do que se apaixonar por um projeto, por uma tecnologia. A gente vê isso no Brasil. As cidades se apaixonam por monotrilhos, se apaixonam por metrô, por um sistema leve sobre trilhos e depois o sistema não fica de pé. É importante pensar na sustentabilidade do sistema e de onde virá o recurso.” 

De acordo com ele, o País ficou décadas sem investimento na infraestrutura e na mobilidade das cidades e, agora, as oportunidades estão surgindo. “Nossos objetivos são discutir os problemas e contribuir no aprimoramento do projeto e na busca de soluções.”

Perguntado pelo JL sobre uma solução mais ampla para toda a Grande Londrina, Lindau disse que a quebra do poder metropolitano pela Constituição de 1988 é um problema. “A solução metropolitana é mais eficiente. Infelizmente, a Constituição quebrou essa ideia de que teria de haver o poder metropolitano. Isto foi, digamos, um ônus que a gente teve e fragmentou essa questão das cidades. É um legado que temos agora, essa desestruturação metropolitana.”

Cidades elaboram Plano de Mobilidade

Prefeituras que assinaram convênio com a ONG Embarq Brasil para tratar de transporte coletivo elaboram Planos de Mobilidade Urbana para definir se optam ou não pelo BRT (Bus Rapid Transit). 

Juiz de Fora (MG) é uma delas, de acordo entrevista do secretário de Transporte Rodrigo Tortoriello publicada no site da ONG. Em Joinville (SC), a Prefeitura pretende encaminhar o plano para a Câmara Municipal no começo do ano que vem. “Estamos fazendo junto com a Embarq tanto o Plano de Mobilidade quanto os projetos viários”, explicou o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Joinville (Ippuj), Vladimir Tavares Constante.

A lei federal 12.587/2012 obriga as cidades com mais de 20 mil habitantes a terem Planos de Mobilidade até 2015. Ter o plano é condição para obter recursos federais. Isto não significa que cidades como Londrina, que ainda não têm o plano, corram o risco de perder recursos já obtidos, como aqueles destinados ao BRT. 

O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) disse que Londrina já tinha informações e, por isso, conseguiu estabelecer o traçado e o formato do BRT antes mesmo de ter o Plano de Mobilidade. “Temos trabalhos e informações suficientes para, eventualmente, até fazer o Plano de Mobilidade Urbana”, garantiu. 

Segundo Kireeff, o plano não é pré-requisito para que as cidades optem ou não pelo BRT.