21/09/2015 00:00:00 Varejo: É preciso inovar

Fonte: Juliana Benetti - Revista Mercado em Foco - ACIL

Empreender em tempos de crise econômica pode ser um grande desafio. Mas é justamente nos momentos mais difíceis que as oportunidades aparecem. A urgência em solucionar problemas vem acompanhada da necessidade de encontrar alternativas para superar obstáculos e ganhar destaque no mercado. Por isso, a palavra inovação está cada vez mais presente no vocabulário dos lojistas e prestadores de serviço. Para a consultora de mercado Regina Nakayama, inovação é encontrar uma nova forma de executar atividades, gerando um resultado melhor do que o existente.


Essa nova forma não precisa ser nada de extraordinário ou moderno, mas é essencial para se manter no mercado independentemente do cenário econômico, explica a consultora do Sebrae Leda Terabe. "É necessário estar sempre acompanhando as tendências do varejo para criar novas formas de gerir o negócio", afirma.


Faro para os negócios

Para buscar a inovação, é fundamental para o empresário entender o novo comportamento do consumidor. Com a internet, as relações de consumo ganharam novas nuances. Se antes o cliente tinha poucas opções de pesquisa e uma pequena variedade de produtos à disposição, hoje ele possui todas as informações que precisa à distância de um clique. Além disso, ele tem mais segurança, já que pode recorrer ao código de defesa do consumidor e publicar reclamações em sites especializados ou nas redes sociais. Esses recursos deixaram o cliente cada vez mais exigente e a reputação das empresas mais vulnerável. A solução é tentar criar uma experiência de compra, provocando, por exemplo, os cinco sentidos do cliente. “Como exemplo de olfato, temos lojas que criam o próprio aroma, o visual é a própria arrumação do espaço, o paladar pode ser um café de qualidade, o som ambiente, tudo isso influencia”, explica Regina.


Antes de começar a pensar em maneiras de inovar, para garantir o bom funcionamento do negócio, Regina alerta que é preciso ao menos ter o básico. “A tarefa de casa no varejo é aquilo que é inerente ao negócio: saber o que vende, ter pessoas qualificadas para prestar o atendimento, conhecer o cliente, fortalecer a marca, fazer divulgação e ter ótimos fornecedores”.


Serviço de qualidade

O barbeiro Carlos Babugia é dono do próprio negócio e acredita que a melhor forma de fidelizar o cliente é investir na qualidade do serviço. A barbearia Babuggia chama a atenção de quem passa pela rua: o chão quadriculado, as capas de discos de vinil penduradas na parede, um carrinho de rolimã e uma vitrola tocando discos são alguns dos elementos que compõem o ambiente. “Aqui é cabelo e barba, a música é fiado”, brinca. O atendimento é feito por ordem de chegada e não há internet no local, pois segundo ele, “o bom da barbearia é o papo furado”. Babugia conta que o clima vintage não é intencional. “Eu sempre gostei de rock, o que está aqui na barbearia é o que eu trouxe de casa. Tive um estúdio de tatuagem que era mais ou menos assim”, conta.


Para o barbeiro, a fidelização do cliente é feita prestando o melhor serviço possível. “Eu vejo o pessoal estilizando as barbearias, mas investindo muito pouco em mão de obra. Eu fiz muitos cursos de especialização e hoje eu corto qualquer tipo de cabelo e qualquer tipo de barba”, garante.


Redes sociais


Com as redes sociais, o cliente e o empresário ganharam múltiplos canais de relacionamento. A consultora Regina diz que o uso destas ferramentas pode parecer algo simples, mas são poucas as empresas que efetivamente conseguem utilizá-las para criar um vínculo com o cliente. “Pode ser que um cliente consulte uma empresa pela internet e desista de ir até a loja porque o site está desatualizado e o produto não está visível. Então, esse cuidado visual é tanto na loja física quanto a virtual”, aconselha.


A empresária Ludmila Romanovski é sócia da loja de roupas Amber Store há quatro anos e antes mesmo de abrir o espaço físico, começou uma página no Facebook para divulgar os produtos. Hoje, a loja tem site e está presente em várias redes sociais. O perfil da loja no Instagram já conquistou mais de 55 mil seguidores e recebe cerca de 25 postagens por dia de fotos de roupas e produtos. A empresária oferece treinamento para as funcionárias aprenderem a postar nas redes. “A gente busca funcionárias que gostem de moda e, como cada pessoa tem um gosto, é interessante porque elas montam looks diferentes que atraem pessoas diferentes”, explica.


Impulsionada pela popularidade nas redes, Ludmila conseguiu abrir a segunda loja e também começou a realizar vendas online. Com a visibilidade, muitos consumidores de outras cidades demonstravam interesse em comprar os produtos, o que fez a empresária investir em outra ferramenta: o WhatsApp. “A gente faz toda a comunicação sobre o produto e a entrega pelo aplicativo, o pagamento é feito por depósito ou por ferramentas de pagamento online”, explica. Cada loja tem seu próprio perfil no aplicativo, que também é utilizado para auxiliar na gestão do negócio, na comunicação entre as funcionárias.


Pesquisa e informação


Para inovar, é necessário pesquisar e buscar informações dentro e fora do próprio segmento. É o caso das empresárias Juliana Delicato e Maira Demarchi, graduadas em Marketing e donas da Delicato Brigadeiria. Após passar uma temporada trabalhando em São Paulo, Juliana decidiu voltar para Londrina em busca de qualidade de vida e, pesquisando, viu na brigadeiria uma oportunidade de negócio que não existia na cidade. Ela fez cursos específicos de brigadeiro e começou a desenvolver receitas com ingredientes selecionados, buscando um produto diferenciado. “Logo no começo eu criei a marca e o perfil da loja no Facebook para criar uma identificação tanto da loja como do produto”, conta Juliana. Ela começou vendendo 20 sabores diferentes pelo Facebook.


Depois, junto com a amiga Maira, elaborou um estudo de mercado e um plano de negócios. Por fim, abriram a loja. Hoje são 30 sabores de brigadeiros e as receitas são guardadas a sete chaves pelas proprietárias. “A gente está sempre buscando novas ideias para nunca ficar na mesmice, sempre mantendo o foco no produto principal: o brigadeiro”, diz Juliana.


A brigadeiria chama atenção pelo ambiente decorado e pelas embalagens personalizadas para eventos e datas comemorativas, que são desenvolvidas com ajuda de uma designer. O objetivo é elevar o brigadeiro ao status de presente. “Nós trabalhamos com elementos mais delicados para combinar com o nosso produto”, explica Juliana.


Curiosidade é fundamental


Inovar é preciso para sobreviver ao mercado. A consultora Leda Terabe afirma que o empresário que não inova não consegue se manter. O Sebrae oferece o Programa de Agentes Locais de Inovação, no qual um agente de inovação faz um diagnóstico e monta um plano de ação com o período de dois anos para as empresas, com o objetivo de fazer um trabalho específico para levar a inovação de forma continuada aos comerciantes.


Ter curiosidade para conhecer novas práticas nos seguimentos mais diversos é fundamental. “A inovação não é uma ideia que parte do nada. O empresário deve investigar quais são as melhores práticas e, dessas, qual é a melhor para o negócio dele”, explica Regina Nakayama.