Fonte: Revista Mercado em Foco – ACIL – Por Lucas Marcondes
Os fatos e os números não mentem. O setor produtivo do Brasil vive às voltas com a crise há, ao menos, três anos. Contudo, em meio a um cenário turbulento, já começam a surgir os primeiros indícios – baseados em projeção de maior crescimento do PIB e de queda na inflação – de que o jogo pode virar no mundo dos negócios.
O governo do presidente Michel Temer já conseguiu emplacar nos últimos meses suas primeiras medidas econômicas no Congresso Nacional – fato que pode voltar a dar segurança para quem deseja investir.
Ao mesmo tempo, ainda há uma nuvem cinzenta no cenário político de Brasília, aspecto que continua a desestabilizar os ânimos da sociedade. Porém, em Londrina, empresários decidiram deixar o contexto negativo no passado e já rascunharam seus planos para o ano que começa. Rascunharam, não. Produziram em detalhes suas metas para 2017, que foram compartilhadas com todos os colaboradores, sem exceção. Com o time unido e focado, eles apostam que diversos frutos serão colhidos nos próximos meses.
Quem passa com pressa por uma das marginais da PR-445, nas proximidades da Avenida Dez de Dezembro, na região sul de Londrina, talvez não perceba um imóvel de esquina que ostenta o letreiro ER-BR. A Mercado em Foco, no entanto, entrou ali e viu de perto um exemplo prático do que dizíamos há algumas linhas. Quem nos recebeu foi Adirlei de Oliveira. Ele é diretor geral da ER-BR Energias Renováveis. Atuante no mercado há mais de oito anos e com uma experiência que gira em torno de 700 projetos implantados, a empresa transpira trabalho em equipe e registra melhora contínua dos resultados. Dois elementos que, somados ao promissor ramo em que atua (geração de energia elétrica através de dejetos principalmente da agropecuária), fazem com que o negócio passe imune à crise. Quer dizer, quase imune. “A curva de crescimento seria mais expressiva se não estivéssemos em crise. Algumas oportunidades deixaram de acontecer”, observa o diretor.
Mesmo assim, o momento, de maneira geral, é positivo para o time da ER-BR. “Ainda é um mercado pequeno, mas energia tem sido um artigo de luxo e, assim, ‘obrigatoriamente’, estamos em crescimento. As perspectivas são muito boas”, conta Adirlei de Oliveira, que tem na busca persistente por melhorias uma de suas principais filosofias de trabalho. Estabelecer metas também está entre os conceitos do empresário, que fala da importância de se unir a equipe na busca por um objetivo comum. “Somos uma equipe que vive de resultados, mas também queremos que os colaboradores se sintam em uma empresa diferenciada. Quanto mais espaço ele tiver para opinar, mais importante e participativo ele vai se sentir”, garante Oliveira.
Consultoria oferece ferramentas
O consultor Fabiano Zanzin, da Concept Consult, explica que na hora de escolher as metas, quatro ferramentas básicas são fundamentais: definir de maneira clara onde a empresa quer chegar, estabelecer quais ações são necessárias para se chegar a esse objetivo – quanto aos dois primeiros pontos, o consultor diz que “por incrível que pareça, existe uma confusão dentro das organizações entre o que fazer e como fazer”. Já as duas últimas ferramentas são o estabelecimento de indicadores de desempenho (ou seja, deixar bastante claro qual é o estágio em que a equipe se encontra, “pois isso funciona como um placar no estádio de futebol, já que determina o ritmo da partida e influencia diretamente na estratégia”) e, por fim, a capacidade de fracionar quais são as responsabilidades de cada um dentro da organização, delinear qual é o impacto que o trabalho dos colaboradores terá na execução da meta.
Além de fomentar os bons resultados da ER-BR, esses quatro pilares também foram levados a outras empresas, de outros segmentos.
Na tradicional rede londrinense de lojas Móveis Brasília, metas são parte do planejamento estratégico. O diretor comercial do negócio e vice-presidente da ACIL, Fernando Moraes, afirma que, assim como para todo o setor, 2016 foi um ano difícil, mas com resultados já melhores do que os de 2015. E para o ano que começa, as expectativas estão ainda mais positivas. O otimismo advém de fatores como a aplicação cotidiana na empresa das quatro bases listadas pelo consultor Fabiano Zanzin. “É bem trabalhoso, mas estamos com uma atuação estratégica, com metas para cada setor e, ao mesmo tempo, construímos em conjunto a meta global. Isso facilita bastante. O colaborador saber onde quer chegar é muito importante”, comemora Moraes.
Colaborador, voz que deve ser ouvida
Fabiano Zanzin acrescenta também a importância de cada colaborador poder dar opiniões no processo específico que desenvolve. “As pessoas não querem se sentir como robôs executadores de tarefas. Elas querem se sentir importantes, valorizadas, partes do processo. Do presidente ao estagiário, todos têm de falar a mesma língua”.
Lição que é aplicada na prática por empresários como Adirlei de Oliveira e Fernando Moraes. “Eles têm o direito de falar o que quiserem, evitamos a separação entre ‘nós e eles’. A gente planta, há muito tempo, o conceito de que não são os sócios que pagam o salário dos colaboradores. São os clientes que pagam”, conta Oliveira. Moraes aponta que fórmula semelhante é aplicada no Móveis Brasília. “Todo mundo sabe onde quer chegar. O engajamento de toda a equipe é muito bacana”, diz o diretor.
Para que a execução de metas dê certo, porém, a empresa deve estar ciente de que é necessário um monitoramento sistemático dos erros e acertos da estratégia. Reuniões semanais, segundo Zanzin, são essenciais. “Quando se fala em execução da estratégia, 30 dias é uma eternidade. Quanto mais fracionado o acompanhamento, menor a chance de erro”.
Como lidar com fatores externos
Mas se todo esse manual for posto em prática na organização, como lidar também com os fatores externos? Justamente por meio do acompanhamento semanal, responde o consultor. “O grande desafio de empreender é lidar com fatores internos e externos. Nós não controlamos os fatores externos, mas eles nos influenciam. É por isso que, nas quatro leis da execução, nos reunimos uma vez por semana para avaliar qual é o resultado que temos que construir e o que vai influenciá-lo. A grande pergunta é: quais são as habilidades que a equipe tem que desenvolver nesse momento para minimizar os impactos externos?”, ensina ele.
E se os últimos anos podem ter abalado sua equipe, fique com a dica do consultor Fabiano Zanzin para fazer um 2017 diferente. Ele assegura que engajar os colaboradores é a ‘cola’ que une os quatro pilares. “Despertar o engajamento nas pessoas que estão na organização é o maior desafio para tirar o planejamento do papel. Essa é a grande pegada”, garante Zanzin.



