25/09/2014 00:00:00 Mortes no trânsito: a dor eterna das famílias

Fonte: Telma Elorza/Jornal de Londrina

O encerramento da Semana de Trânsito em Londrina, hoje, não poderia ser mais melancólico. A morte do policial militar Levi Carneiro, 30 anos, no último domingo, em um acidente, é emblemática. Lotado na Companhia de Trânsito (Ciatran), ele atendia ocorrências no trânsito e foi quem prendeu o motorista embriagado que matou a costureira Valquíria de Fátima Gomes, na Avenida Santos Dumont, no dia 15 deste mês.

Segundo o irmão e também policial militar Wilson Carneiro, 31 anos, Levi achava que as leis de trânsito eram brandas demais para quem dirigia bêbado. “Ele me dizia que estava remando contra a maré porque os presos ficavam pouco tempo na cadeia, mesmo matando gente”, relata. Levi morreu quando a moto que dirigia foi colhida por um Gol dirigido por uma mulher embriagada que furou o sinal vermelho. Ele estava saindo do trabalho.

“Existem acidentes e existem crimes. O que aconteceu com o meu irmão foi um crime, um crime de trânsito. A mulher já tinha se envolvido em outro acidente, em 2010, e na época já estava com a carteira suspensa. Ela nunca poderia estar dirigindo, mas estava. É como se estivesse com uma arma nas mãos e disposta a matar o primeiro que cruzasse o seu caminho”, queixa-se Wilson.

Levi tinha uma filha de 7 anos, Maria Luiza, e estava contente na Polícia Militar (PM). No domingo passado, planejava passar o dia com a família. “Ele largou o serviço às 7 horas, ia para casa descansar e depois queria passear com a família”, conta irmã Rosana, 29 anos. A mãe, Luzia, 73 anos, não se conforma com a morte do filho. “A gente não acostuma nunca com isso.”

“A pessoa que bebe e dirige mata mais que uma pessoa. Ela destrói uma família inteira”, afirma a técnica de enfermagem Aline de Souza Girão. O irmão dela, Everton Castro, 27 anos, morreu no início deste ano, em Maringá, depois de passar quatro meses em coma, vítima de um acidente de trânsito em Londrina.

Ele e amigos vieram passar o final de semana na cidade e, na madrugada de 25 de agosto do ano passado, envolveram-se em um acidente no cruzamento da Avenida JK com a Rua Pio XII. O Peugeot 207 onde estava foi atingido por um Prisma, que, segundo testemunhas, teria furado todos os sinais vermelhos da avenida . “Esse homem tinha adolescentes no carro e estaria fazendo roleta russa.”

Segundo Aline, o irmão se formou em Moda e estava concluindo uma pós-graduação. “Ele tinha sido promovido no trabalho naquele mês, tinha um futuro brilhante, amava a vida. Hoje minha mãe tem que ir ao psiquiatra e eu nunca mais consegui trabalhar como enfermeira, porque vejo meu irmão em todos os pacientes”, lamenta.