22/10/2014 00:00:00 Novo depoimento devolve Londrina a epicentro de escândalo político

Fonte: JL

O doleiro Alberto Youssef teria dado propina a parlamentares do PSDB e um deles seria da região de Londrina. O doleiro, que nasceu na cidade, é acusado de ser o principal mentor do esquema desmontado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), neste ano.

A denúncia envolvendo um parlamentar local partiu de um depoimento prestado na segunda-feira passada pelo empresário Leonardo Meirelles, réu em dezenas de processos que tramitam na Justiça Federal com relação à Lava Jato. Ele foi “laranja” do doleiro num dos canais de lavagem de dinheiro pela empresa Labogen.

Durante cerca de uma hora de depoimento, Meirelles deu detalhes sobre o esquema e falou sobre a participação de “agentes públicos” duas vezes. Em uma delas, afirmou que muitos políticos frequentavam um escritório de Youssef em São Paulo.

O questionamento sobre parlamentares tucanos foi feito pelo advogado Haroldo Nater, que defende Meirelles - no contexto do interrogatório, primeiro o réu é interrogado pelo juiz, pelo representante do Ministério Público (MP), por advogados de outros réus e pelo próprio advogado.

“O Alberto Youssef disse aqui que prestava serviços para diversos partidos, em especial o PMDB, o PP e o PT. Nesse período em que o senhor trabalhou [com o doleiro], tem conhecimento da existência de outros partidos políticos atendidos pelo Youssef?”, perguntou o advogado.

Meirelles respondeu apenas que “sim”. O advogado questionou então se ele poderia especificar. A resposta que veio foi: “acredito que o PSDB e eventualmente algum padrinho político do passado e provável conterrâneo ou da região do senhor Alberto Youssef”.

O advogado perguntou ainda se “esse padrinho político do passado” seria do Paraná. Meirelles disse que sim.

Interrupção
Os dois foram, em seguida, interrompidos pelo juiz Sérgio Moro. “A gente não está entrando nessas identificações”, disse. A Justiça Federal afirmou que o magistrado pediu para não citar os nomes dos agentes políticos que tenham foro privilegiado e que isso deve ser feito apenas no Supremo Tribunal Federal (STF). O surgimento de nomes de políticos com mandato no Congresso Nacional pode levar os processos para o STF.

Em entrevista ao JL, Nater afirmou que “a intenção era dizer ontem [os nomes dos envolvidos] de maneira precisa no interrogatório”, mas, por causa da interrupção imposta pelo juiz, é necessário “aguardar o andamento da ação penal que envolve os parlamentares no STF”.

Parte do processo já foi encaminhada ao Supremo por envolver parlamentares. Conforme Nater, quando for chamado para depor no STF, Meirelles vai apresentar nomes e provas. Ele acrescentou que o processo tem vários caminhos que levam a agentes políticos.

Em entrevista à Agência Estado, o advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, repudiou as afirmações e disse que Meirelles vai ter de provar o que diz em relação ao suposto elo do doleiro com o PSDB. O partido também negou as acusações.

Primeira condenação

Rene Luiz Pereira foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado e multa de R$ 632.574; o doleiro Carlos Habib Chater, a cinco anos e seis meses de prisão, em regime fechado, e multa de R$ 67,8 mil; André Catão de Miranda, a quatro anos de reclusão em regime semiaberto e multa de R$ 67,8 mil.Saiu ontem a primeira sentença referente à Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF). Na ação penal que tratava dos crimes de tráfico de drogas e evasão de divisas, o juiz federal Sérgio Moro absolveu o doleiro Alberto Youssef por falta de provas.

Esta é a primeira sentença das ações penais que originaram das investigações da Operação Lava Jato. Ainda cabe recurso da decisão.

Outros dois réus também fazem parte dessa ação, mas tiveram o julgamento desmembrado das demais partes: Sleiman Nassim El Kobrossy, que está foragido, e Maria de Fátima Stoker, que está presa na Espanha.

De acordo com Ministério Público Federal (MPF), os condenados e Youssef faziam parte de uma quadrilha responsável pelo tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações, a droga vinha da Bolívia e do Peru através de Rene e Sleiman. Os entorpecentes eram enviados através do Porto de Santos à Europa, onde Maria de Fátima morava e negociava o produto com traficantes locais.

O dinheiro, US$ 124 mil no total, foi enviado por Maria ao Brasil com a ajuda de Chater, que realizava as operações de câmbio. Chater também auxiliava Rene e Sleiman nas operações de câmbio para o pagamento dos entorpecentes na Bolívia e Peru.