01/04/2016 00:00:00 Paraná tem alta de 5% na criação de empresas

Fonte: Folha de Londrina

A criação de novas empresas foi 5,4% maior em janeiro deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado, no Paraná, abaixo da média nacional de 10,4%. O motivo principal para o aumento em meio a um cenário de crise econômica é que os desempregados ou mesmo trabalhadores buscam registro como Microempreendedor Individual (MEI), para obter complemento ou mesmo garantia de renda. Os dados estão no Indicador Serasa Experian de Nascimentos de Empresas, divulgado ontem. 

O número de novas empresas no Paraná passou de 9.465 em janeiro do ano passado para 9.974 no primeiro mês deste ano. No País, foi de 150.958 para 166.613 no mesmo período. A entidade não divulgou dados regionais por tamanho de empreendimentos, mas os dados nacionais apontam que a variação de MEIs puxou o índice médio. Eram 119.555 novos MEIs em janeiro de 2015, ou 79,4% do total, e 137.301 neste ano, ou 82,4 do total. A alta, no quesito, foi de 14,8%. 
O Paraná está na quarta colocação em número de novas empresas no mês, atrás de São Paulo (45.550), Minas Gerais (19.469) e Rio de Janeiro (19.044), mas tem apenas a 12ª maior variação na comparação com o mesmo período do ano passado. Para o diretor de Pesquisas do Insituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Daniel Nojima, o uso de dados sobre desemprego, que levam em consideração as carteiras assinadas, e sobre desocupação, que é quando a pessoa trabalha mesmo que informalmente, complementam a explicação. "A ocupação não tem caído tanto porque temos a recomposição dos ganhos e quem estava no emprego formal e foi cortado acaba buscando montar um negócio próprio." 

Sobre o Paraná, ele aponta um menor impacto do desemprego do que no País. "O Estado estava com a segunda menor taxa de desemprego do País no último trimestre do ano passado e estava estacionada desde o terceiro trimestre. Parte disso é porque ainda temos gente entrando no mercado de trabalho", sugere Nojima. 

Terceirização

Outra explicação é a possibilidade de trabalhadores continuarem a fazer o mesmo serviço que tinham com carteira assinada, mas como MEI. "Está crescendo também o número de empresas que contratam esses microempreendedores para reduzir encargos sociais com funcionários", diz o diretor executivo do Instituto Datacenso, em Curitiba, Claudio Shimoyama. 

O pesquisador aponta que os cortes de postos de trabalho atingem de cargos operacionais a gerentes e gestores, o que amplia a gama de profissionais disponíveis, de jardineiros a consultores empresariais. "Um eletricista que era funcionário de uma empresa pode abrir uma empresa de manutenção e atender o antigo empregador, o concorrente dele, enfim, é uma terceirização dos serviços", completa, ao lembrar que o MEI é uma forma do informal se formalizar.