12/08/2014 00:00:00 Uma vida em movimento

Fonte: Fernanda Bressan/Revista Mercado em Foco/Agosto

“Acho que Londrina é uma cidade em que você tem que explicar porque você sai, e não porque você fica. Ficar é uma coisa quase que inevitável para quem quer viver.” Assim a advogada Alexandra de Paula Yusiasu dos Santos, 35 anos, define o amor pela cidade que escolheu para viver desde que chegou, ainda na década de 1990, para fazer faculdade. “Quando cheguei à UEL falei: uau! Achei a coisa mais linda do mundo aquele campus cheio de árvores, a cidade. Eu vinha de uma cidade plana e aqui subia e descia e tinha mais coisas, foi bem apaixonante.”

A rotina de estudante passou e deu lugar, inicialmente, à vida de advogada. Foram 10 anos com escritório dedicado ao trabalho com empresas. “Me realizei muito em encontrar uma coisa de que gostava na advocacia, que é trabalhar com o preventivo, com a advocacia que não é de fórum, de fazer processos e ações, mas de fazer planejamento e análise de documentos. Desde que me formei, estudei e sempre fui buscando essa formação e trabalhando em análise e redação de contratos. É uma área bem especializada que foge do perfil tradicional do advogado, tenho um perfil mais empresarial e corporativo.”

Tudo estava bem, mas Alexandra começou a vislumbrar algo diferente e a se perguntar se a tendência funcionaria na cidade. Ela queria trazer para cá o modelo de espaço colaborativo de trabalho, movimento que vinha ganhando força fora do país e que ela tinha conhecido fazendo pesquisas pela internet. Em 2012 nasceu o Juntus, que inicialmente se chamava Aldeia. “Depois de 10 anos de escritório, minha vida estava pronta, tinha quase 30 anos, uma família, 2 filhos (hoje ela tem 3), tinha terminado minha segunda pós, feito mestrado, o escritório estava muito tranquilo. Mas sempre fui muito curiosa e ouvi falar dessa nova forma de trabalhar”, recorda.

Inicialmente, a intenção era começar pequeno, no próprio escritório que ela já possuía. Mas a resposta à ideia mostrou que dava para ser mais. “Já tinha estudado o assunto e vi que tinha que começar pelas pessoas, encontrar quem acreditava que cabia uma coisa diferente em Londrina. Criamos um grupo no Facebook perguntando se gostariam de trabalhar em um lugar assim, misturar profissionais sem qualquer requisito, a não ser estar junto. A resposta foi muito bacana. Apareceram pessoas e o mais lindo foi que não veio um grupo específico, como de fotógrafos ou de designers; acho que até pelo porte da cidade veio gente de tudo quanto é lado. Depois de 3 ou 4 semanas de grupo no Facebook, tínhamos umas 80 pessoas de áreas totalmente diferentes e era exatamente o público que eu imaginava, que eu tinha estudado. Não era um perfil fechado, mas todo mundo misturado.”

O novo negócio fez nascer o lado empreendedor na advogada. “Muita gente falava que não cabia isso em Londrina, perguntavam se eu era daqui, eu falava que era de São Paulo e diziam que era por isso, que não sabia como era o povo de Londrina. Mas não preciso conhecer as pessoas, eu acredito nelas e o fato de ser colaborativo, do estar junto, isso é uma coisa que as pessoas têm, de ser humano, de ser gente. É isso que o Juntus é, tudo o que proponho para as pessoas vivenciarem de empreender, de se mover, fazer, ser criativo, isso é ser gente, nossa vida se movimenta para uma ação”, pontua.

Ela completa que o tempo atual é de transformação: “A gente veio de uma época de replicar modelos para uma época super da criatividade, da inovação, e vimos o potencial que o ser humano tem de ser criativo”, destaca. Com isso, a mistura de conhecimentos e habilidades proporcionam uma troca constante no Juntus. “Tem a questão da colaboração, do doar-se, a nossa realização só está completa quando a gente acrescenta com o outro. Todo mundo busca a satisfação, temos que mudar o pensamento de que a gente fica inteiro se enchendo, a gente fica inteiro se doando, essa é a proposta do Juntus. Nós compartilhamos a mesa, tomamos café com quem nunca vimos, precisamos ver se a sala está disponível para usar pois há outras pessoas no ambiente. Tudo isso é um crescimento muito grande para as relações, temos uma experiência de mundo mais intensa e rica”, ensina.

Esse ano um novo desafio foi proposto para Alexandra. Ela integra a nova diretoria da ACIL e será a 2ª secretária na gestão 2014-2016. “Foi uma surpresa, não tinha ideia, nem pretensão. O Valter (Orsi) veio aqui e eu queria muito conhecê-lo. Fiquei encantada com ele. Tem várias pessoas que admiro e pego como referência, como um mentor em São Paulo que sempre converso para dar orientações, é o cara que eu penso: ‘como ele faria?’. É importante ter pessoas assim, que admiramos pelos valores que levam, e quando o Valter chegou, conversei com ele meia horinha, e ele me passou muito isso, que era uma pessoa para ter como referência”, afirma.

Alexandra já tem trabalhos voluntários no currículo em entidades como OAB e na Rede Mulher Empreendedora. “Agora tem a ACIL. Nunca pensei em ser diretora, mas acredito que terá muito o sentido de trazer esse novo que vivemos para mostrar que é uma coisa real. Unimos o tradicional, o respeito e credibilidade da ACIL com tendências, com gente jovem de cabeça, com ideias”, ressalta.

Ela se lembra da primeira vez que esteve na ACIL, na época para participar da 1ª Semana do Empreendedor Digital, em 2012. “Vi a placa na escada que fala da Casa do Empresário, e quando abrimos o Juntus o Arnaldo Antunes tinha lançado a música 'A Casa é Sua'. Eu vi a coincidência na época, a ACIL tem esse sentimento de ser a sua casa estampado na parede e o Juntus também tem isso, é o movimento que chamam de serendipity, que é a ideia de que existem coisas que estão acontecendo em vários lugares ao mesmo tempo, senti isso aquela hora e agora acontece de novo”, recorda.

Para Alexandra, é tempo de continuar adquirindo conhecimento. “Vou aprender com essa diretoria, falamos de tradição, de história, de experiência e levo essa visão das pessoas que estão querendo empreender, querendo abrir um negócio, hoje temos 60 pessoas assim, que não sabem como estarão daqui a seis meses. Vamos juntar isso com o que existe de já vivido e experimentado.”