05/08/2019 09:16:46 Pets, os colegas de trabalho preferidos dos humanos

Por Samara Rosenberger - Revista Mercado em Foco - ACIL

 

Os estudos comprovam. Ter animais de estimação é terapia para os humanos. Além de estabelecer fortes laços afetivos, a relação reduz a irritabilidade e gera momentos de bem-estar. Uma pesquisa publicada no ano passado pela Virginia Commonwealth University apontou que inserir animais no ambiente corporativo reduz o estresse para os donos e para quem convive com eles.

A amostragem revelou que os funcionários que interagiram com os cães durante o dia relataram níveis de cortisol (o hormônio do estresse) mais baixos. A medição foi feita por meio de saliva e de autorrelato em pesquisas. O estudo comprovou, ainda, que os trabalhadores passaram a procurar os animais para caminhar e interagir durante os intervalos e que essa atitude promovia a comunicação informal entre outras pessoas da mesma empresa.

Foi de olho em resultados como esse que o empresário Marcão Kareca resolveu adotar um gato em sua agência de comunicação. Já na porta de entrada dá pra perceber que o felino domina o espaço. Ele recebe cada convidado na escada, que fica logo na recepção. “Tomei a decisão de trazê-lo para cá há seis anos, depois de conversar com muitos gestores de outros países e perceber que a prática trazia benefícios para os colaboradores”, explica o gestor sobre a agência que leva o seu nome.

Na opinião do publicitário, Nuno promove um ambiente descontraído e de bem-estar entre os colaboradores. “Não fiz nenhuma pesquisa para atestar os resultados, mas percebo isso no dia a dia. O Nuno deixa as pessoas mais tranquilas e proporciona momentos para sorrir e brincar que não existiriam se ele não estivesse aqui”, completa.

Nuno é um gato tranquilo, que transita por todos os ambientes, mas existem regras que determinam a boa convivência. “Ele foi educado para fazer as necessidades nos espaços destinados e possui a própria cama, comedouro e bebedouro”, conta Kareca. O felino é castrado e faz acompanhamento com um veterinário, que mantém as vacinas em dia.

Todos os colaboradores e clientes da agência têm acesso livre ao pet. “A maioria dos colaboradores o adora e os clientes também. Por vezes, ele cumprimenta as pessoas batendo a pata no ombro delas (ao passar pela escada). Em alguns casos, dá certo. Em outros, nem tanto. Já tive até que pagar camisa por ele ter puxado um fio com as unhas”, narra aos risos.

MASCOTE FELICITADORA

Não tem jeito. Eles nos conquistam por onde passam. Os cachorros são praticamente unânimes entre os humanos. E dentro do Sicoob Ouro Verde, não é diferente. A Mel é a mascote felicitadora da sede administrativa e arranca sorrisos de quem cruza seu caminho. Logo na recepção da agência, uma campainha toca e ela vem toda sorridente cumprimentar os convidados. De olho no petisco, ela senta e dá as patas educadamente. Depois, saboreia a recompensa.

A Mel foi integrada na instituição financeira com três meses de vida. A iniciativa veio da diretoria-executiva, que a trouxe como integrante do projeto Felicidade Interna do Cooperativismo, o FIC, cujo intuito é promover ações com foco no bem-estar do colaborador dentro do ambiente corporativo. “Com a chegada da Mel, o FIC se fortaleceu, pois percebemos que todos os colaboradores, terceirizados, cooperados e a comunidade têm muita satisfação em conviver com ela”, explica Luciane Bizarro, responsável pelas ações de Valorização Humana do Sicoob Ouro Verde. “Ela não é apenas um cãozinho, é tudo o que mobiliza e sensibiliza”, salienta.

O ambiente da sede é totalmente montado para a permanência da cachorra. Existem tapetes higiênicos espalhados em pontos estratégicos, além de comedouros e bebedouros. Em um painel, constam todas as regras que devem ser obedecidas, além de dicas de passeios e brincadeiras. Uma escala determina quais colaboradores são responsáveis por manter as necessidades dela atendidas durante o dia. "Indicamos as pessoas que passeiam, alimentam e fazem a limpeza de segunda a sexta-feira. Também há pessoas indicadas para cuidar das redes sociais dela e um veterinário parceiro”, explica Maisa Palma Hangai, do Pessoa de Apoio Estratégico do Instituto Sicoob.

Para conviver de forma harmoniosa, Mel foi adestrada por um profissional durante seis meses. O treinamento foi necessário para habituá-la ao ambiente no qual transitam diversas pessoas durante o dia. “Como ela anda pelo Calçadão e por ruas com grande movimento de carros e pessoas, acostumar-se com o barulho foi essencial para que se comportasse de uma forma tranquila”, completa Maisa. Os passeios contam como horário de trabalho do colaborador. Nos fins de semana, a mascote é levada para um hotel, onde tem contato com outros cães e recebe o banho e cuidados veterinários de rotina.

A felicidade de quem convive com ela é percebida com o brilho no olhar. A Danielle Ricardo se apaixonou pela mascote no primeiro dia que a viu. “Quando ela chegou, foi só alegria. No começo, ela comia algumas coisas, fazia bagunça, mas são coisas de filhote. Depois foi adestrada e logo se adaptou”, conta a analista de crédito. Para ela, conviver com o animal reduziu o estresse e aumentou sua qualidade de vida. “Quando estou mais atribulada, saio para dar um passeio com ela e sinto que fico mais tranquila. Sinceramente, não me vejo mais sem ela”, diz.

O ANIMAL NÃO JULGA

Livre de julgamentos. É assim que a veterinária Luiza Vinokurovas descreve os animais. “Eles não se importam pelo que você tem ou que é, diferente do humano”, aponta. O humor estável do pet também contribui para um ambiente de descontração e bem-estar. “Dificilmente o animal está de mau humor, a não ser que ele esteja com algum problema de saúde, por exemplo. Na maioria das vezes, ele está sempre alegre e disposto a dar e receber carinho”, completa.

A veterinária ressalta que, apesar do cão ser considerado o melhor amigo do homem, o gato também tem conquistado cada vez mais espaço nos lares – e empresas – brasileiros. “[o gato] É mais independente, mas isso não significa que não saiba dar amor ou carinho. A interação é diferente do cão porque são espécies distintas”, pontua.

Para a psicóloga Ana Paula Durante, a relação entre um animal de estimação e o humano gera proximidade, troca de afeto e companheirismo. “Essa relação é muito intensa e positiva, na qual o humano só ganha. Perceba que a pessoa só recebe coisas positivas do animal. Ele sempre está disposto a amá-lo”, enfatiza.

O pet também propicia o senso de pertencimento do colaborador em relação à empresa. “Quando a pessoa está inserida num contexto que engloba seus valores e quando estes são compatíveis com os da empresa, há sentimentos de valorização e satisfação. Um ambiente favorável entrega condições de diálogo sem opressão, onde o trabalhador pode expor suas necessidades e participar de negociações sadias”, finaliza.

O ESTAGIÁRIO

A Dismafe é uma empresa famíliar que existe há 29 anos. Carlos Euzébio dirige a revenda de ferramentas ao lado das filhas Luana e Thais. Inicialmente, a ideia de levar Lipe, o cachorro da família, para o trabalho, foi para não deixá-lo sozinho em casa. “Na época, ele tinha seis meses e era um filhote muito sapeca”, explica Thais.

Mas a prática ganhou um novo olhar após algumas pesquisas na internet. Hoje, Luana acredita que a presença de Lipe ajuda a reduzir o estresse dos funcionários e a tornar o ambiente mais leve. “Li que muitas empresas inovadoras, como o Google, adotaram essa prática. Acredito que os animais de estimação têm o poder de aumentar a nossa qualidade de vida”.

O cãozinho, que é carinhosamente chamado pela família de “o estagiário”, já se habituou à rotina e aguarda ansiosamente por cada dia de trabalho. “Ele dorme na nossa casa, mas acorda cedo e fica esperando a hora de ir pra loja”, conta Euzébio, o diretor da empresa.