27/10/2015 00:00:00 Política: A Londrina que a sociedade quer

Fonte: Cristiane Oya - Revista Mercado em Foco - ACIL

Dentro de um ano, os eleitores londrinenses voltam às urnas para eleger o prefeito e os 19 vereadores. Nos bastidores, partidos e pré-candidatos já começam a se movimentar em torno de alianças e de coligações que garantam seus projetos e interesses políticos. Representantes de entidades de classe ouvidos pela revista Mercado em Foco são unânimes em apontar a necessidade da sociedade também se mobilizar em defesa das principais demandas públicas que devem pautar a disputa eleitoral, principalmente para a chefia do Executivo Municipal, na construção da Londrina que a sociedade deseja.

"Com uma sociedade cada vez mais preocupada com o destino da cidade, o prefeito tem que participar, discutir, pôr em prática as melhores soluções. Não podemos mais viver o passado, quando se elegia um prefeito e, no outro dia, ele virava as costas para a cidade e colocava em prática o seu anseio político", salienta o presidente da ACIL, Valter Orsi.

Para estas eleições municipais, Orsi ainda sugere o uso de critérios de competência administrativa na definição das candidaturas. “Tanto no Legislativo quanto no Executivo, precisamos de pessoas modernas, exemplos de sucesso. Candidatos que tenham experiência em gestão de pessoas e de projetos. Temos de quebrar esse paradigma de que todo candidato tem que ser político profissional.”

Na opinião de Orsi, um dos principais desafios do próximo prefeito será buscar o desenvolvimento aliado à sustentabilidade, com a consolidação dos parques industriais e a definição sobre a área de amortecimento do Parque Estadual Mata dos Godoy. Atualmente uma liminar em ação ajuizada pela ONG Meio Ambiente Equilibrado suspende a instalação de indústrias em uma área de 54 mil hectares no entorno do parque. "É uma área nobre, temos que nos preocupar com o desenvolvimento da cidade e do meio ambiente, mas é preciso que o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) defina o que pode e o que não pode ser feito na região. Hoje nada pode, porque existe uma ação judicial. Precisamos chegar a consenso para que possamos ter um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e social e o respeito à área de preservação ambiental”, avalia.

O investimento na industrialização também é apontado pelo presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil), Osmar Alves, como um gargalo que o próximo administrador terá que enfrentar. “Temos que facilitar a instalação de empresas em Londrina, dar incentivos, definir regras. Está sendo uma busca da atual administração, mas precisamos acelerar esse debate. A sociedade tem de começar a participar agora, a discutir o que queremos e o que esperamos do nosso prefeito.”

Paralelamente, Alves aponta a necessidade de mais investimentos em logística como fator preponderante para o desenvolvimento. “Precisamos de logística para atender as indústrias que aqui estão instaladas e as que possam vir a se instalar. Assim como um aeroporto que funcione. Outro ponto que teremos que continuar buscando é a diminuição do excesso de burocracia na nossa cidade.”

Para o presidente do Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região), Roberto Martins, é hora de avançarmos em relação ao desenvolvimento industrial e comercial da cidade. “Agora temos que discutir a Londrina desenvolvida tanto na parte comercial como na industrial e na prestação de serviços. Temos que colocar em pauta a liberdade para o funcionamento das lojas, as mudanças no Código de Posturas, a criação de um comércio mais atrativo.”

Martins aponta ainda, como desafios do próximo administrador, a solução de problemas de infraestrutura viária e a falta de vagas de estacionamento no centro da cidade. “Se queremos uma cidade pujante, precisamos de facilidades de estacionamento.”

Segundo Charles Vezozzo, presidente do Fórum Desenvolve Londrina, que reúne 37 entidades, a integração da sociedade fará com que os candidatos interajam mais com a comunidade e suas expectativas. “Em países mais desenvolvidos um dos quesitos identificados para o crescimento é a maior participação da comunidade. A partir do momento que se participa mais, há mais transparência e mais visualização das ações. Londrina já mostrou pelo voto que está consciente, que quer ética e boa gestão”, afirma. “Deve haver diálogo e participação da comunidade. É crucial. Quem não participa não tem condições de fazer uma avaliação.”

Vezozzo aponta que entre as expectativas estão a maior atenção à Saúde e à Educação públicas. “Esses itens, aliados à qualidade de vida e ao saneamento, são fundamentais para uma população mais desenvolvida, para uma região mais próspera e também para trabalharmos no atrativo de indústrias. Na pesquisa que o Fórum fez no ano passado, vimos que a população não é contra indústria, que traz empregos e desenvolvimento. É preciso pensar nessa questão”, finaliza.

Participação da sociedade

Para o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina, Clodomiro Bannwart, os cidadãos precisam se atentar que as questões políticas afetam a todos. “Toda decisão política vai ter uma consequência para a sociedade”, enfatiza. “Nestas eleições, que a política seja encarada como um instrumento de incentivo, de planejamento, de mobilização. Que os cidadãos possam canalizar energia para que cada parcela social possa cumprir sua cota de responsabilidade. Temos que ter um envolvimento maior do cidadão”, destaca.

De acordo com Bannwart, as recentes rupturas e as descontinuidades nas administrações fizeram com que não houvesse um planejamento estrutural da cidade de médio e de longo prazo. “Isso começou a ser retomado na gestão (Alexandre) Kireeff e espero que tenhamos a possibilidade de colocar no pleito eleitoral. Não pensar somente naquilo que nos acomete de forma emergencial. Temos que pensar na infraestrutura para que a cidade possa estar bem planejada, com desenvolvimento, qualidade dos serviços públicos, um pouco mais além do que somente o atendimento a demandas do passado.”


Estou focado na gestão”, afirma Kireeff

Como o senhor avalia esses dois anos e meio de administração?

De forma objetiva, as metas que nós estabelecemos estão sendo, a maioria, cumpridas dentro do cronograma. Com algumas exceções, que são aquelas vinculadas a terceiros. Por exemplo, o nosso programa habitacional é dependente do programa federal Minha Casa, Minha Vida, então quando ele não vai bem, aí a nossa meta acaba ficando comprometida.

Quais foram os principais desafios enfrentados até agora?

Primeiro foi equilibrar as contas públicas que no início do mandato estavam em condições bastante deterioradas. Tínhamos um déficit estimado em R$ 70 milhões, a Sercomtel tinha um balanço com R$ 65 milhões de prejuízo, tinha pedido R$ 47 milhões de aporte. Nós conseguimos reequilibrar. Também reorganizar os dois principais serviços do município: Educação e Saúde. Faltavam 79 salas de aula, mais de 700 professores, uma quantidade imensa de profissionais da Saúde, só uma ambulância funcionando. Um conjunto de desafios importantes que nós também conseguimos redirigir para a regularização. E o terceiro principal desafio era acabar com os contratos emergenciais. Havia uma desorganização no processo licitatório, de contratação de serviços terceirizados gravíssimo. Aí a gente inclui coleta de lixo, varrição, gestão da CTR (Central de Tratamento de Resíduos), merenda escolar, transporte escolar rural, Saúde. Ao final do primeiro ano já havia sido superado.

Quais seriam os principais gargalos da administração até o final de 2016?

Sem sombra de dúvida, é finalizar a reestruturação da Saúde. Não é um desafio fácil até porque dependemos de terceiros, do governo federal em especial. Para o tratamento da média e de alta complexidade, se não tivermos o compromisso do governo de arcar com suas responsabilidades, não há como o município superá-las. E finalizar o redimensionamento das equipes da Saúde da Família e a quantidade de profissionais em todos os serviços. Esse é o maior desafio e que depende de orçamento, do desempenho da receita do município, da economia das despesas correntes para gerar caixa suficiente para isso. Além de ganhar eficiência na execução dos serviços.

Desde o início da sua gestão, o senhor diz que é contra a reeleição, mas está chegando o processo eleitoral. Qual é hoje o seu posicionamento?

Eu continuo sendo contra a reeleição. Não me coloco como candidato a reeleição. Sempre deixei em aberto a possibilidade porque já aprendi na minha vida que as vezes as circunstâncias acabam se modificando, mas em princípio não sou candidato a reeleição. Estou focado na gestão e não em qualquer tipo de articulação. Não faz parte do meu cotidiano esse tipo de preocupação, mas percebo que a cada dia esse tema se torna mais intenso no meu cotidiano. As pessoas me cobram. Sou cobrado dentro do partido, no meio da rua, no avião, no ônibus. Onde quer que eu vá, as pessoas me cobram.

Apesar da sua convicção pessoal, dá para colocar um prazo para que haja uma definição?

Não, até porque eu tenho tantas obrigações cotidianas, operacionais, que eu não consigo me dedicar a avaliar essa questão. A minha prioridade é a gestão da cidade. Sei lá quando vou tratar disso, mas em princípio continuo com a minha posição, encerrar o meu mandato e se Deus quiser vamos ter um prefeito melhor que eu para me suceder.