01/08/2014 00:00:00 Pontos de ônibus podem receber pisos de concreto

Fonte: Folha de Londrina

As deformações no asfalto, conhecidas também como borrachudos e panelas, estão presentes em vários vias de Londrina, como na Rua Professor João Cândido (área central), na rotatória do Terminal Ouro Verde e nos Cinco Conjuntos (ambos na zona norte). Elas são provocadas pela combinação do alto fluxo dos veículos, deterioração da base estrutural da via e pela variação da temperatura. As consequências disso atingem comerciantes, prestadores de serviços, pedestres e condutores. 

O cabeleireiro Ary Magalhães Azevedo possui um salão na João Cândido e seus clientes sofrem com a elevação da sarjeta provocada pelos borrachudos. A reportagem presenciou uma de suas clientes saindo com o carro no estabelecimento e o fundo do veículo raspou na guia da calçada. "Uma de minhas clientes ia sair da vaga e sentiu o carro bater na guia. Ela parou o carro na faixa exclusiva e um ônibus acabou batendo no carro dela", reclamou. 

Perto dali o corretor imobiliário Marcelo Scandalae reclama que a prefeitura realizou o serviço de tapa-buracos em frente de seu estabelecimento, no entanto as guias e sarjetas foram destruídas pelo borrachudo gerado pelo fluxo elevado de ônibus. Segundo ele, os pedaços remanescentes acabaram incorporados ao remendo asfáltico e ficaram acima do nível da calçada. 

"Essa faixa exclusiva deveria ser de concreto para acabar com essas deformações no asfalto", sugeriu o corretor. Segundo o secretário municipal de Obras, Walmir Matos, não há planejamento para implantar uma faixa exclusiva de concreto, mas já há uma previsão para implantar pisos de concreto em frente aos pontos de ônibus. 

Matos destacou que os recursos para isso já estão liberados pelo programa Paraná Cidades. "Foram liberados R$ 10 milhões e parte disso pode ser voltada para a implantação desses pavimentos de concreto", destacou. Ele explicou que o projeto dessas benfeitorias será concluído em 20 ou 30 dias e será encaminhado para o programa Paraná Cidades, do governo estadual, para aprovação. "Assim que eles derem o OK, nós publicaremos o edital. Acredito que até novembro as obras se iniciem", projetou. 

O secretário ressaltou que não foi possível fazer um planejamento para concretar toda a via porque não há dotação orçamentária e nem há empresas com experiência em concretar uma via inteira. 

O azulejista Evaldo Lopes afirma que a concretagem apenas nos pontos de ônibus continuará gerando problemas. "O concreto é mais resistente, mas acredito que se não for implantado na via inteira surgirá um problema na junção do concreto com o asfalto. Ali, se não receberem manutenção constante, formarão panelas (buracos) e não adiantará nada", analisou. 

Para o soldador Alzemiro Pinheiro, a adoção de pavimentos de concreto em frente aos pontos de ônibus ajudará muito. "Eu ando de moto e sempre que passo por esses pontos a gente dá uma desequilibrada e corre o risco de cair", relatou. Ele contou que seu irmão já sofreu um acidente de moto quando passou por uma panela. "Ele passou com a moto na Vila Santa Terezinha, aí o pneu travou no buraco e ele caiu", relatou. 

USUÁRIOS
Para os usuários de ônibus, a implantação do concreto pode melhorar a situação das pessoas que descem dos coletivos. A estudante de Odontologia Giovanna Simonetti relata que viu por diversas vezes pessoas tropeçando nessas deformações asfálticas. "Vai ser bom para evitar acidentes", afirmou. 

A coordenadora de vendas Bárbara de Matos afirma que o problema não é exclusivo dos pontos de ônibus, mas também nos locais em que há um fluxo grande de veículos. Ela cita a rotatória do Terminal Ouro Verde, que também recebe muitos ônibus, mas também circulam muitos veículos de passeio. "O problema é quando formam essas depressões e nos dias de chuva a água fica empoçada e os veículos passam correndo e molham todos que estão ao lado", reclamou.