03/07/2017 08:12:22 Portas abertas para a tradição

Fonte: Revista Mercado em Foco - ACIL - Por Renato Oliveira

A mais antiga sem dúvidas é a Viação Garcia. Pioneira na área do transporte no Brasil, a empresa funciona desde janeiro de 1934. É onze meses mais velha até que Londrina, que foi fundada dezembro do mesmo ano. A Bolivar Calçados está há 71 anos de portas abertas no mesmo local, no Calçadão, e já é parte do imaginário de quem circula pela Avenida Paraná. A Folha de Londrina informa e leva a nome da cidade para todo o Brasil há 68 anos e a cada dia se reinventa para continuar líder no mercado. Entre os representantes da indústria, a Cacique de Café Solúvel foi fundada há 58 anos e é referência no ramo de café e se consolida no Exterior, levando a marca de Londrina para o mundo inteiro.

Junto ao clã das veteranas tem ainda o grupo do “Jubileu de Ouro” da ACIL. Empresas que há mais de 50 anos estão em plena atividade, assim como a Cacique. São elas o Hotel Bourbon, com 54 anos, a Imobiliária Coroados, com 51, a rede Móveis Brasília que comemora em 2017 seu meio centenário de vida. E para finalizar têm as Casas Ajita, que em 2018 também chega aos 50 anos. Confira um perfil de cada uma delas, que fazem parte do imaginário do londrinense e estão presentes nos corações e mentes do povo desta terra vermelha.

Garcia, a pioneira no desenvolvimento

Fundada em 15 de janeiro de 1934, a Viação Garcia é uma das mais importantes empresas de Londrina devido sua íntima participação na colonização do Norte do Paraná. O imigrante espanhol Celso Garcia Cid transformou seu velho caminhão Ford BB, de 1933, em um ônibus improvisado: a Catita. Assim começou a história da empresa responsável por trazer imigrantes para o Eldorado do Café, no Norte do Estado, oriundos do interior de São Paulo e capital. A Viação Garcia cresceu no ritmo acelerado que impulsionou o desenvolvimento de vários municípios da região, transportando pioneiros, imigrantes, colonizadores, trabalhadores e empreendedores.

No início de 2014, o controle societário da Viação Garcia foi transferido para a Brasil Sul. Sob a gestão de José Boiko, presidente, e Estefano Boiko Junior, vice-presidente, a Viação Garcia recebe investimentos em novas tecnologias para garantir maior conforto e segurança de seus passageiros. Até hoje, a empresa mantém um museu com exemplares de ônibus que marcaram sua ascensão em mais de 80 anos de história, como a histórica Catita.

Sete décadas no coração de Londrina

A Avenida Paraná é o coração de Londrina. Na segunda metade da história da cidade, a via principal, do footing e dos grandes letreiros, se reinventou como Calçadão. Um cartão postal que dá um frio na barriga de quem está distante da terrinha. E a Bolivar funciona há 71 anos no mesmo lugar desde que abriu as portas, em 1946. O senhor Jacy Boechat comprou a loja, em 1955, de José Garcia Bolivar Léllis, o “seo” Bolivar, e atualmente a quarta geração da família “Boechat Fonseca” comanda a empresa que possui como filosofia a satisfação do cliente e ter os funcionários como parte da família. Luiz Hamilton Fonseca é sócio-diretor da Bolivar, já fez parte da diretoria da ACIL, e ressalta a marca que a empresa dele tem com a entidade, que é fundamental na defesa dos interesses dos comerciantes. Ele cita como exemplo a abertura aos sábados à tarde e a luta pela melhoria dos acessos à cidade. “Ao longo da história, a ACIL firmou-se como a principal entidade da cidade atuando firmemente nas esferas públicas em defesa dos interesses do empresariado e da coletividade”, enfatiza Fonseca.

O poderio do Grupo Folha

O jornal Folha de Londrina ostenta desde a década de 1970 o posto de maior jornal impresso do interior no Paraná. A empresa é a responsável por mostrar Londrina para todo o Brasil, além da forte influência que exerce no Norte do Estado. Fundada em 1948, conheceu o sucesso nas mãos do jornalista João Milanez. Nos anos 1990, o banqueiro José Eduardo Andrade Vieira comprou o jornal e deu continuidade ao seu poderio, conquistando mais leitores. O jornal funciona há 68 anos e desde que o “Homem do Chapéu” faleceu é comandado por sua filha, Alessandra Andrade Vieira Mejía, que é casada com José Nicolás Mejía - eles são, respectivamente, conselheira e superintendente do Grupo Folha. Diante da crise dos veículos impressos, o jornal resiste bravamente no ramo com os portais Folha de Londrina e Bonde. Recentemente, o grupo adquiriu a MultiTV e ampliou a presença no mercado. Segundo Mejía, as novas gerações consomem informação transmídia, que vai do analógico ao digital e navega entre os diversos ambientes. “Nosso compromisso é continuar brindando a nossa audiência com conteúdo relevante para o dia a dia, com credibilidade e imparcialidade”, acredita o empresário.

Cacique” da indústria

A cafeicultura foi a marca da economia londrinense até os anos 1970. E a Companhia Cacique de Café Solúvel é sua briosa remanescente. Fundada por Horácio Sabino Coimbra, ele chegou ao Norte do Estado com a missão de implantar empreendimentos na área cafeeira. O atrativo seria a fertilidade do solo da região, considerada na época a maior produtora de café do mundo. Em outubro de 1959, Coimbra abre as portas da Cacique. Hoje, a empresa lidera o setor de exportações de café solúvel no Brasil. Encerrou os balanços de 2016 com 35% de participação no mercado e presença em mais de 70 países. E ainda gera cerca de 800 empregos diretos e divisas para a região de Londrina. Segundo o diretor de Relações com os Investidores, Paulo Roberto Ferro, no primeiro semestre deste ano a multinacional Jacobs Douwe Egberts (JDE), líder mundial do mercado de cafés e chás, anunciou a sua intenção de adquirir o portfólio da Cacique, entre elas as marcas de café Pelé, Graníssimo e Tropical. “Aos 58 anos, a Cacique ainda continua na ativa e levando o nome de Londrina para fora do Brasil”, descreve Ferro.

Memórias da cafeicultura

O Hotel Bourbon é mais um dos símbolos do período em que a cafeeicultura dominava a economia de Londrina. Fundado em 1963 pela família Vezozzo, está na região mais tradicional do centro, na Alameda Miguel Blasi, atrás da Catedral. Roberto Vezozzo até hoje cuida pessoalmente do negócio que herdou dos pais imigrantes de italianos, Caetano e Angelina Ricci Vezozzo. A rede tem 54 anos e possui mais de 15 filiais em outras cidades e Estados brasileiros, no Paraguai e na Argentina. O barman João Sampaio, o Joãozinho, trabalha há 40 anos servindo políticos, empresários, pecuaristas, artistas, jogadores de futebol, jornalistas e simboliza parte da história do Bourbon. Dentre os hóspedes, passaram pelos quartos artistas como Roberto Carlos e Erasmo. Entre os jogadores de futebol, hospedou o rei Pelé, em 1972. Sem contar inúmeros atores e atrizes. Para Joãozinho, a principal marca do hotel é a presença de hóspedes nos primeiros anos da Expo Londrina. “Naquela época havia poucos hotéis e o Bourbon era a melhor opção. Famílias de pecuarista chegavam a ficar 15 dias hospedados. Muitos vinham antes para trazer o gado e aproveitar a cidade”, recorda. 

A pioneira no mercado imobiliário

O mercado imobiliário é a identidade de Londrina. A verticalização ficou famosa e se potencializou nos anos 1980. Atualmente é o principal setor com negócios que movimentam bilhões anualmente. E a Imobiliária Coroados faz parte do embrião deste cenário econômico. Fundada em setembro de 1965 por um grupo de vinte cinco imigrantes japoneses, pertence ao panteão do “Jubileu de Ouro” da ACIL – está com 51 anos. Segundo a proprietária Angela Ida, o auge foi em 1985 quando representou as vendas de apartamentos da Artenge e chegou a ter 1,3 mil imóveis na carteira de locação. “Nesta época os vendedores comemoravam grandes comissões. Muita gente ganhou dinheiro”, recorda. A colônia japonesa é fundamental para o sucesso da Coroados, de quem tem a preferência há anos. Angela também destaca o papel da ACIL como preponderante para o trabalho da imobiliária. “Utilizamos o serviço do Fácil Imobiliário que auxilia na aprovação de cadastro de nossas locações”, destaca ela. A Coroados está em processo de fusão com a Imobiliária Casa Verde.

A loja da família londrinense

A avenida Duque de Caxias é o berço da rede Móveis Brasília. A loja pioneira foi fundada por Francisco Ontivero, em 1967, no auge da economia cafeeira no Norte do Paraná. E virou uma rede que é uma empresa familiar que vai completar 50 anos, em 2017. Conta com 19 lojas em Londrina, Norte do Estado e Santa Catarina e a mais recente e bem-sucedida estratégia comercial do grupo foi um atacado de celulares, com 2 mil clientes no Sul do Brasil, e 18 lojas da Vivo. A relação com a ACIL é longeva e presente. O “seo” Francisco foi do conselho fiscal em duas gestões e seu filho, Marcelo Ontivero, é o atual diretor-financeiro do Móveis Brasília e compôs a diretoria da entidade também por duas vezes. O atual vice-presidente da ACIL, Fernando de Moraes, é o diretor comercial da empresa. “A Loja da Família” é um slogan tão bem sucedido que se tornou uma espécie de codinome da marca. “A loja está inserida no imaginário das pessoas como se fosse parte da família. Pela tradição, porque em quase toda casa do londrinense tem um produto adquirido no Móveis Brasília. E por ser uma loja que tem tudo o que as famílias precisam”, destaca Moraes.

Ajita e a força do crédito

“A maior identidade das Casas Ajita com Londrina com certeza é o nosso crediário que abriu as portas para muita gente ter acesso a um calçado de qualidade”. Estas são as palavras de Yukio Agita, que aos 79 anos, é o fundador da rede com 34 lojas e está presente em Londrina, Paranavaí, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel, entre outras. A primeira loja inaugurada em Londrina foi na rua Sergipe, em março de 1968. Faz 49 anos que o crediário do “seo” Yukio faz parte da vida do londrinense. Ele foi um dos coordenadores do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da ACIL entre 1978 e 2004. Sua participação foi fundamental para a consolidação do serviço, pois contribuía com a prática da venda a prazo. E a peça chave para que as Casas Ajita, com seu “crediário à jato” se consolidar como um dos mais tradicionais grupos do comércio varejista do Paraná. “A Ajita mantém o sistema de carnês para dar crédito fácil e rápido à população. Isso cria intimidade e vínculo com o cliente. É a maior identidade do nosso negócio com Londrina e também com a ACIL”, comenta o empresário.