05/01/2015 00:00:00 Produção acadêmica em Londrina dobra em uma década

Fonte: JL

A produção acadêmica em cursos de mestrado e de doutorado das instituições de ensino superior de Londrina dobrou em uma década, como aponta o novo levantamento feito pelo Fórum Desenvolve Londrina: foram 283 defesas em 2004, contra 608 em 2013. A Universidade Estadual de Londrina (UEL), que tem 44 cursos de mestrado e 20 de doutorado, foi responsável pela maior parte da produção total do Município, com 480 dissertações de mestrado e 95 teses de doutorado defendidas no ano retrasado. A Universidade do Norte do Paraná (Unopar) foi a segunda que mais contribuiu, com 22 dissertações de mestrado.

De acordo com as duas instituições, a tendência para 2014 era manter o crescimento na produção acadêmica de pós-graduação. O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEL, Amauri Alcindo Alfieri, avaliou que haveria um crescimento de 20% a 25% em 2014, em relação a 2013. O número da Unopar também deveria crescer no ano passado, na comparação com o ano anterior: até dezembro foram defendidas 77 dissertações de mestrado e sete teses de doutorado.

Na opinião do pesquisador aposentado do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e membro da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região (Adetec) Paulo Varela Sendin, essa produção acadêmica é importante porque produz “conhecimentos específicos sobre Londrina”.

Segundo ele, o objetivo do levantamento do Fórum Desenvolve Londrina é “identificar alguns indicadores que mostram que existe produção científica” na cidade. Produção que pode ou não ser transformada em tecnologia, que é o foco da Adetec. Mesmo a produção na área das ciências humanas, que não tem impacto direto na produção de tecnologia, “é importante para o desenvolvimento da cidade”.

Conhecimento

Alfieri ressaltou que a função dos programas de pós-graduação, chamados também de stricto sensu, é produzir conhecimento. “Quando o aluno faz uma graduação, ele recebe conhecimento. No mestrado e no doutorado, ele produz”, diferenciou.

De acordo com Alfieri, o impacto na sociedade desses trabalhos é importante e acontece em diversas áreas. Como exemplo, citou os cursos da área de ciências humanas, que qualifica professores do Ensino Fundamental. “As dissertações são para resolver problemas locais, melhorando a qualidade da educação. O impacto é direto.”

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação lembrou ainda que os mestrados e doutorados da UEL contemplam todas as áreas do conhecimento. Esses cursos são avaliados anualmente pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação do Ministério da Educação (MEC) responsável pela pós-graduação no País.

Foco no setor de produção

Na Universidade do Norte do Paraná (Unopar), os cursos de mestrado e de doutorado procuram estar “associados ao setor de produção” e “visam resolver problemas aplicados nos segmentos”, conforme explicou o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Hélio Suguimoto.

Ele deu como exemplo o mestrado em Ciência e Tecnologia do Leite, que tem alunos do Rio Grande do Sul que estudam o leite de ovelha. “Eles têm produção de leite de ovelha e não têm manteiga de leite de ovelha. Trouxeram esse problema para desenvolver a tecnologia.”

A sociedade muitas vezes não sabe o que é produzido na academia e que é preciso fazer uma aproximação para facilitar a aplicação desse conhecimento produzido, defendeu. “Há uma distância enorme. O Brasil tem um nível de produção muito relevante derivada do stricto sensu que não é aplicado.”

UEM na frente

Com 42 mestrados, 37 deles acadêmicos e cinco profissionais, e 22 doutorados, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) superou a produção de dissertações e de teses das instituições de ensino superior de Londrina em 2013. Foram 573 dissertações de mestrado e 217 teses de doutorado, totalizando 790 trabalhos, segundo a instituição. 

A universidade maringaense também forneceu números parciais de 2014. Até setembro foram defendidas 505 dissertações de mestrado e 149 teses de doutorado, totalizando 654 trabalhos.