08/08/2014 00:00:00 Sociedade civil leva a candidatos propostas para desenvolver o PR

Fonte: Gazeta do Povo

Os três principais candidatos ao governo do Paraná receberam ontem um conjunto de propostas apresentadas pela sociedade civil do estado. Beto Richa (PSDB), Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) se comprometeram a analisar as sugestões levadas a eles pelos integrantes do Fórum Permanente de Desenvolvimento. Os três candidatos também aproveitaram o evento promovido para o fórum para apresentar seus planos de governo e criticar os adversários.

O documento entregue aos candidatos tenta analisar quais são os gargalos para o desenvolvimento do Paraná e prevê uma série de ações que poderiam trazer melhorias para o estado. As propostas giram em torno de quatro eixos: educação, gestão pública, infraestrutura e inovação e empreendedorismo. Cerca de 300 pessoas participaram do evento, realizado no ExpoUnimed, e puderam fazer perguntas para os candidatos.

Primeiro a falar, Roberto Requião afirmou que, caso seja eleito, pretende fazer um governo similar a seus anteriores. “Fui governador três vezes. Se viesse aqui dizer que tive ideias e não executei, seria ridículo”, disse. O senador passou boa parte de sua palestra falando sobre assuntos econômicos e resgatando a história recente do capitalismo. Ele fez também críticas à política econômica da presidente Dilma Rousseff (PT), que considerou excessivamente focada na democracia social e pouco focada no desenvolvimento. Segundo a assessoria do candidato, as propostas serão analisadas e poderão fazer parte do plano de governo do peemedebista, que ainda está em construção.

A segunda apresentação foi da petista Gleisi Hoffmann, que falou sobre investimentos do governo federal no Paraná. A candidata afirmou que, se eleita, fará uma espécie de “PAC Paraná” para melhorar a infraestrutura do estado, usando recursos próprios, federais e de operações de crédito. Ela propôs, também, zerar impostos estaduais para microempresas. Gleisi falou, ainda, em reduzir o número de comissionados do estado e criticou o aumento na tarifa de energia da Copel. A campanha da senadora disse que ela tem diálogo constante com o Fórum e que considera que a participação da sociedade é importante no debate.

Richa fez a última palestra do dia e disse que pretende manter as diretrizes do atual mandato. O tucano ressaltou ter recuperado a confiança dos investidores privados no Paraná e que, através do programa Paraná Competitivo, trouxe R$ 35 bilhões em investimentos para o estado. O governador disse ainda que pretende cortar três secretarias e enxugar a máquina do estado. A coordenação da campanha afirmou que as propostas ali apresentadas serão analisadas pela equipe que está preparando o plano de governo.

Richa, Requião e Gleisi trocam farpas

Ainda que não tenha acontecido um embate direto entre os concorrentes, o evento do Fórum Permanente de Desenvolvimento pode ser encarado como uma espécie de prévia dos próximos debates eleitorais. Foi o primeiro evento conjunto de campanha dos três postulantes ao Palácio Iguaçu, que aproveitaram para criticar os adversários.

Os dois candidatos de oposição fizeram críticas à atual gestão. Primeiro a falar, Requião se referiu, em diversos momentos, a uma suposta “crise de gestão” no governo do estado. “Não é falta de recursos, é falta de gestão. Não há comando no estado”, disse. Ele aproveitou também para ironizar alguns episódios recentes envolvendo a situação financeira do Paraná. Questionado sobre a segurança, ele começou a resposta dizendo que “o fundamental é pôr gasolina na viatura”.

Já Gleisi acusou Richa de não ter se empenhado para conseguir recursos em Brasília, ao contrário de outros governadores, que teriam viajado à capital federal e discutido seus projetos com o Planalto com muito mais frequência – ela incluiu, entre os citados, três governadores tucanos. “O governo estava com um empréstimo travado e ele nem sequer tentou marcar uma audiência com o Ministro da Fazenda”, disse.

Por ser o último a falar, Richa entrou no palco sabendo o que seus adversários tinham falado – e respondeu em um tom bastante crítico. Ele acusou Requião de ser “prepotente, arrogante e sabichão” e que, por “achar que sabia de tudo”, teria governado sem conversar com ninguém e deixado o estado em uma situação financeira delicada. Em recado para Gleisi, o tucano voltou a dizer que o Paraná sofre uma “perseguição política sem precedentes” por parte do governo federal. Acrescentou ainda que teve as portas fechadas em Brasília e que passou mais de um ano tentando uma audiência com a presidente Dilma Rousseff (PT).