28/07/2014 00:00:00 Desindustrialização: Situação no Paraná é diferente, diz Fiep

Fonte: Folha de Londrina

O economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) Roberto Zurcher concorda que o Brasil vive um processo de desindustrialização, que, segundo ele, se caracteriza pela "perda da densidade industrial". "Ocorre quando deixamos de ter cadeias produtivas completas", explica. Isso acontece, de acordo com Zurcher, em setores de mais tecnologia. "Por exemplo: quando o País deixa de fabricar determinados componentes do computador e passa e comprar esses componentes no exterior, ele está rompendo uma cadeia produtiva completa e se desindustrializando", afirma. 

Alta carga tributária, deficiências de infraestrutura, e real apreciado são as principais causas desse processo, de acordo com o economista. "Além disso, temos concorrente (China) que não é economia de mercado de fato, o que impede uma competição saudável", declara. 

Por ter foco no agronegócio, o Paraná, na opinião de Zurcher, não estaria num processo de desindustrialização. "Temos aqui a cadeia completa da agroindústria", ressalta. Apesar disso, de acordo com ele, a indústria local sofre pelo desaquecimento econômico do País. "O modelo que o Brasil adotou, de incentivo ao consumo, esgotou-se. O crescimento baseado no crédito atingiu seu topo e não faz mais a economia crescer", afirma. 

Além disso, o economista destaca a inflação próxima do teto da meta como outro fator a prejudicar a indústria no Paraná. "Com preços em alta, o poder de compra do consumidor cai", justifica. Para ele, devido às eleições, 2014 é um ano perdido. Zurcher diz que não é "exagero" acreditar que os investidores vão preferir esperar o resultado das urnas e as novas propostas dos eleitos para tomarem decisões sobre investir ou não no País. 

Questionado sobre o fato de a indústria ainda ter criado mais de 12,5 mil empregos no Paraná no primeiro semestre, ele afirma que isso se deve ao fato de a agroindústria ainda estar processando parte da safra. "E também porque, no setor industrial, a última coisa da qual os empresários abrem mão são seus empregados. Neste setor, a mão de obra demanda investimentos e então os patrões tentam segurá-la ao máximo", declara. (N.B.)
 

Indústria do PR retrai 1,7% e cria 48% menos empregos

Assim como em todo o País, a indústria paranaense passa por um momento difícil. A produção física, de janeiro a maio deste ano, caiu 1,7% no Estado, na comparação com o mesmo período do ano passado. A queda é discretamente maior que a média nacional, de 1,6%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Das 13 atividades pesquisadas pelo instituto no Paraná, oito apresentaram retração. O segmento que mais contribuiu negativamente foi o de veículos e implementos rodoviários (- 8,1%). Em seguida, vem o de produtos alimentícios, que caiu 7,9%. As fábricas de móveis produziram 7,1% menos, e as de máquinas e equipamentos, 6,3% menos. Os outros segmentos responsáveis pela retração foram o de celulose, papel e produtos de papel (-3,5%); o de produtos químicos (-2,8%); e o de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,3%). 

Apenas cinco atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram aumento de produção física. A de produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos) subiu 1,6%. A de produtos de borracha e plástico cresceu 5,2%. A fabricação de produtos de madeira aumentou 6,4% e a dos derivados de petróleo e biocombustíveis, 8,8%. Os segmentos que mais apresentaram expansão foram bebidas (8,8%) e produtos minerais não metálicos (10%). 

Outro indicador importante para medir a queda da produção industrial é o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No primeiro semestre deste ano, foram criados 12.591 empregos no setor, no Paraná, 48% menos que os 24.436 do mesmo período do ano passado. Dos 12 subsetores da indústria de transformação paranaense pesquisados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nove abriram menos vagas. E três cortaram vagas. 

A indústria do material de transporte havia criado 1.502 empregos nos primeiros seis meses de 2013. E, neste ano, cortou 1.023. Na metalúrgica, o Caged saiu de um saldo positivo de 1.705 empregos para outro negativo de 521. Por último, a indústria de material elétrico e de comunicações, que já havia cortado 116 vagas de janeiro a junho de 2013, neste ano cortou outras 283. 

Indústria Têxtil, indústria química de produtos farmacêuticos e veterinários, e indústria mecânica foram atividades que criaram menos vagas, mas ainda mantiveram saldo positivo entre admissões e demissões. A primeira criou 4.549 postos no primeiro semestre do ano passado e agora abriu apenas 1.818. A química de produtos farmacêuticos e veterinárias baixou de 3.820 pra 1.377 vagas. E a mecânica, de 2.150 para 652. 

Já a de bebidas, que segundo o IBGE teve um aumento de 8,8% na produção neste ano, criou mais vagas. De janeiro a junho de 2013, o segmento apresentou um saldo positivo de 6.656 e, no mesmo período de 2014, o saldo foi de 7.325. 

Segundo André Luiz Oliveira Macedo, gerente de Análise e Estatísticas Derivadas da Coordenação de Indústria do IBGE, 68% dos produtos investigados na indústria alimentícia do Paraná mostraram queda na produção física no período de janeiro a maio deste ano, comparado com o mesmo do ano passado. Os mais significativos, segundo ele, foram tortas, bagaços, farelos e outros resíduos da extração do óleo de soja; óleo de soja refinado; carnes e miudezas de aves congeladas; rações e outras preparações utilizadas na alimentação de animais; chá-mate beneficiado; e açúcar.