25/05/2015 00:00:00 Unindo forças pelo bem comum

Fonte: Michele Aligleri - Revista Mercado em Foco

empreender 
em.pre.en.der 
(em2+lat prehendere) vtd 1 Resolver-se a praticar (algo laborioso e difícil); tentar, delinear: Empreender o domínio de si mesmo. vtd 2 Pôr em execução: Conseguira empreender um regulamento aos subalternos.vtd 3 Realizar, fazer: Empreender uma viagem. (Fonte: Dicionário Michaelis online)

É justamente este verbo que dá nome a um projeto de excelência da ACIL. Com o objetivo de estimular a integração entre os empresários, a troca de experiências para solucionar problemas e criar estratégias de mercado, o Programa Empreender volta à ativa. Criado em 1999 e desenvolvido por cerca de dez anos, o programa – que tem como finalidade a formação de grupos de empresários que atuam no mesmo segmento para troca de experiências – chegou a ter vários núcleos atuantes em diferentes setores. De acordo com a analista de negócios da ACIL, Valéria Furlan Sitta, na época de maior evidência entre 20 e 25 núcleos atuaram simultaneamente. Diante da necessidade de alguns setores, optou-se pela retomada do programa. Atualmente, quatro núcleos já estão em andamento e há previsão de lançar mais seis novos núcleos ainda neste ano.

Um consultor acompanha os empresários do grupo e é responsável pelos planejamentos estratégicos que serão seguidos pelos participantes. Junto aos empresários ele define as ações mercadológicas. “Nestas reuniões as empresas participantes discutem a situação atual, as estratégias e as atividades que podem ser desenvolvidas por todos para um melhor desenvolvimento das empresas e principalmente para fortalecimento do setor”, conta Valéria.

A criação dos núcleos é definida de acordo com a necessidade do segmento. O programa tem uma metodologia própria em que cada empreendedor tem um importante papel dentro do grupo. “O empreender é uma importante ferramenta de direção para os negócios, o programa permite que os participantes pensem e busquem soluções juntos para as dificuldades que surgem”, complementa. Valéria explica que o programa colhe bons frutos porque, além de contar com consultores especializados como moderadores, tem o apoio da Federação das Associações Comerciais e Industriais do Paraná (Faciap).

Para a analista de negócios, a formação dos núcleos setoriais não beneficia apenas aquele segmento em questão. “As ações refletem em melhora e fortalecimento do mercado – e isso também é importante para todo o município”, destaca.


Quando o concorrente é aliado

O consultor e moderador do Núcleo de Consultores Empresariais, Cristovam Dias Junior, explica que a união de empresários do mesmo setor possibilita a realização de um planejamento e ampliação da competitividade. “Se todos enfrentam o mesmo tipo de problema, fica mais fácil encontrar solução. Empresários unidos ficam mais fortes”, salienta. Segundo ele, um dos grandes desafios iniciais da formação de núcleos consiste em estabelecer parceria e confiança entre os participantes. “Apesar de serem concorrentes da porta para fora, é possível trabalhar em conjunto para que todos saiam ganhando”, aponta. Cristovam ainda destaca que a verticalização e fortalecimento das grandes empresas tendem a esmagar as pequenas que não se unirem estrategicamente, por isso ele considera o trabalho do Programa Empreender tão importante.

Com empresários aliados, fica mais fácil divulgar o setor, negociar capacitações, buscar tecnologias e inovação. O consultor acrescenta que o trabalho em equipe abre um leque de condições que muitas vezes o pequeno empresário não consegue alcançar sozinho. “Pensar a empresa de forma estratégica faz diferença nos dias atuais”, ressalta. Para o consultor, o associativismo é um caminho natural para ampliar o mercado das micro e pequenas empresas. “O segredo está em ver o concorrente como aliado em alguns momentos. O Programa Empreender vem para quebrar paradigmas e auxiliar o empresário a ter uma visão diferente da empresa e do mercado.”


Juntos contra a venda clandestina

O Núcleo de Gás é um dos que já estão em andamento nesta nova etapa do Programa Empreender. O empresário Marcelo da Costa viu na iniciativa uma oportunidade de melhorar seu negócio e se aliar a outros empresários do setor para combater o comércio clandestino do produto. Segundo ele, apesar de serem poucos, os empresários participantes estão bastante unidos. “Estamos lutando para combater esta questão e precisamos de mais empresários do setor para auxiliar”, comenta.

As reuniões do Núcleo de Gás já começaram há um ano e meio e o principal desafio é encontrar estratégias para disputar o mercado com indivíduos que comercializam o produto de forma irregular. “A fiscalização é muito falha, qualquer pessoa pode comprar uma moto e começar a vender gás. Ela não paga impostos, faz a entrega com veículo inadequado, vai até os clientes e consegue cobrar mais barato. É difícil combater sozinho, mas juntos podemos encontrar saídas para este problema”, ressalta. Marcelo lembra que vender gás clandestino é crime. “Como a fiscalização é deficiente cabe aos empresários se organizarem e dificultarem o trabalho de quem faz este tipo de venda”, observa.

Para ele, além das ações estratégicas para combater a clandestinidade do negócio, a participação no Programa Empreender auxiliou na administração da empresa de modo geral. “Comecei a calcular os custos de forma diferente e passei a valorizar pequenas despesas que não eram computadas antes”, afirma. Ele avalia a participação no núcleo como positiva. “Pode ser que o segmento de forma geral não tenha sentido uma mudança tão grande quanto a que eu senti de forma individual”, explica.

Marcelo considera o trabalho inicial positivo, mas destaca a importância da participação de mais empresários do setor. “Minha esperança é que esta realidade mude, que as pessoas busquem se profissionalizar e que os clientes deixem de abastecer com os clandestinos”, destaca. Para ele também é importante que a população se conscientize e não compre gás sem nota fiscal.



Conhecimento dividido enriquece a todos

Carmen Benedetti tem uma empresa de consultoria empresarial e decidiu participar do núcleo destinado ao seu setor para trocar experiências com os demais profissionais da área. “Conhecimento é um bem que a gente pode dividir sem ficar mais pobre. Este núcleo só enriquece quem participa, são novos olhares, novas parcerias e conhecemos outras pessoas com a mesma afinidade”, justifica. As expectativas da empresária em relação ao núcleo são as melhores. “São muitos pontos positivos, eu até agora não considero nenhum ponto negativo. O concorrente sempre ensina alguma coisa para nós. Dá para ter uma relação saudável”, garante.

Na opinião de Carmen, quem trabalha em grupo tem mais ideias e segue mais longe, mas para alcançar um bom resultado é preciso encarar os outros participantes de maneira diferenciada. “É enxergar no concorrente uma maneira de aprender. O principal benefício é a troca de experiência, assim todo mundo sai ganhando”, complementa. Para Carmen, as reuniões permitem ainda ampliar a rede de contatos, saber mais sobre fornecedores e agendar treinamentos em grupo, atividade mais difícil para profissionais com este perfil que costumam trabalhar sozinhos.