19/05/2015 00:00:00 Quanto custa um feriado?

Fonte: Muriel Amaral - Revista Mercado em Foco

Quem não se lembra dos espetáculos circenses em que o artista gira pratos de cerâmica em finas varetas de madeira e que não pode deixá-los cair? A acrobacia requer atenção e perspicácia para que os pratos não caiam e todo o esforço desprendido seja transformado em cacos. É mais ou menos assim que empresários e comerciários terão que fazer para enfrentar a maratona de feriados para não deixar a peteca cair. Sinônimo de comemoração e descanso para muitos trabalhadores, os vários feriados prolongados que vão ocorrer esse ano no País podem ser traduzidos como medidas e ações para enfrentar os dias em que o comércio e indústrias poderão ficar parados.

Ao todo serão nove feriadões que podem prejudicar a economia brasileira, que já não anda em passos firmes quando se fala em aquecimento e poder de compra. O comércio de rua sofre ainda mais os impactos dos dias parados. Segundo informações apresentadas pelo site de notícias G1, 10% de empresas paradas significam R$ 2,36 bilhões que deixam de circular para cada feriado. Se não tem como reverter a quantidade de feriados, o que resta é arregaçar as mangas e pensar ações para que o impacto não seja tão grande e o orçamento da empresa não fique no vermelho. Além de superar os dias parados, os lojistas devem enfrentar a atitude de alguns consumidores, que preferem não usar o dinheiro durante a semana para utilizá-lo durante o feriado.

Foi pensando em driblar as consequências dos feriados que Vanda Maram e a filha Jaqueline Rivail pensaram e esquematizaram medidas para enfrentar a situação. Elas comandam duas lojas de presentes e decoração no centro da cidade. “Os feriados prolongados criam despesas para nós. Ainda mais para empresas pequenas como as nossas”, alega Vanda. Para desafiar a maratona de dias parados, a empresária não idealizou nada em longo prazo; as medidas são tomadas de acordo com o planejamento semanal. 

“Quando percebermos que o movimento está fraco, dispensamos mais cedo os funcionários no sábado ou nos dias após o feriado. Assim, não temos os custos de hora extra, transporte e alimentação, por exemplo”, explica. Ela lembra que o mês de fevereiro fechou com baixo crescimento por conta do feriado de Carnaval, mas as lojas Puro Aroma estavam de portas abertas no sábado e segunda-feira para quem quisesse fazer compras. “Mesmo com essa situação embaraçosa, não podemos fechar as portas nesses dias porque temos que respeitar o cliente, temos um compromisso com aqueles que vêm à loja nesses dias”, completa.

Para Fábio Ajita, sócio-proprietário das Casas Ajita e de outras lojas que atuam no comércio de calçados, as unidades que ficam na rua sofrem com o impacto de dias parados. De acordo com o empresário, o planejamento das lojas não contempla medidas para os feriados, pois as ações são voltadas mais para atender datas comemorativas. Todavia, ele tem um pensamento diferente sobre os feriados no ritmo de trabalho. “É importante fazer essas pausas na rotina e na vida. Logicamente que os feriados criam um ônus porque aquele dia deixamos de vender, mas se a economia estiver aquecida e a pessoa tiver dinheiro e condições de compra, em longo prazo essa ausência pode ser sanada”, explica Ajita. “Pessoas de outras cidades vêm a Londrina para fazer compras, isso contribui bastante para as vendas”, completa o empresário quando fala sobre os feriados municipais.

Para se ter uma ideia da dimensão da amplitude da rede de loja, são oito lojas que se encontram em Londrina e região, sendo que algumas dessas lojas ficam em shoppings, mas a grande maioria se localiza na rua. Sobre a abertura de lojas em shoppings, por ser uma experiência ainda muito recente, o empresário não soube mensurar a diferença entre as vendas realizadas nesses espaços ou nas lojas de ruas. “Preciso de mais um ano para verificar os números das vendas nos dois locais”, afirma.

Com outro pensamento empresarial, até porque as condições são outras, a grande quantidade de feriados é algo que consta nos planejamentos da Angelus, indústria londrinense que fabrica produtos odontológicos, pois os dias parados impactam de forma significativa na produção da empresa. Como a Angelus exporta para mais de 80 países, a produção e o atendimento a esses clientes externos não podem parar por conta dos feriados aqui no Brasil.

“No último trimestre de cada ano, a empresa realiza um planejamento anual em que são contemplados os dias de feriados e toda a produtividade para o ano seguinte”, conta Ester Falaschi, gerente de RH da empresa. Entre as principais medidas da Angelus está identificar os itens que apresentam maior urgência de produção para que o atendimento desses produtos não seja comprometido nos dias de baixa produtividade. De acordo com Ester, nos dias de baixa produtividade, como é o caso das semanas que têm feriados, a produção da empresa é voltada para composição de um estoque para atender, principalmente, aos mercados do exterior, o que garante um giro de produto e não compromete o abastecimento dos produtos e gargalos na cadeia produtiva.