13/08/2015 00:00:00 Leia na Mercado em Foco: Para afastar doenças, seja feliz!

Fonte: Fernanda Bressan / Revista Mercado em Foco

Quantas vezes você sorri por dia? A pergunta pode parecer provocativa, mas saiba que essa simples ação de abrir os lábios em um largo sorriso pode fazer muito mais por você que uma pilha de remédios. Quando damos uma bela risada, nosso cérebro produz e libera mais endorfina e serotonina, substâncias diretamente ligadas às sensações de prazer e bem-estar. A ação é tão positiva que ajuda até a aliviar dores: sorrir é um analgésico natural.

Várias pesquisas já foram realizadas ao redor do mundo para avaliar o poder do riso. Uma delas, conduzida na Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA), confirmou que o riso pode reduzir o risco de doenças cardíacas. Foram pesquisados dois grupos de pessoas que tinham sofrido um ataque cardíaco e estavam sob cuidados médicos. O primeiro assistiu a vídeos de humor durante 20 minutos, todos os dias. Após um ano, esse grupo apresentou uma queda de 66% da proteína C-reativa, que é um marcador da inflamação e do risco de problemas cardiovasculares. A queda dessa substância no outro grupo foi de apenas 26%.

De acordo com a psicóloga Elsie Silva, o nosso humor, astral e emoções influenciam, sim, na nossa saúde. “Podemos ficar doentes pelos sentimentos que não são elaborados por nossa mente e, a partir daí, aparecem como doença no corpo. Distúrbios emocionais, insatisfações, aborrecimentos constantes, pessimismo e baixa autoestima podem enfraquecer o corpo, causando diversas doenças”, atesta.

A especialista aponta ainda que muitas das dores crônicas têm como causa situações emocionais. “Recentemente atendi uma senhora que há dois anos vinha sentindo dores pelo corpo. Em sua primeira consulta, ela trouxe uma sacola cheia de remédios, muitos para dor. Após um tempo, o que foi percebido era que as dores crônicas apareceram logo após uma grande perda, o que possibilitou entender que elas tinham origem psicossomática. Nesse caso, teria que ser tratado o sintoma e também o lado emocional do problema”, conta Elsie.

Dentre as doenças que tem forte ligação com o nosso lado emocional está a depressão. “O termo psicossomática pode ser entendido de uma maneira mais simples como a origem psicológica de determinadas doenças orgânicas. Um exemplo deste quadro seria a depressão, doença que causa várias baixas no nosso organismo: baixa estima, baixa libido, baixo sono, baixa energia”, destaca a psicóloga. Ela pontua que há quadros depressivos ligados à predisposição genética, mas frisa que muitos deles são acionados por emoções ou situações difíceis na vida.

“Quando sentimentos negativos como culpa, traumas e vulnerabilidades aparecem e não falamos sobre isto, não entendemos o que sentimos, não entramos em contato com isto e muitas vezes nosso corpo adoece para que percebamos que algo está errado. Todos temos nosso órgão de choque, em uns é a cabeça (dor de cabeça), outros o intestino, outros dores em diferentes partes do corpo. Há pessoas em que isso aparece como depressão”, elenca.

O fato de ser psicossomático não diminui a veracidade desses sintomas. Elsie Silva destaca que eles existem de fato. “Nesses casos, o primeiro passo é descartar possíveis causas orgânicas, o segundo, se necessário com ajuda de terapeuta, entender e tratar o emocional que desencadeou o processo”, orienta. Se a causa está em emoções e vivências mal elaboradas, é preciso tratá-las. “Conhecendo nossas emoções, desenvolvemos um maior autocontrole sobre elas e, por consequência, ganhamos bem-estar e com certeza adoeceremos menos”, sentencia.

Microfisioterapia busca raiz de dores e doenças

Dentre os tratamentos e técnicas que olham para a importância do lado emocional na saúde do indivíduo uma tem se destacado nos últimos anos. É a microfisioterapia, de origem francesa. Pesquisando a fundo o motivo pelo qual os pacientes retornavam sempre com a mesma queixa de dor, os fisioterapeutas Daniel Grosjean e Patrice Bénini descobriram que situações vividas e não devidamente superadas pelas pessoas podem deixar marcas nas células, traumas que passam a impedir o correto funcionamento do organismo.

"Quando cortamos a pele superficialmente, logo há a cicatrização e não percebemos mais a marca do acidente. Quando esse corte é mais profundo, a pele e os tecidos também cicatrizam, mas no local fica o sinal do que ocorreu. Essa mesma analogia pode ser usada para situações vividas no campo das emoções. Perdas, frustrações, tristezas e decepções que vivemos também podem cicatrizar deixando marcas no nosso corpo. E essas marcas têm consequências, gerando doenças das mais diversas", explica o fisioterapeuta Afonso Salgado, precursor da técnica no Brasil, que chegou aqui há uma década.

“Pela microfisioterapia conseguimos identificar a origem da insônia, da enxaqueca, da alergia, da ansiedade e da dor crônica, para citar alguns exemplos, e damos ao corpo instrumentos para que ele entre em equilíbrio novamente. É o mesmo princípio da acupuntura e da homeopatia”, cita o especialista.

Bénini vem com frequência ao Brasil para ministrar cursos de microfisioterapia. Para ele, “a micro é capaz de encontrar lesões do passado, do presente e compreender o porquê que certas pessoas têm dificuldades de ir para o futuro, de ser livre”. Ao mostrar ao corpo a causa da dor, a técnica dá estímulos para que a própria célula reencontre o equilíbrio e a saúde.

Ele e Grosjean começaram os estudos sobre a microfisioterapia tendo como base a embriologia e a filogênese. Eles foram observando que ao liberar músculos do corpo, ele reagia de uma determinada forma. “Quando liberávamos um músculo da família das vísceras, por exemplo, era liberada a função de um órgão”, cita Bénini. Os fisioterapeutas foram anotando todas as ligações e reações e expandiram os testes em todo o corpo. "Percebemos que poderíamos corrigir o corpo da cabeça aos pés. Pela filogênese criamos leis no sistema nervoso que permitiu que elaborássemos a cartografia do corpo. Isso nos conduziu a todas as lesões nervosas que também envolvem disfunções musculares", detalha o fisioterapeuta.

"Podemos dizer que a técnica é extraordinária e preenche o desejo do terapeuta de poder ajudar as pessoas a sair das dificuldades que lhe emperram a vida. Com a micro, os corpos se reparam sozinhos, o terapeuta apenas tira o grão de areia que estava emperrando a máquina", compara Bénini.