30/08/2017 07:45:26 Sercomtel afirma ter reduzido prejuízo em 37%

Fonte: Folha de Londrina

A Sercomtel Telecomunicações aumentou suas receitas em 6,36% no primeiro semestre deste ano. Já as despesas da companhia cresceram 3,52% no período. Os números absolutos serão apresentados pela empresa ao Conselho Fiscal nesta quinta-feira, 31. Somente as porcentagens foram adiantadas à reportagem. Segundo a Controladoria Financeira, o crescimento da receita e o controle das despesas reduziram o prejuízo da Sercomtel em 37,4%, na comparação entre os seis meses deste ano e o mesmo período de 2016.

De acordo com o controller, Celso Pozatto, três fatores permitiram o aumento da receita. O primeiro foi o crescimento da base de clientes, devido à expansão que a telefônica tem realizado para outros municípios do Estado. "Outro motivo foi o reajuste tarifário praticado no final do ano passado", afirma Pozzato. Ele ainda cita a oferta de banda larga de alta velocidade. "Conseguimos oferecer velocidade acima de 20 megas com preços atrativos", ressalta. 

No campo das despesas, segundo o controller, foram realizadas revisões de contratos com fornecedores. "Por exemplo, a limpeza predial era feita todo dia e agora passou a três vezes por semana." A empresa também teria conseguido negociar com vários fornecedores para que não fosse aplicado o reajuste anual de contratos de longo prazo. "Vislumbramos que nos próximos meses a companhia vai começar a operar com valores próximos ao equilíbrio econômico-financeiro. É claro que não podemos prever situações que possam ocorrer até o final do exercício, como ações judiciais que venham a impactar na operação", afirma. 

Segundo o contador da Sercomtel, Sérgio Paludetto Reche, a margem Ebitda – indicador que mede a capacidade de geração de caixa da Sercomtel - saiu de 3,80% em janeiro e chegou a 9,30% em junho. "Quanto maior melhor. Esse indicador mostra que melhoramos a condição de geração de caixa operacional", declara. 

DÍVIDAS 
Além de reduzir despesas, a controladoria afirma que a Sercomtel conseguiu renegociar suas dívidas tributárias com os governos estadual e federal, o que vai permitir uma "folga" financeira nos próximos meses. "Tínhamos muitas Gias (guias de recolhimento) de ICMS parceladas em períodos distintos. Conseguimos alongar o pagamento desta dívida. A negocião (com o governo estadual ) foi em maio", conta. 

Já os débitos de PIS e Cofins com a Receita Federal, de acordo com ele, foram totalmente repactuados conforme prevê a Medida Provisória 783. "Estávamos pagando uma dívida de R$ 7,7 milhões em 60 parcelas. Pelo refinanciamento, vamos pagar cinco parcelas de R$ 116 mil e o restante será compensado por créditos tributários", afirma. "Isso vai representar um fôlego muito importante para nós", avalia. 

A dívida consolidada do grupo Sercomtel chegou a R$ 238,9 milhões em dezembro de 2016, valor muito próximo da receita anual bruta da companhia, de R$ 251,3 milhões. A principal dívida é com o Fisco. A empresa "empurrou com a barriga" R$ 61,8 milhões em imposto, 25% do total. São parcelamentos permitidos por lei, mas que um dia terão de ser pagos. O segundo maior item do passivo é a "provisão para contingências". São R$ 59,2 milhões anotados no balanço para pagamento de ações, a maior parte delas trabalhista. O valor corresponde a outros 25% da dívida. 

Em terceiro lugar, vêm os "benefícios pós-emprego", com R$ 27,9 milhões, ou 12%. Trata-se de compromissos da empresa com as aposentadorias de seus colaboradores. Juntos, os três itens correspondem a 62% do passivo. 

Devido às dificuldades financeiras, a Sercomtel corre o risco de perder sua concessão para explorar telefonia fixa. Na semana passada, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) apertou o cerco à empresa, cujas ações pertencem ao Município de Londrina (55%) e à Copel (45%). O órgão regulador restringiu a autonomia da operadora para, por exemplo, alienar ativos. E ainda abriu uma comissão para acompanhar de perto a situação.