19/11/2014 00:00:00 Setor de serviços se recupera com alta de 6,4%

Fonte: Folha de Londrina

O setor de serviços no País teve recuperação no crescimento nominal em setembro, com alta de 6,4%, superior aos 4,5% de agosto e aos 4,6% de julho. O resultado, porém, não foi o bastante para evitar que a média de 5,1% do terceiro trimestre fosse mais baixa do que os 8,7% do primeiro e os 6,2% do segundo, conforme a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 

No Paraná, no entanto, a variação foi de apenas 3,5% em setembro, pouco superior aos 3,2% de agosto e abaixo dos 4,7% de julho. A média trimestral ficou em 3,8%. Ainda assim, tanto o Estado quanto o Brasil acumulam variação positiva de 6,6% nos nove primeiros meses do ano. 

Isso se deve a fatores sazonais, diz o economista Francisco Castro, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Ele lembra que o Estado não teve bom resultado nos últimos meses em transportes por não ser período forte de safra, enquanto o País melhorou na mesma atividade, por exemplo. 

No entanto, Castro lembra que os resultados foram melhores na atividade no início do ano. "Em 2014 também tivemos problema de quebra de safra e o agronegócio demanda muito do setor de serviços no Paraná", conta. 

Mesmo assim, o economista do Ipardes acredita que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) estadual deve ser bom, ainda que desacelere em relação a 2013, estimado em 4,6% pelo próprio instituto. "A pesquisa de serviços desconsidera alguns itens, como educação e setor público, que aumentam o resultado final", diz Castro, que afirma que todo o setor de serviços representa 64% da atividade econômica paranaense. 

No Estado, as principais contribuições positivas em setembro foram de atividades de serviços profissionais, administrativos e complementares (14,8%), serviços prestados às famílias (4,9%) e serviços de informação e comunicação (4,4%). 

Abaixo da inflação
Até setembro, os percentuais de crescimento do Paraná e do Brasil estão abaixo da inflação de serviços que compõe o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), diz o economista Fábio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Como os dados apresentados pelo IBGE na PMS são nominais, que não consideram a alta nos preços no período, ele explica que a variação deflacionada seria negativa. "Foi uma recuperação frente a agosto, mas, se considerar a inflação do setor, não foi bom porque daria 2,2% negativos em relação a setembro de 2013." 

Bentes lembra que a aceleração em setembro sobre agosto também se deu sobre o pior resultado da série histórica para o mês, o que mostra o quanto o índice não deve ser comemorado. "O IBGE fez a comparação trimestral e o resultado nominal do terceiro trimestre de 2014 também foi o pior de todos", reforça o economista da CNC. 

No País, houve elevação da variação entre agosto e setembro em serviços profissionais, administrativos e complementares (7,7% para 11,1%), transportes, serviços auxiliares e correios (3,2% para 6,5%) e informação e comunicação (1,7% para 2,7%). Houve desaceleração em serviços prestados às famílias (9,0% para 7,7%) e outros serviços (10,6% para 9,0%).