20/06/2016 00:00:00 Leia na revista Mercado em Foco: Solidariedade em teste

Fonte: Revista Mercado em Foco - Mariana Ferreira Lopes

Não é segredo que uma profunda crise econômica como a que assola o País maltrata a população, obriga a grande maioria das famílias a refazer hábitos e redimensionar orçamentos. Com as empresas, a dinâmica não é muito diferente. Alguns ajustes são necessários para driblar os momentos de turbulência econômica e seguir adiante.

Alguns setores, porém, permanecem intactos quando o assunto é corte de despesas. E em alguns casos isso pode ser uma questão de honra, como é o caso das ações de cunho socioambiental e de responsabilidade social. Mesmo entre raios e tempestades, o empresariado londrinense não suspendeu os projetos que visam amenizar as diferenças sociais e continua a colaborar com a sociedade para melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas e oferecer um meio ambiente mais harmônico.

A Unimed Londrina está entre as empresas que mantiveram seus projetos sociais. “Mesmo na crise, não tem como cortar esses projetos. É uma forma de ajudar as pessoas, além de ser uma contrapartida da empresa para a sociedade”, afirma Ligia Favioli, assistente de responsabilidade social do sistema. Entre as iniciativas que se mantêm a todo vapor está o “Bosque da Vida”, projeto realizado em parceria com a ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) e o Laboratório de Biodiversidade e Restauração de Ecossistemas da Universidade Estadual de Londrina (Labre/UEL). Nele, a Unimed realiza plantio de árvores nativas na fazenda-escola da UEL com o intuito de reduzir o impacto de dióxido de carbono (CO2) que a própria Unimed lança na atmosfera.

De acordo com Ligia, uma metodologia desenvolvida pela Unimed realiza o cálculo da quantidade emitida durante um ano; a partir do número obtido, verifica-se a quantidade de mudas de plantas que seriam necessárias para neutralizar a emissão do gás. Estas mudas são compradas e oferecidas à ONG MAE para que ela ofereça o melhor destino possível.

800 mudas em um ano

Para se ter uma ideia da dimensão do Bosque da Vida, em 2014 foram compradas 800 unidades de mudas de espécies nativas. “O projeto está em atividade desde 2008 e tem trazido muitos benefícios para meio ambiente”, diz Ligia. Os cálculos para a compra das mudas são feitos de um ano para o outro. Os números referentes ao ano passado ainda não foram finalizados, mas a assistente de responsabilidade social da Unimed acredita que esse índice deva ser semelhante a 2014.

A Unimed Londrina também não pensa em desativar ou reestruturar outros projetos sociais. Os atendimentos médicos e gratuitos que são realizados em parceria com as ONGs Associação Mãos Estendidas (Amae), Associação de Pais e Amigos dos Portadores de Síndrome de Down (APS-Down) e Centro Apoio e Reabilitação Portadores Fissura Lábio Palatal de Londrina e Região (Cefil) não foram abalados pela crise.

Pelo cadastro de médicos cooperados disponíveis, a Unimed oferece os atendimentos nas mais diversas especialidades, mantendo o custo zero para as ONGs. “São realizados aproximadamente 10 atendimentos por instituição”, explica Ligia Favioli. Para a profissional, a forma de enfrentar a crise para manter os projetos em pleno vapor foi a realização de parcerias. “Assim foi possível reduzir os custos e agregar mais pessoas nas atividades”, afirma. Os outros projetos mais pontuais como a arrecadação de verba entre os funcionários para compra de ovos de páscoa para crianças carentes também fazem parte da agenda da empresa.

Larissa Squizzato Campos, gerente do Instituto Atsuski Ekimiko Yoshii, afirma que os projetos sociais realizados pelo Instituto passarão por ajustes orçamentários, mas continuarão em atividade. “Esses projetos funcionarão independente da crise porque fazem parte da filosofia de atuação do instituto”, afirma Larissa, que conta com a colaboração da construtora A.Yoshii. Entre os principais projetos da organização está o “Criando Arte”, que consiste no reaproveitamento de material da construção civil para a produção de artesanato. As oficinas acontecem desde 2007, de duas a três vezes ao mês, e não têm custo para pessoas de baixa renda - e uma taxa simbólica para quem tiver condições de colaborar.

Outra ação do Instituto que permanece em pauta é o projeto de educação digital “Click”, que visa a capacitação para a cultura das novas tecnologias. “Primeiramente as oficinas serão ofertadas aos funcionários e seus familiares e, depois, vamos abrir à comunidade. Tudo isso sem custo”, afirma Larissa. As aulas do projeto acontecem dentro da própria sede da instituição, em computadores individualizados, e salas de no máximo oito pessoas. Assim é possível aproveitar melhor o tempo de aula. Para a gerente do Instituto, uma das saídas encontradas para manter os projetos em atividade foi contar com o voluntariado. “Com esse movimento organizado entre funcionários do instituto, da construtora e da comunidade em geral foi possível realizar muitas coisas.”

Comitê ativo

Mesmo com a saída de muitos colaboradores da Sercomtel e a falta de previsão de reposição, o Comitê de Solidariedade dos Funcionários da Sercomtel não deixou a peteca cair e manteve as atividades do grupo em pauta. Atuando há 23 anos em Londrina e nos distritos do município, o comitê já reformou entidades beneficentes, construiu estabelecimentos comerciais para geração de renda em comunidades carentes, além de manter ações cotidianas como a distribuição de refeições a moradores de rua e fraldas geriátricas a clínicas de repouso.

De acordo com Daniel Gibellato, presidente do comitê, a maior dificuldade enfrentada para a manutenção das atividades não foi necessariamente a crise econômica pela qual o País passa, a despeito de "a atual condição não ser nada favorável". A saída dos colaboradores, no entanto, foi o grande empecilho para a execução dos projetos. A receita maior do comitê vem das doações feitas pelos funcionários - um tíquete-alimentação que é convertido em dinheiro. Para Gibellato, com a saída e ausência de contratação, a verba está ficando mais escassa. “Mas, nem por isso, deixamos de fazer nossos projetos”, diz. Assim como o pessoal das outras empresas, o comitê também recorreu a parceiros. “É uma forma de todos poderem colaborar para que possamos diminuir as diferenças. Aqueles que não podem doar o tíquete muitas vezes se oferecem na realização de outras atividades como palestras, cursos ou voluntariado”, completa.