31/12/2015 00:00:00 Tarifa de ônibus sobe para R$ 3,60 em Londrina

Fonte: Folha de Londrina


O primeiro dia do ano começa com um aumento de R$ 0,35 na tarifa do transporte coletivo em Londrina. O valor de R$ 3,25, reajustado no mês de abril, passa para R$ 3,60 a partir da zero hora de amanhã. Aproximadamente 80 mil passageiros utilizam a frota de ônibus diariamente na cidade. No dia 1º de janeiro de 2015, a tarifa subiu para R$ 2,95. O aumento em um ano, portanto, é de 22% - o dobro da inflação estimada pelo Banco Central para os últimos 12 meses (10,8%). 

No entanto, nem todos os usuários serão impactados pela nova tarifa. A partir do ano que vem, será implantada a terceira fase do passe livre estudantil. Com isso, todos os alunos da Educação Infantil até a pós-graduação serão beneficiados. Estudantes de cursos técnicos profissionalizantes oferecidos pelo Senac e pelo Senai também poderão contar com a isenção da tarifa. A medida deve contemplar, aproximadamente, 11 mil usuários do transporte coletivo. 

De acordo com o presidente da CMTU, José Carlos Bruno de Oliveira, o aumento da tarifa é repassado em janeiro aos usuários devido a data-base para o reajuste salarial dos trabalhadores do setor. Após os cálculos de reajuste, o novo valor do passe de ônibus seria de R$ 3,31 a partir do dia 1º. No entanto, com a decisão judicial que inclui na planilha de custos o lucro de 7,5% para as empresas que administram o serviço, o valor repassado aos usuários subiu para R$ 3,56. "Como a tarifa não pode ser quebrada, se nós reduzíssemos a tarifa para R$ 3,55, os 7,5% não seriam aferidos na planilha. Isso nos obriga, por força da sentença judicial, a praticar a tarifa de R$ 3,60", explicou. 

O procurador geral do Município, Paulo César Valle, destacou que a prefeitura ainda aguarda a análise do recurso que questiona a inclusão dos 7,5% no cálculo da tarifa. "A sentença foi dada em fevereiro e apresentamos embargos. A execução de cumprir essa sentença foi em abril. Nosso recurso foi interposto em abril, mas só chegou ao Tribunal de Justiça em setembro", completou Valle. Conforme a planilha de custos, a despesa com o pagamento dos salários dos trabalhadores corresponde a 48,4% do valor total da tarifa. Já o custo do combustível corresponde a 15,9%. 

Apesar da implantação de novas linhas no transporte coletivo e da renovação da frota nos últimos anos, o número de usuários do sistema caiu de, aproximadamente, 4,1 milhões em 2014 para 3,9 milhões em 2015. O gerente de planejamento de transporte da CMTU, Wilson de Jesus, justificou que a greve dos professores e servidores da rede estadual de ensino foi um dos fatores que contribuíram para a redução. A manutenção do sistema de transporte coletivo custa, em média, R$ 13 milhões por mês. A tarifa do micro-ônibus Psiu sobe de R$ 4,25 para R$ 5. Durante o anúncio do reajuste, o presidente da CMTU destacou que 280 ônibus com Wi-fi gratuito passarão a circular a partir de janeiro. Em março, dois veículos articulados SuperBus e outros seis ônibus convencionais do sistema SuperBus estarão nas ruas. 


TARIFA DIFERENCIADA

A chamada "Tarifa Verde" também passa a valer a partir de amanhã. O projeto implantado de forma experimental quer reduzir o volume de passageiros transportados nos horários de pico. Para isso, no intervalo entre 8h30 e 11h30 e no período entre 14h30 e 16h, o valor da tarifa será mantido em R$ 3,25. 

A companhia espera a colaboração de empresários e de comerciantes para a adesão dos trabalhadores À tarifa diferenciada. "É importante que as próprias organizações de representação de trabalhadores procurem a CMTU e procurem as empresas para facilitar a vida dos funcionários. As empresas vão também gastar menos e investir menos no transporte dos seus funcionários através de vale-transporte mais barato", lembrou o presidente da CMTU. 

A tarifa reduzida será cobrada apenas no cartão eletrônico. Em dinheiro, o valor será mantido em R$ 3,60. As máquinas utilizadas nas catracas serão programadas para descontar o valor de acordo com os horários estabelecidos. 

A assessoria de imprensa do sindicato que representa as empresas do transporte coletivo, Metrolon, informou que a diretoria considera justo o novo valor da tarifa. O presidente do sindicato dos trabalhadores, João Batista da Silva, está fora de Londrina e não atendeu as ligações para comentar o reajuste.