17/10/2014 00:00:00 Tensão e acusações marcam o segundo debate entre Aécio e Dilma


Candidatos à presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) se enfrentaram nesta quinta-feira (16) em um dos debates mais tensos da histórica política recente do país. Aécio acusou Dilma de ter um irmão funcionário fantasma na prefeitura de Belo Horizonte, enquanto a petista acusou o tucano de ter empregado vários parentes no governo de Minas Gerais. Além disso, questões pessoais, como o episódio no qual Aécio não fez o bafômetro em uma blitz da Lei Seca também foram abordados. O debate foi realizado em conjunto pelo SBT, pela rádio Jovem Pan, pelo portal UOL e pelo jornal Folha de S. Paulo.

A troca de acusações relativas às famílias tomou o centro do debate ainda no primeiro bloco. Primeiro, Dilma acusou Aécio de empregar sua irmã e outros parentes no governo de Minas Gerais. “O que nós conseguimos é que de cada quatro funcionários comissionados, três sejam de funcionários de carreiras [no governo federal]. Eu nunca nomeei parentes para o governo, e queria saber o que o senhor tem a dizer sobre seus parentes empregados no governo de Minas durante sua gestão”, disse.

Aécio rebateu dizendo que sempre teve um “cuidado muito grande” ao envolver parentes de adversários em denúncias, mas logo acusou um irmão de Dilma, Igor Rousseff, de ter sido funcionário fantasma da prefeitura de Belo Horizonte. “Ele foi nomeado pelo Fernando Pimentel e nunca apareceu para trabalhar. Agora entendo porque a senhora não tem nenhum parente nomeado em seu governo, você pede para que seus aliados empreguem”, acusou. Sobre o caso, Aécio disse também que sua irmã trabalhou voluntariamente para o governo.

Rousseff, de fato, foi funcionário comissionado da prefeitura de Belo Horizonte na gestão de Pimentel, mas não há qualquer comprovação de que tenha sido fantasma. Pimentel deixou a prefeitura antes de Dilma ser eleita presidente e seu irmão foi exonerado.

Lei Seca

No terceiro bloco, Dilma questionou Aécio sobre sua opinião em relação à Lei Seca. Aécio entendeu a pergunta como uma provocação em relação a um episódio no qual foi flagrado por uma blitz dirigindo com a carteira de motorista vencida, no Rio de Janeiro. “Tive um episódio no qual dirigia com a carteira vencida e, por uma desatenção, não fiz o teste do bafômetro. Tenho uma capacidade de reconhecer meus erros que a senhora não tem. Me arrependi e pedi desculpas por esse episódio”, disse.

Dilma respondeu que Aécio “diminuiu” a importância da questão da violência no trânsito causada por motoristas embriagados. “Ninguém pode dirigir bêbado, ou drogado. Eu nunca dirigi sob o efeito de álcool ou de drogas”, alfinetou.

A presidente também alfinetou Aécio ao falar de quando deixou Minas Gerais, durante a ditadura. “Deixei Minas por que fui perseguida política, e não para passear no Rio de Janeiro”, ironizou. Aécio, por sua vez, acusou Dilma de mentir e fraudar informações para atacar sua campanha.

Corrupção e Minas

As recentes denúncias de corrupção na Petrobras voltaram a ser pauta do debate, assim como já havia ocorrido no debate da última terça-feira, na TV Bandeirantes. Aécio disse que os escândalos na estatal viraram rotina durante a gestão petista. Dilma defendeu que a independência da Polícia Federal permitiu que as investigações ocorressem, ao contrário do que havia ocorrido na gestão tucana. Ela citou, também, reportagem que liga o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto em março deste ano, aos desvios na companhia.

A gestão de Aécio em Minas Gerais também foi trazida para o debate. Dilma acusou o tucano de descumprir o mínimo constitucional com saúde e educação durante sua gestão – o que teria resultado em uma defasagem de R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões nas duas áreas, respectivamente. O senador acusou a presidente de mentir, e disse que todas as suas contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TC). Ele acusou também a presidente de desrespeitar a população de Minas Gerais.

Os dois candidatos também trocaram farpas em relação ao índice de inflação no governo atual e ao índice de desemprego durante o governo Fernando Henrique, e voltaram a disputar a autoria do programa Bolsa Família.