09/09/2014 00:00:00 Venda de produtos de higiene e beleza sobe 185%

Fonte: Folha de Londrina

A venda de itens de higiene e beleza tem crescido em um patamar acima da média dos bens de consumo rápido, de acordo com pesquisa realizada pela Nielsen. Desde 1994, a cesta desses produtos está 185% maior, enquanto a média de consumo rápido – como alimentos, bebidas e produtos de limpeza - foi de 124%. O estudo destaca, ainda, que o consumo de produtos de higiene e beleza é o menos afetado pelo endividamento do consumidor. 

A pesquisa mostra, também, o forte ritmo de lançamentos no setor. Foram apresentados 2.102 novos produtos de 2013 até julho de 2014, enquanto a média de lançamentos de outros produtos de consumo rápido é de 960 no mesmo período. A Nielsen considera que a venda de itens dessa categoria tende a ser preservada mesmo durante cenários de piora na economia. 

O economista e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), José Luis Dalto, destaca alguns fatores que contribuíram para a expansão do setor no período. "O aumento do poder aquisitivo, a melhoria de renda das classes C, D e E, aliado à média de preços desses produtos, que teve uma baixa", destaca. Dalto afirma que a estratégia comercial das empresas de higiene e beleza também se estruturou de forma muito eficiente nos últimos anos, associada a uma época de aumento agressivo no consumo geral do País. 

Para o economista, outro fator que impulsionou as vendas foi a maciça entrada das mulheres no mercado de trabalho. "Vinte anos atrás você não tinha um percentual tão grande de mulheres trabalhando, e esta mulher busca coisas práticas sem perder a feminilidade", opina. Dalto ressalta, ainda, a segmentação de produtos, que se intensificou no período. Além dos homens, que passaram a ser uma parcela considerável dos consumidores de cosméticos, há produtos específicos para crianças, adolescentes e idosos. 

Na pesquisa, a Nielsen ressalta que o Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de produtos de higiene e beleza no planeta. Esmalte foi o produto que teve o maior incremento de vendas no período, acima de 600%. Praticidade, sofisticação e indulgência (a compra como compensação para si mesmo) são os três fatores que mais motivam essas compras. 

Básico
A londrinense Luana Rodrigues, 21, consome uma vasta lista de produtos de beleza, que inclui esmalte, tintura e máscaras para cabelo, cremes e maquiagem. Segundo ela, a compra se dá com frequência e esses produtos não tendem a ser cortados da lista de consumo em caso de crise financeira. "A tinta não pode faltar, e a gente não pode ficar sem o básico", destaca. Apaixonada por esmaltes e maquiagem, a secretária Eva Rosa afirma comprar sempre, mas em pequenas quantidades. 

"Não sou de fazer estoque, comprar dois ou três; quando acaba, vou repondo", conta ela. A comerciante Tatiane Mussi, 33, comprava ontem, em uma loja no centro de Londrina, shampoo, esmalte e batom. Na semana anterior ela havia feito outra compra de produtos de higiene na mesma loja. "A gente sempre arruma alguma coisa que não tem, por exemplo, estava olhando pincel e tenho todos, mas sempre acho algum diferente", explica.

Consumo se sustenta durante crise
Mesmo em um cenário de piora na economia nacional, o consumo de produtos de higiene e beleza deve se manter estável, ou cair pouco. Pesquisa da Nielsen mostra que, em caso de endividamento, o consumidor tende a retrair em apenas 8% esta compra; o maior corte acontece no setor de alimentos, 17%, seguido de bebidas (16%). O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, explica que esses produtos já se consolidaram como parte da cesta de consumo dos brasileiros. 

"As mulheres, e também os homens consumidores, vão abrir mão de outro tipo de produto para que possa ter espaço para estes", afirma. Rambalducci diz que, a despeito de alguma crise financeira que venha a atingir outros produtos de consumo, o mercado de higiene e beleza será preservado. "Não se espera de jeito nenhum que atinja esse mercado, pelo contrário, em situações de estresse ou dificuldade, aumenta esse tipo de consumo; as pessoas buscam melhorar a autoestima", justifica. O consultor aponta o aumento da renda média da classe trabalhadora e, fundamentalmente, a inserção da mulher no mercado de trabalho como fatores que impulsionam esse mercado.