As propostas para redução da jornada 6×1 voltaram com força à pauta nacional por conta do ano eleitoral. É um tema com forte adesão popular, mas que sofre as distorções do discurso político.
A intenção é reduzir a jornada de trabalho sem alterar o salário. Ou seja, quem vai pagar é o empresário. Ele ainda precisará contratar para manter a produtividade, sem deixar de arcar com a imensa carga tributária, que certamente continuará a mesma.
Em poucas palavras, o governo vai ditar as horas de trabalho e obrigar o empregador a pagar o prejuízo, ignorando completamente a realidade das empresas, do mercado e da produção.
A grande maioria dos empregos formais é gerada por micro e pequenas empresas, justamente as mais frágeis, com alto índice de fechamento. Será que elas vão conseguir manter a receita e contratar mais funcionários? A produtividade brasileira ainda não alcançou os níveis capazes de sustentar essa decisão.
Não há lógica em impor a redução da jornada sem que a produtividade brasileira esteja à altura dessa possibilidade. O resultado será a extinção de empresas, desemprego, expansão do trabalho informal, queda vertiginosa do PIB e disparo da inflação, pois quando há aumento nos custos de produção, eles são geralmente repassados ao bolso do consumidor.
Ninguém é contra proporcionar qualidade de vida à população. O discurso, porém, não esclarece que a redução da jornada vai prejudicar empresários e trabalhadores.
O Poder Legislativo precisa ser cobrado com urgência para analisar o tema com o máximo de responsabilidade. Rejeitar as propostas é a solução menos traumática para evitarmos danos irreversíveis à economia e à sociedade brasileiras.
Vera Antunes, presidente da ACIL
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