O ano de 2026 será marcado pela intervenção crescente do Estado na economia, especialmente em assuntos imprescindíveis ao setor produtivo. Um levantamento da Instituição Fiscal Independente (www12.senado.leg.br/ifi), ligada ao Senado Federal, mostra que, no ano, os benefícios estatais atingiram um volume de aproximadamente R$ 300 bilhões.
São decisões que demonstram ingerência econômica, praticamente sem consulta a quem produz e gera emprego no país. Algumas estão previstas para entrar em vigor a partir de 2027, sem fontes de financiamento definidas nem compensações tributárias previstas. Mas esse volume imenso de dinheiro público precisa vir de algum lugar. Certamente, será do nosso bolso.
A novidade mais recente é a tarifa gratuita de ônibus em todo o país nos fins de semana, medida que vem sendo considerada para 2027. Os recursos públicos ainda vão ter que dar conta do Move Brasil (compra de automóveis); da ampliação do Minha Casa, Minha Vida; isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil; aumento do teto e perdão das dívidas dos MEIs; versões do Desenrola; reajuste de 15% no Bolsa Família; subsídios para combustíveis; aumento do Pé-de-meia; subsídios de luz e gás; isenção da taxa das blusinhas; distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS; e, claro, o fim da escala 6×1 via emenda constitucional. São apenas alguns exemplos.
Não se trata simplesmente de criticar os benefícios – algumas iniciativas são importantes -, mas o volume de dinheiro público despejado em ano eleitoral mostra o tamanho da interferência governamental em setores que deveriam ser regulados pela livre iniciativa.
O empresário sabe de cor que o descontrole financeiro público resulta em aumento de imposto. E isso tende a acontecer enquanto as empresas se adaptam a uma nova escala de trabalho, atravessam uma turbulenta Reforma Tributária e operam em um mercado inóspito para gerar renda e emprego. Se hoje tiramos leite de pedra para sobreviver, o amanhã virou uma grande interrogação.
Vera Antunes, presidente da ACIL.
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