Fonte: Jornal de Londrina
Até 2025, a Região Metropolitana de Londrina (RML) terá perto de 944 mil moradores e na próxima década será a principal metrópole do interior do país (fora da capital), com altas taxas de crescimento populacional – e dezenas de problemas à espera de respostas integradas entre os 11 municípios.
A análise do crescimento populacional e dos efeitos dele para centenas de cidades ao redor do mundo está no documento, ainda parcial, State of the World´s Cities (2012-2013), produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e disponível no site da instituição mundial.
Com mais gente em cidades cada vez mais conurbadas, Londrina também integra o rol de núcleos urbanos mundiais onde o crescimento da população caminha rápido com a necessidade de enfrentar os graves problemas da falta ligação entre vizinhos. Corrupção, falta de transparência e predomínio de interesses empresariais compõem, segundo o relatório, o fermento da ausência de soluções entre cidades. O conjunto, conclui o documento, tem como resultado a queda na qualidade de vida dos moradores metropolitanos mundo afora. Londrina idem.
Em 152 páginas, o documento da ONU descreve uma vasta quantidade de problemas e de rarefeitas soluções em curso nas cidades do planeta onde as consequências do movimento do dinheiro, dos transportes, da busca pelo atendimento médico, os efeitos da crise ambiental e do trânsito das populações ocorre em ritmo bem maior do que a integração geralmente “de papel” entabulada pelo governos.
Com taxas de crescimento populacional maiores que as de regiões como Campinas e Santos e até mesmo mais altas que as de capitais como Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, Londrina e a região metropolitana terão saltado – em 35 anos (1990-2025) – de 491 mil habitantes para 944 mil – aumento demográfico de 92,2%. No mesmo período, as populosas regiões metropolitanas do Rio (12,6 milhões em 2025) e São Paulo (21,6 milhões) crescem menos: a 31,8% e 46,5%, respectivamente.
“As cidades se expandem de forma descontínua, dispersa, de forma inconsistente e sem sustentabilidade”, aponta o relatório da ONU. “Uma característica das cidades em desenvolvimento no mundo é a expansão baseada em limites administrativos formais, largamente impulsionada pelo uso de automóveis e pela especulação imobiliária”, registra o documento, emoldurando o cenário que também é o retrato de Londrina e região.
“É uma crise de acesso dos moradores às cidades”, constata o professor Flávio José Nery Malta, pesquisador de sustentabilidade urbana e ambiental e consultor da ONU responsável por abastecer o documento com dados sobre o Brasil. “Cada prefeito consegue, no máximo, olhar a própria realidade”, atesta, para quem a inexistência de um diálogo concreto entre prefeitos e estruturas governamentais “é cultural e histórica”. Segundo o pesquisador, cidades como Londrina “estão apenas no começo” da tarefa de trazer à luz a integração urbana.



