Fonte: JL
Há dez anos, Vanessa Cotrim Silva deixou o emprego fixo em uma panificadora para ajudar o marido com um carrinho de pipocas, herdado do sogro. Sem os R$ 7 mil necessários para comprar um equipamento novo, ela o reformou e personalizou. O investimento deu retorno, e em pouco tempo ela e o marido já contavam com cinco unidades e uma empresa formalizada. Hoje, a Pop Doug atende festas e eventos, dá emprego a oito pessoas e diversificou a linha de produtos, com churros recheados, além da pipoca.
O caso de Vanessa é um dos muitos apontados em um levantamento feito pelo Sebrae nacional. A pesquisa “Empreendedorismo e a Nova Classe Média” mostrou que 55,2% dos empreendedores no Brasil pertencem à classe C. O estudo confirma que a nova classe média, além de ser a que mais cresce no país, também é a que mais busca a realização do sonho de se tornar dono do próprio negócio.
A empreendedora percebeu o potencial do ramo, e desde então vem acumulando histórico de sucesso. Com a agenda lotada, ela conta que às vezes precisa recusar alguns pedidos de clientes. “No fim de semana passado, tinha carrinho instalado na ExpoJapão, outro em uma festa no Colégio Marista. Também atendi no show do Djavan. Tinha um aniversário para ir, mas tive que recusar. O pessoal não gostou muito, mas fazer o quê”, brinca.
Perceber a oportunidade de crescimento foi o ponto chave para que Vanessa pudesse deixar o emprego com carteira assinada e partir para o negócio próprio. “Essa é a principal característica desse novo empreendedor da classe média. São pessoas descobrindo possibilidades de negócio, na maioria das vezes quando estão próximas das necessidades. É a classe média suprindo as próprias necessidades da classe média”, apontou Ricardo Magno, consultor do Sebrae Londrina.
Segundo ele, esse crescimento pode ser observado a partir dos últimos dez anos. “Houve um deslocamento de renda para as classes C e D. Esse dinheiro circulante aquece a economia como um todo. De repente, a pipoca, que podia ser vista como um luxo, passa a ser acessível”, explicou Magno. “O pipoqueiro passa a ter mais dinheiro, compra em um mercado melhor. O dono do mercado, por sua vez, pode comprar um carro. O dono da concessionária, então, pode fazer uma viagem. E tudo isso com o dinheiro que deu entrada lá atrás, no carrinho de pipoca”, comenta o consultor.
Características
Os empreendimentos tocados pela classe média são, em sua maioria, negócios voltados ao bem-estar das pessoas. Em especial, a estética ocupa um espaço especial nessa lista. “Quando as necessidades básicas são supridas, as pessoas passam a ter outros desejos. É muito grande o número de negócios como salões de estética, massagens, cabeleireiros, manicures. A pessoa passa a definir onde quer gastar o dinheiro, e isso dá uma liberdade maior, aumenta a autoestima, a confiança”, revelou Magno.
Pequenos em destaque
A pesquisa do Sebrae apontou que a maioria dos empreendedores trabalha sozinha, com um faturamento de até R$ 60 mil por ano. De acordo com o Data Popular, que comandou o levantamento, 57,7% dos novos empreendedores não têm funcionários. Os negócios com um a cinco funcionários respondem a 31,5%.A formalização foi boa para a maioria dos entrevistados. Segundo a pesquisa do Sebrae, 55% das pessoas ouvidas disseram que houve aumento nos lucros, 52% tiveram uma melhora no controle financeiro e 54% aumentaram os investimentos. Para Vanessa, formalizar o próprio negócio foi a melhor saída. “Como microempreendedora individual, só posso ter um funcionário. Mesmo assim, consigo dar emprego a mais oito pessoas, que trabalham para mim como freelances.” Se pretende voltar a ser empregada? A resposta é clara e objetiva. “Agora? Nem pensar”, completa.



